segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quando a Música Parar

A música que toca (juros quase zero) desde setembro de 2001 alimentou bolhas de ativos, explodiu o preço das commodities, inflou contra-cheques dos executivos das empresas e principalmente multiplicou o crédito que sustenta um consumo e compra de ativos irresponsável mundo afora por mais de uma década.

O que acontecerá com o mundo quando os EUA tiverem que subir seus juros básicos?

Para muitos isso não acontecerá tão cedo pois os EUA estão com problemas tão sérios para gerar empregos e aumentar o consumo de suas famílias que torna pouco provável um aumento de juros no curto prazo.

Mas e se outros fatores mudarem essa perspectiva? E se investidores começarem a demandar mais juros para cpmprar títulos da dívida americana?

Apesar de os juros futuros não terem se mexido hoje após o anúncio do S&P de colocar em observação a dívida de longo prazo americana, esse cenário não tem probabilidade zero de ocorrer e deve ser considerado.

Para o Brasil os problemas imediatos seriam: agravamento do balanço de pagamentos pela mairo remessa de juros e dividendos com redução do Investimento Direto (FDI), aumento da inflação pela subida do dólar e diminuição do saldo comercial.

Ou seja, o pior dos mundos.

Ah, para aqueles que acham que os US$ 320 bi de reservas conteriam a fuga maciça de dólares, aconselho ver o que aconteceu com a Rússia (US$ 550 bi de reservas) em 2008 quando em 2 dias evaporaram US$ 250 bi. Lembrete o FDI na Rússia era 10 vezes inferior ao do Brasil no mesmo período.

Nem a política nacional-desenvolvimentista tão aclamada como a salvadora da crise de 2008 resolveria. Bem, nesse caso só pioraria as coisas uma vez que os gastos do Governo deveriam subir ainda mais.

sábado, 16 de abril de 2011

Plebiscito Oportunista

O oportunismo político no Brasil é uma das coisas mais irritantes que um brasileiro com QI médio possa suportar.

O pacote básico para ser um legítimo "representante do povo" é uma mistura de incontinência verbal com a habilidade impar de propor coisas descabidas, sempre é claro, no espírito de defender os interesses do povo, à custa de nossas liberdades individuais e de um Estado onipresente.

Caso ilustrativo é a proposta de retorno do plebiscito do desarmamento. Capitaneado pelo maior de todos defensores do povo (depois de Nosso Guia, é claro), aquele mesmo que por 40 anos tutela o Maranhão, foi lançada a campanha do desarmamento, dando uma oportunidade para aqueles 64% da população que votaram contra, para reconhecerem sua culpa na chacina de Realengo e riscarem do mapa o hediondo comércio de armas por essas bandas. Só assim, sem armas, poderemos exercer plenamente nossa vocação pacifista!

Claro que isso aplaca a fúria moralista de nossos governantes mas não resolve absolutamente nada. Se o objetivo do plebiscito é evitar acontecimentos como os de Realengo, devemos também votar contra a venda de qualquer produto inflamável (ãcool, gasolina, etc), butijões de gás, facas, canivetes, ou seja, qualquer coisa que coloque atende contra a vida de terceiros!

Resumindo vamos gastar o dinheiro do povo (leia-se impostos) com questões que realmente atendam ao interesse de todos. Sugestões para plebiscito: voto distrital contra lista fechada dos partidos, concessão contra modelo de partilha no pré-sal, privatização ou não dos aeroportos, etc.