Quem acompanha o mercado acionário brasileiro necessariamente segue as notícias sobre Petrobrás. Afinal a empresa sozinha representa 13% do Ibovespa, é um dos ADR's mais negociados na Bolsa de NY, além de ser a "estrela solitária" do pré-sal e tem garantido pelo Governo brasileiro direito de participar em toda a sua exploração.
Por que então a empresa que melhor representa a pujança do Brasil com sua enorme capacidade de investimentos que influencia várias indústrias e setores, sentada no "filé mignon" das reservas do pré-sal, só vê suas ações perderem valor nas bolsas de valores?
O mercado diz que o problema é a indefinição da capitalização da empresa e que uma vez definidos preço e o tamanho da oferta, a ação retornaria a sua trajetória de apreciação, voltando aos preços de meados de 2008.
Acho simplista essa avaliação e explico a razão.
Primeiro discordo que o novo modelo de partilha beneficie a Petrobrás. Muito pelo contrário, acho que a proposta do Governo de obrigar a empresa a ter participação mínima de 30% em todos os campos, é um enorme passivo e não um ativo.
Segundo a empresa que sempre financiou sua expansão com recursos próprios, está mudando completamente a sua estrutura de capital de modo a absorver mais dívida para financiar seus novos projetos no pré-sal e o aumento de sua capacidade de refino.
Muito embora o esforço para capitalização seja uma tentativa de manter balanceada sua relação capital próprio e dívida e por conseguinte seu grau de investimento, o aumento excessivo de seu endividamento a deixa mais vunerável aos humores dos investidores internacionais e às variações futuras do preço do petróleo.
Terceiro a proposta de mudança do modelo de exploração de petróleo no Brasil está completamente dissociada da atual realidade econômica mundial, do aumento da percepção dos riscos de exploração em alto-mar e do futuro da indústria automobilística que caminha a passos largos na direção dos carros elétricos.
Diante de tantas incertezas o mais sensato seria manter o modelo de concessão com alguns pequenos ajustes. Por exemplo, para compensar a diminuição do risco de exploração pela certeza da presença de petróleo, bastaria aumentar a tributação.
Já a Petrobrás como a maior conhecedora da tecnologia de exploração em águas profundas, teria garantida a sua presença na área do pré-sal. Nada mais natural para outras empresas que desejem participar na exploração em futuras áreas, que se associem a ela, em um arranjo societário que certamente diminuiria a sua responsabilidade de arcar com o grosso dos investimentos.
Por outro lado, O Governo não precisaria criar Petrosal, arcar com os custos de um eventual desastre ecológico e nem se sentir ameaçado com a presença de outras empresas multinacionais. Contratos bem feitos e uma agência reguladora eficiente seriam suficientes. O resto é discurso eleitoral para iletrados.
Na verdade o pré-sal com toda a sua perspectiva de salvação nacional caiu do céu para o atual Governo pois associa o discurso fácil da redenção nacional com a utilização da Petrobrás e seus investimentos como indutora do PAC-2 e por conseguinte, do estabelecimento de uma política industrial intervencionista que visa principalmente a aumentar a presença do Estado na economia nacional ao mesmo tempo que beneficia alguns empresários selecionados a dedo.
Fica claro que todo o esforço feito nos últimos 15 anos de abrir o setor a concorrência, atrair investimentos que tornaram o Brasil auto-suficiente e a Petrobrás em uma empresa competitiva a nível internacional, está sendo perdido.
Após a euforia com a descoberta do pré-sal e a confusão causada pela proposta de mudança do modelo de exploração, os investidores em ações da Petrobrás devem estar se perguntando qual será o futuro da empresa. O desempenho da ação desde o anúncio da mudança do papel da empresa no novo modelo de exploração, ao meu ver, está refletindo exatamente isso.
Uma coisa é certa. Em um eventual Governo Dilma as intervenções deverão aumentar e a racionalidade econômica dará lugar aos projetos para atender aos interesses de sua imensa base política.
Afinal é sempre bom lembrar que Lula uma vez disse que dirigir a Petrobrás é tão importante quanto governar o Brasil.
Infelizmente nós temos uma boa idéia de como eles governam.
terça-feira, 29 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
UE Ruim de Bola
O temor que as seleções européias imprimiam aos seus adversários foi enterrado nessa Copa. Os times europeus estão jogando um futebol só comparável à sua bagunça fiscal!
Os números falam por si: dos 13 times europeus apenas 6 passaram para as oitavas. Esse aproveitamento só é superior ao desempenho do único representante da Oceania que não passou (Nova Zelândia) e do decepcionante desempenho africano (1 em 6 times).
As surpresas ficaram por conta da Concacaf que passou 2 de 3 seleções e da a Ásia, que mesmo com Austrália no grupo das eliminatórias, emplacou 2 de 4 times.
A turma do Cone Sul vai toda para as oitavas, com muita chance de chegarem às quartas, exceção feita ao Chile que para no Brasil (assim espero!).
Assim sendo, podemos chegar a uma semi-final totalmente sul-americana ou ibero-americana, se considerarmos que Portugal ou Espanha são mais fortes que Paraguai.
Já os europeus poderão contar no máximo com 3 representantes nas quartas. Se der a lógica, Holanda para chegar às semi terá que passar pelo Brasil. Já Alemanha ou Inglaterra pegam Argentina nas quartas. Para Portugal e Espanha o caminho para as semi é mais fácil, uma vez que enfrentarão o vencedor de Paraguai ou Japão.
Meu palpite para as semi: Brasil x Estados Unidos e Alemanha x Espanha.
Vocês achavam que eu iria colocar algum outro sul-americano para rivalizar com o Brasil?
Os números falam por si: dos 13 times europeus apenas 6 passaram para as oitavas. Esse aproveitamento só é superior ao desempenho do único representante da Oceania que não passou (Nova Zelândia) e do decepcionante desempenho africano (1 em 6 times).
As surpresas ficaram por conta da Concacaf que passou 2 de 3 seleções e da a Ásia, que mesmo com Austrália no grupo das eliminatórias, emplacou 2 de 4 times.
A turma do Cone Sul vai toda para as oitavas, com muita chance de chegarem às quartas, exceção feita ao Chile que para no Brasil (assim espero!).
Assim sendo, podemos chegar a uma semi-final totalmente sul-americana ou ibero-americana, se considerarmos que Portugal ou Espanha são mais fortes que Paraguai.
Já os europeus poderão contar no máximo com 3 representantes nas quartas. Se der a lógica, Holanda para chegar às semi terá que passar pelo Brasil. Já Alemanha ou Inglaterra pegam Argentina nas quartas. Para Portugal e Espanha o caminho para as semi é mais fácil, uma vez que enfrentarão o vencedor de Paraguai ou Japão.
Meu palpite para as semi: Brasil x Estados Unidos e Alemanha x Espanha.
Vocês achavam que eu iria colocar algum outro sul-americano para rivalizar com o Brasil?
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Dedos Queimados no Irã
Para quem achava que a a tentativa brasileira de buscar uma solução diplomática para o programa de enriquecimento de urânio iraniano seria a oportunidade de nos tornarmos um player de peso nos temas internacionais, sugiro a leitura do artigo de Walter Russel Mead, publicado em 21 de junho no site do Council on Foreign Relations.
Segundo o artigo, o Ministro Celso Amorim em entrevista ao Financial Times teria dito que o Brasil não mais se envolverá nas discussões entre EUA e Irã. Segundo ele, o Brasil só tomou essa iniciativa por solicitação de Obama a Lula, e acabou queimando os dedos.
Acho pouco provável. O mais provável é que Lula aproveitando o bom momento econômico do Brasil, quis dar uma faturada eleitoral, dando uma cutucada nos americanos ao mesmo tempo que tentava colocar o Brasil no centro das grandes questões mundiais.
Como já coloquei aqui no blog no passado, Lula é suficientemente esperto para aproveitar o momento certo e aumentar ainda mais o seu prestígio junto ao eleitorado brasileiro.
No caso do Irã, para o público doméstico e para os demais países do terceiro mundo, ele pousaria de paladino defendendo os "pequenos" contra os "poderosos", e certamente reforçando a idéia do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Além disso, em caso de sucesso na empreitada, ele receberia muita cobertura da mídia mundial, uma eventual indicação para o Nobel da Paz e mais alguns votinhos para a candidata oficial.
Em caso de fracasso da missão, as críticas dos especialistas não seriam lidas mesmo pelos seus eleitores.
Por fim, duas certezas.
Aquela cadeira no Conselho da ONU ficou para daqui a muitos e muitos anos, especialmente depois que juntos com a Turquia, votamos contra as sanções aprovadas por todos os demais membros do Conselho de Segurança. Talvez o mais indicado no caso, seria se abster como fez o Líbano.
Cartas pessoais entre presidentes não deveriam vazar para a imprensa. Nunca. Além de falta de educação, denota falta de respeito a nação que a endereçou.
Segundo o artigo, o Ministro Celso Amorim em entrevista ao Financial Times teria dito que o Brasil não mais se envolverá nas discussões entre EUA e Irã. Segundo ele, o Brasil só tomou essa iniciativa por solicitação de Obama a Lula, e acabou queimando os dedos.
Acho pouco provável. O mais provável é que Lula aproveitando o bom momento econômico do Brasil, quis dar uma faturada eleitoral, dando uma cutucada nos americanos ao mesmo tempo que tentava colocar o Brasil no centro das grandes questões mundiais.
Como já coloquei aqui no blog no passado, Lula é suficientemente esperto para aproveitar o momento certo e aumentar ainda mais o seu prestígio junto ao eleitorado brasileiro.
No caso do Irã, para o público doméstico e para os demais países do terceiro mundo, ele pousaria de paladino defendendo os "pequenos" contra os "poderosos", e certamente reforçando a idéia do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Além disso, em caso de sucesso na empreitada, ele receberia muita cobertura da mídia mundial, uma eventual indicação para o Nobel da Paz e mais alguns votinhos para a candidata oficial.
Em caso de fracasso da missão, as críticas dos especialistas não seriam lidas mesmo pelos seus eleitores.
Por fim, duas certezas.
Aquela cadeira no Conselho da ONU ficou para daqui a muitos e muitos anos, especialmente depois que juntos com a Turquia, votamos contra as sanções aprovadas por todos os demais membros do Conselho de Segurança. Talvez o mais indicado no caso, seria se abster como fez o Líbano.
Cartas pessoais entre presidentes não deveriam vazar para a imprensa. Nunca. Além de falta de educação, denota falta de respeito a nação que a endereçou.
A Primeira Copa a Cores
Se não me falha a memória, foi em 1972 que as transmissões a cores começaram no Brasil, mas especificamente no Torneio de Futebol organizado pela extinta CBD para celebrar o Sesquicentenário da Independência do Brasil.
A preparação da seleção brasileira foi tumultuada entre as duas Copas. Uma discussão idiota para eleger o jogador que seria digno de vestir a camisa 10 da seleção com a aposentadoria de Pelé, foi incentivada pela crônica esportiva. Bem fazem os americanos que aposentam o número da camisa dos jogadores que mais se destacam.
O talentoso Paulo Cesar Caju era o candidato da hora, mas os paulistas o achavam mascarado e pouco humilde para suceder Pelé e o perseguiu por 2 anos consecutivos. Depois de sofrer com a maior vaia da história esportiva em um jogo da seleção brasileira no Morumbi, a pressão foi enorme e a camisa 10 acabou com o corintiano Rivelino.
Foi uma primeira fase horrorosa com empates contra a extinta Iugoslávia e a Escócia. Para nos classificar para a próxima fase, tínhamos que ganhar do Zaire, por uma diferença de 3 gols. O gol da classificação só veio no segundo tempo num chute "espírita" de Valdomiro que o goleiro do Zaire aceitou.
Depois do gol de falta de Rivelino contra a Alemanha Oriental que nos garantiu a vitória por placar mínimo, passamos pela Argentina em um jogo catimbado (2 a 1) e perdemos para Holanda por 2 a 0, que decidiu com a Alemanha a final da Copa. Terminamos em quarto, pois perdemos para a Polônia por 1 a 0, gol do excelente ponta-direita Lato (o artilheiro da Copa).
Acho que não existe pessoa que acompanhe o futebol que não tenha ouvido falar da seleção holandesa de 74. Ela entrou para o rol das melhores seleções da história das Copas do Mundo, juntamente com o escrete húngaro (Puskas) de 54 e a seleção brasileira de 70.
Curiosamente só o Brasil conseguiu ser campeão com uma seleção que encheu os olhos de todos. As outras duas seleções perderam para a Alemanha.
A Holanda, ou melhor, o Carrossel Holandês ou a Laranja Mecânica, encantou o mundo com um esquema tático que não guardava posições e uma implacável linha de impedimento que decretou o fim do jogo cadenciado sul-americano e dos jogadores com posições fixas em campo.
Sob a batuta do técnico Rinus Michel e a genialidade de Cruiff e Neeskens em campo, a Holanda triturou os adversários da primeira e segunda fases. Lembro do primeiro jogo deles contra os uruguaios, em que esses batiam cabeça e corriam atrás da bola feito cachorrinho em roda de bobinho.
Os holandeses saíram na frente aos 2 minutos de jogo na final e todos achavam que a nova taça já tinha dono. Mas do outro lado tinha a Alemanha com craques como Franz Beckenbauer, Gerd Muller, Overath e o incrível goleiro Sepp Maier, que fechou o gol no segundo tempo garantindo a vitória alemã por 2 a 1.
Um jogaço que entrou para a história como a melhor final de todas as Copas. Vale a pena rever.
A próxima Copa na Argentina quase colocou a Holanda no panteão das seleções ganhadoras de uma Copa, mas a trave, o atacante Mario Kempes e a ditadura militar portenha não deixaram. Conto outro dia.
A preparação da seleção brasileira foi tumultuada entre as duas Copas. Uma discussão idiota para eleger o jogador que seria digno de vestir a camisa 10 da seleção com a aposentadoria de Pelé, foi incentivada pela crônica esportiva. Bem fazem os americanos que aposentam o número da camisa dos jogadores que mais se destacam.
O talentoso Paulo Cesar Caju era o candidato da hora, mas os paulistas o achavam mascarado e pouco humilde para suceder Pelé e o perseguiu por 2 anos consecutivos. Depois de sofrer com a maior vaia da história esportiva em um jogo da seleção brasileira no Morumbi, a pressão foi enorme e a camisa 10 acabou com o corintiano Rivelino.
Foi uma primeira fase horrorosa com empates contra a extinta Iugoslávia e a Escócia. Para nos classificar para a próxima fase, tínhamos que ganhar do Zaire, por uma diferença de 3 gols. O gol da classificação só veio no segundo tempo num chute "espírita" de Valdomiro que o goleiro do Zaire aceitou.
Depois do gol de falta de Rivelino contra a Alemanha Oriental que nos garantiu a vitória por placar mínimo, passamos pela Argentina em um jogo catimbado (2 a 1) e perdemos para Holanda por 2 a 0, que decidiu com a Alemanha a final da Copa. Terminamos em quarto, pois perdemos para a Polônia por 1 a 0, gol do excelente ponta-direita Lato (o artilheiro da Copa).
Acho que não existe pessoa que acompanhe o futebol que não tenha ouvido falar da seleção holandesa de 74. Ela entrou para o rol das melhores seleções da história das Copas do Mundo, juntamente com o escrete húngaro (Puskas) de 54 e a seleção brasileira de 70.
Curiosamente só o Brasil conseguiu ser campeão com uma seleção que encheu os olhos de todos. As outras duas seleções perderam para a Alemanha.
A Holanda, ou melhor, o Carrossel Holandês ou a Laranja Mecânica, encantou o mundo com um esquema tático que não guardava posições e uma implacável linha de impedimento que decretou o fim do jogo cadenciado sul-americano e dos jogadores com posições fixas em campo.
Sob a batuta do técnico Rinus Michel e a genialidade de Cruiff e Neeskens em campo, a Holanda triturou os adversários da primeira e segunda fases. Lembro do primeiro jogo deles contra os uruguaios, em que esses batiam cabeça e corriam atrás da bola feito cachorrinho em roda de bobinho.
Os holandeses saíram na frente aos 2 minutos de jogo na final e todos achavam que a nova taça já tinha dono. Mas do outro lado tinha a Alemanha com craques como Franz Beckenbauer, Gerd Muller, Overath e o incrível goleiro Sepp Maier, que fechou o gol no segundo tempo garantindo a vitória alemã por 2 a 1.
Um jogaço que entrou para a história como a melhor final de todas as Copas. Vale a pena rever.
A próxima Copa na Argentina quase colocou a Holanda no panteão das seleções ganhadoras de uma Copa, mas a trave, o atacante Mario Kempes e a ditadura militar portenha não deixaram. Conto outro dia.
EUA x China: O Xadrez Cambial
No site Investimentos e Notícias dessa semana, comento o recente anúncio do Banco Central chinês de retomar a política de flexibilização do yuan (ver artigo).
No jogo de xadrez do comércio internacional, americanos e chineses escolhem movimentos defensivos, repetitivos e pouco ousados, o que torna a partida arrastada e com final previsível.
No jogo de xadrez do comércio internacional, americanos e chineses escolhem movimentos defensivos, repetitivos e pouco ousados, o que torna a partida arrastada e com final previsível.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Recordações da Primeira Copa pela TV
Como todo brasileiro e apreciador do bom futebol, tenho assistido alguns jogos dessa Copa do Mundo mais sem graça que já tive a oportunidade de assistir.
Digo assistir pois a primeira de que me recordo, acompanhei no rádio quando tinha 9 anos.
Foi a Copa da Inglaterra e lembro muito bem do meu sofrimento ao escutar o narrador brasileiro aos berros reclamar de como Pelé era implacavelmente perseguido pelos portugueses, que distribuiam pontapés a vontade sem que o árbitro tomasse qualquer atitude (bem que Lucio poderia retribuir e dar umas bordoadas no metrossexual lusitano).
Se não me falha a memória futebolística, foi a primeira e única vez que não passamos para as oitavas em uma Copa do Mundo.
Pois bem, minha indignação durou 4 anos e só foi aplacada depois que Pelé, Tostão, Rivelino e claro, o botafoguense Jairzinho levaram definitivamente para o Brasil a Taça Jules Rimet (aquela mesma que seria derretida por essas bandas tropicais) depois de vencerem a Copa do México.
Foi a primeira Copa transtida ao vivo para o Brasil. Em preto e branco! Lembro de ter assistido a todos os jogos da Copa do México, sempre usando a mesma roupa (era lavada entre os jogos), sentando no mesmo sofá e celebrando com meus amigos de Colégio Andrews.
Bons tempos quando o futebol era realmente uma paixão e não um negócio. Quando sabíamos que os jogadores voltariam para os seus clubes de origem no Brasil e podíamos ter a chance de ir ao Maracanã ou Morumbi e vê-los em ação por nossos times.
Era a época de ouro de nosso futebol! A época de uma geração muito talentosa que deixa saudades em todos aqueles que tiveram o privilégio de assistir a uma geração de craques que encantaram o mundo.
Tão marcante que o porteiro hondurenho do prédio que me hospedei recentemente em NY, citou de cabeça a escalação do escrete canarinho de 70, não deixando de mencionar alguns reservas daquela seleção, como Paulo Cesar Caju, entre outros.
Digo assistir pois a primeira de que me recordo, acompanhei no rádio quando tinha 9 anos.
Foi a Copa da Inglaterra e lembro muito bem do meu sofrimento ao escutar o narrador brasileiro aos berros reclamar de como Pelé era implacavelmente perseguido pelos portugueses, que distribuiam pontapés a vontade sem que o árbitro tomasse qualquer atitude (bem que Lucio poderia retribuir e dar umas bordoadas no metrossexual lusitano).
Se não me falha a memória futebolística, foi a primeira e única vez que não passamos para as oitavas em uma Copa do Mundo.
Pois bem, minha indignação durou 4 anos e só foi aplacada depois que Pelé, Tostão, Rivelino e claro, o botafoguense Jairzinho levaram definitivamente para o Brasil a Taça Jules Rimet (aquela mesma que seria derretida por essas bandas tropicais) depois de vencerem a Copa do México.
Foi a primeira Copa transtida ao vivo para o Brasil. Em preto e branco! Lembro de ter assistido a todos os jogos da Copa do México, sempre usando a mesma roupa (era lavada entre os jogos), sentando no mesmo sofá e celebrando com meus amigos de Colégio Andrews.
Bons tempos quando o futebol era realmente uma paixão e não um negócio. Quando sabíamos que os jogadores voltariam para os seus clubes de origem no Brasil e podíamos ter a chance de ir ao Maracanã ou Morumbi e vê-los em ação por nossos times.
Era a época de ouro de nosso futebol! A época de uma geração muito talentosa que deixa saudades em todos aqueles que tiveram o privilégio de assistir a uma geração de craques que encantaram o mundo.
Tão marcante que o porteiro hondurenho do prédio que me hospedei recentemente em NY, citou de cabeça a escalação do escrete canarinho de 70, não deixando de mencionar alguns reservas daquela seleção, como Paulo Cesar Caju, entre outros.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Pesquisa Conveniente
Quer dizer que a pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) sobre "Hábitos de informação e formação de opinião da população barsileira" descobriu que 90 milhões de brasileiros (46,1%) lêem jornal diariamente?
Uau! Quero entender a mágica da multiplicação, pois recentemente a ANJ divulgou que em março circularam pelo país apenas 4,3 milhões de jornais pagos! Por esse número, cada jornal comprado é lido aproximadamente por 21 pessoas!
Mas se analisarmos algumas informações obtidas na pesquisa realizada com 12 mil brasileiros em 639 cidades, fica claro que a pesquisa foi muito bem orientada e serviu aos seus propósitos.
Primeiro convencer a todos que as verbas publicitárias do governo (que não sofrem nenhum contingenciamento) atingem a um enorme número de brasileiros, informando-os adequadamente sobre todos os esforços de nossos governantes em melhorar o país.
Não vejam aí nenhuma tentativa de comprar a imprensa ou coisa parecida, até porque como todo mundo sabe os meios de comunicação são tendenciosos e trabalham sempre contra o governo.
Aliás, coincidentemente a pesquisa alerta que "a maioria dos leitores desconfia da isenção e da imparcialidade dos meios de comunicação e ainda considera incompletas as informações por eles veiculadas".
Diante dos continuados esforços governamentais de passar a lei da mordaça contra a imprensa e de controlar os meios de comunicação, alguém realmente acredita que a pesquisa encomendada pelo governo mostraria alguma coisa contrária a isso?
Desculpem, mas tenho que sair para procurar as outras 17 pessoas que irão também ler meu jornal diário, antes de ser acusado de elitista.
Uau! Quero entender a mágica da multiplicação, pois recentemente a ANJ divulgou que em março circularam pelo país apenas 4,3 milhões de jornais pagos! Por esse número, cada jornal comprado é lido aproximadamente por 21 pessoas!
Mas se analisarmos algumas informações obtidas na pesquisa realizada com 12 mil brasileiros em 639 cidades, fica claro que a pesquisa foi muito bem orientada e serviu aos seus propósitos.
Primeiro convencer a todos que as verbas publicitárias do governo (que não sofrem nenhum contingenciamento) atingem a um enorme número de brasileiros, informando-os adequadamente sobre todos os esforços de nossos governantes em melhorar o país.
Não vejam aí nenhuma tentativa de comprar a imprensa ou coisa parecida, até porque como todo mundo sabe os meios de comunicação são tendenciosos e trabalham sempre contra o governo.
Aliás, coincidentemente a pesquisa alerta que "a maioria dos leitores desconfia da isenção e da imparcialidade dos meios de comunicação e ainda considera incompletas as informações por eles veiculadas".
Diante dos continuados esforços governamentais de passar a lei da mordaça contra a imprensa e de controlar os meios de comunicação, alguém realmente acredita que a pesquisa encomendada pelo governo mostraria alguma coisa contrária a isso?
Desculpem, mas tenho que sair para procurar as outras 17 pessoas que irão também ler meu jornal diário, antes de ser acusado de elitista.
A China em Greve: Como isso afeta o Mundo?
O artigo dessa semana no site Investimentos e Notícias é sobre o surgimento de um incipiente movimento grevista na China e suas consequências.
Com a China concentrando as atividades industriais do mundo, um aumento nos custos de produção terá impacto sobre as economias dos países desenvolvidos, muito dependentes dos produtos baratos que importam para manter baixa a inflação.
Por outro lado, o surgimento de um movimento organizado de trabalhadores em um país que proíbe qualquer tipo de associação sindical independente da patrocinada pelo governo, é algo que poderá ter reflexos políticos para a China no futuro.
Afinal qualquer dia desses, o anseio por mais liberdades democráticas de 1,5 bilhão de pessoas não mais poderá ser ignorado.
Com a China concentrando as atividades industriais do mundo, um aumento nos custos de produção terá impacto sobre as economias dos países desenvolvidos, muito dependentes dos produtos baratos que importam para manter baixa a inflação.
Por outro lado, o surgimento de um movimento organizado de trabalhadores em um país que proíbe qualquer tipo de associação sindical independente da patrocinada pelo governo, é algo que poderá ter reflexos políticos para a China no futuro.
Afinal qualquer dia desses, o anseio por mais liberdades democráticas de 1,5 bilhão de pessoas não mais poderá ser ignorado.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Linha do Tempo
Será que sou eu só, ou mais alguém tem essa sensação estranha de ao atravessar a linha do Equador no sentido norte-sul, estamos retrocedendo no tempo?
Essa sensação fica ainda mais clara depois da leitura do jornal do dia da chegada.
Parece que durante todo o período que ficamos fora do país nada acontece, nada muda. Em cada página de jornal, verificamos e constatamos quão medíocres são nossas ambições nacionais.
Ainda discutimos se fulano ou beltrano são neoliberais. Nos vangloriamos de só termos candidatos a presidência de esquerda. Comparamos governos para apontar qual o melhor como em um concurso de misses. Programa de governo para o futuro, nem pensar. A palavra de ordem é continuidade.
Aumentamos salários de aposentados e mais ainda para funcionários públicos em ano de eleições. Como pagar no futuro? Não importa, pois como já disse Nosso Guia, aumento de salário não é gasto e sim investimento.
Sob a visão distorcida da realidade, baseado no discurso enebriante de que nunca na história desse país se fez tanto (tanto o quê?), vamos perdendo as oportunidades de nos transformarmos em um país justo e desenvolvido de verdade.
Hoje vivemos na segregação que nos impõe o Governo entre aqueles que usufruem dos impostos cobrados daqueles que trabalham e produzem.
Os primeiros são os amigos, os camaradas e aqueles que recebem algum tipo de mesada que vão dar a eles os votos para que se perpetuem no poder.
Os demais são os otários.
Essa sensação fica ainda mais clara depois da leitura do jornal do dia da chegada.
Parece que durante todo o período que ficamos fora do país nada acontece, nada muda. Em cada página de jornal, verificamos e constatamos quão medíocres são nossas ambições nacionais.
Ainda discutimos se fulano ou beltrano são neoliberais. Nos vangloriamos de só termos candidatos a presidência de esquerda. Comparamos governos para apontar qual o melhor como em um concurso de misses. Programa de governo para o futuro, nem pensar. A palavra de ordem é continuidade.
Aumentamos salários de aposentados e mais ainda para funcionários públicos em ano de eleições. Como pagar no futuro? Não importa, pois como já disse Nosso Guia, aumento de salário não é gasto e sim investimento.
Sob a visão distorcida da realidade, baseado no discurso enebriante de que nunca na história desse país se fez tanto (tanto o quê?), vamos perdendo as oportunidades de nos transformarmos em um país justo e desenvolvido de verdade.
Hoje vivemos na segregação que nos impõe o Governo entre aqueles que usufruem dos impostos cobrados daqueles que trabalham e produzem.
Os primeiros são os amigos, os camaradas e aqueles que recebem algum tipo de mesada que vão dar a eles os votos para que se perpetuem no poder.
Os demais são os otários.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A Copa em NY
Não fosse pela enorme quantidade de pessoas vestindo camisas de futebol de diferentes países nas ruas de NY, dificilmente saberíamos que uma Copa do Mundo de futebol está em andamento.
Como por aqui metade da população é de estrangeiros, fica divertido ver a diversidade de cores, opiniões sobre favoritos, jogadores que não foram convocados, melhores times do passado, etc. Mesmo americanos estão se interessando mais por futebol, a ponto de alguns bares dedicados aos esportes locais como beisebol e hóquei, terem ficado lotados durante a partida contra a Inglaterra.
A trasmissão dos jogos matinais fica a cargo da ESPN (cabo), com o jogo da tarde sendo transmitido pela rede aberta ABC (ambos os canais pertencem a Disney). A maioria dos comentaristas são ex-jogadores, como o holandês Rudd Gullit e o americando Alexis Lalas.
A admiração pelo Brasil é grande. Afinal americanos gostam de campeões, com Pelé dando uma enorme contribuição para isso, depois de sua estelar passagem pelo NY Cosmos.
Como por aqui metade da população é de estrangeiros, fica divertido ver a diversidade de cores, opiniões sobre favoritos, jogadores que não foram convocados, melhores times do passado, etc. Mesmo americanos estão se interessando mais por futebol, a ponto de alguns bares dedicados aos esportes locais como beisebol e hóquei, terem ficado lotados durante a partida contra a Inglaterra.
A trasmissão dos jogos matinais fica a cargo da ESPN (cabo), com o jogo da tarde sendo transmitido pela rede aberta ABC (ambos os canais pertencem a Disney). A maioria dos comentaristas são ex-jogadores, como o holandês Rudd Gullit e o americando Alexis Lalas.
A admiração pelo Brasil é grande. Afinal americanos gostam de campeões, com Pelé dando uma enorme contribuição para isso, depois de sua estelar passagem pelo NY Cosmos.
domingo, 13 de junho de 2010
A Copa e a Bola
Depois de assistir a uma meia dúzia de peladas indignas de figurarem no Campeonato de Garçons jogado nas madrugadas no Aterro do Flamengo, fui obrigado a dar razão ao nosso técnico Dunga por ter convocado um bando de canelas duras para representar nossas cores.
Como a qualidade do futebol praticado até o momento é sofrível, incluindo seleções consideradas favoritas para estarem na final da Copa como Argentina e Inglaterra, temos grande chance de faturar mais um título.
Para tanto bastam algumas providências baseadas em observações dos primeiros jogos: nossos defensores não podem deixar o adversário chutar a gol e nossos atacantes devem chutar só bolas consideradas defensáveis para gol.
A bola da Adidas especialmente confeccionada para a Copa, se encarrega do resto.
Mas, se você gosta de teorias conspiratórias, aí vai a minha: a bola é teleguiada!
Toda vez que há um perigo iminente de gol ou um gol é necessário para esquentar a partida, basta um pequeno clique no mouse e a bola toma uma direção diferente.
Quem está controlando o mouse? Imagino que algum fabricante de video game.
Afinal sendo os EUA o maior consumidor deles, quem mais estaria interessado em dar ao time americano aquele gol contra os ingleses?
Como a qualidade do futebol praticado até o momento é sofrível, incluindo seleções consideradas favoritas para estarem na final da Copa como Argentina e Inglaterra, temos grande chance de faturar mais um título.
Para tanto bastam algumas providências baseadas em observações dos primeiros jogos: nossos defensores não podem deixar o adversário chutar a gol e nossos atacantes devem chutar só bolas consideradas defensáveis para gol.
A bola da Adidas especialmente confeccionada para a Copa, se encarrega do resto.
Mas, se você gosta de teorias conspiratórias, aí vai a minha: a bola é teleguiada!
Toda vez que há um perigo iminente de gol ou um gol é necessário para esquentar a partida, basta um pequeno clique no mouse e a bola toma uma direção diferente.
Quem está controlando o mouse? Imagino que algum fabricante de video game.
Afinal sendo os EUA o maior consumidor deles, quem mais estaria interessado em dar ao time americano aquele gol contra os ingleses?
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os Novos Árabes
Pelo menos na capital do mundo, a recessão passa ao largo.
Com lojas, teatros e restaurantes mais caros lotados, NY continua sendo o principal destino dos endinheirados (novos e antigos) do mundo.
Por todos os lugares brasileiros são cortejados como clientes VIP.
O cambio favorável nos transformou nos árabes do início do século XXI.
Qualquer coisa que compramos, quando convertida para reais, é muito mais barata se comparada com o quanto pagamos pelo mesmo produto ou serviço em casa.
A verdade é que está muitíssimo caro viver no Brasil.
Com lojas, teatros e restaurantes mais caros lotados, NY continua sendo o principal destino dos endinheirados (novos e antigos) do mundo.
Por todos os lugares brasileiros são cortejados como clientes VIP.
O cambio favorável nos transformou nos árabes do início do século XXI.
Qualquer coisa que compramos, quando convertida para reais, é muito mais barata se comparada com o quanto pagamos pelo mesmo produto ou serviço em casa.
A verdade é que está muitíssimo caro viver no Brasil.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Disciplina Fiscal do G-20
No artigo dessa semana para o site Investimentos e Notícias, "Disciplina Fiscal do G-20: Valeu pela Intenção", comento o comunicado final da reunião do G-20 ocorrida no último final de semana na Coréia do Sul.
A recomendação aos seus países membros de dar fim dos estímulos fiscais e adotar a disciplina fiscal como único sustentáculo do crescimento econômico de longo prazo, não deverá valer no curto prazo, para EUA e China.
Com economias enfrentando diferentes situações, ambos precisam de incentivos pontuais seja para retomar (EUA) ou manter (China) o crescimento.
A recomendação aos seus países membros de dar fim dos estímulos fiscais e adotar a disciplina fiscal como único sustentáculo do crescimento econômico de longo prazo, não deverá valer no curto prazo, para EUA e China.
Com economias enfrentando diferentes situações, ambos precisam de incentivos pontuais seja para retomar (EUA) ou manter (China) o crescimento.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
A Imagem e a Palavra Escrita
Somos uma nação de semiletrados e de desinformados. Explico por quê.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2009 sobre alfabetização, somente 25% dos adultos alfabetizados consegue entender o que está lendo. Isso mesmo. Apenas 1 em cada 4 brasileiros seria capaz de entender esse comentário que agora você lê.
Pode parecer pouco importante no desenvolvimento do Brasil, especialmente agora que estamos crescendo à taxa de 6% ou mais ao ano, mas a falta de capital humano nos condenará no futuro a períodos de baixo crescimento. O artigo de Gustavo Ioschpe, publicado na edição de Veja de 14 de abril do corrente ano, analisa muito bem a importância do capital humano para o crescimento sustentado e duradouro dos países.
Reportagem recente publicada em "O Globo" respondia precisamente a uma questão levantada por amigos durante um jantar no início do mês passado, quando tentávamos estimar a circulação diária de jornais no Brasil.
Como não desconfiava do número mas intuía que era baixo, "chutei" uns 2 milhões. Logo me dei conta que tinha errado, pois ao mentalmente dividir meu palpite pela população brasileira, concluí que não haveria só 1% de leitores entre nós.
Segundo a reportagem do jornal, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), responsável pelo cálculo de circulação, lemos um total diário de uns 4,3 milhões de jornais em março de 2010, ou pouco mais de 2,2% se considerada a nossa população atual.
Busquei informações similares para outros países e encontrei estatísticas para o ano de 2007 no site da World Association of Newspapers (WAN).
Na China a circulação diária de jornais pagos chega a 107 milhões (8,1% da população). Na Índia são 99 milhões de jornais (8,8% da população). No Japão circulam 58 milhões de jornais, mesma ordem de grandeza dos EUA (51 milhões). Mas esse número representa 47,1% da população japonesa contra 16,7% da população ameircana.
Em outro ranking compilado pela WAN para o ano de 2006, ocupamos o posto de número 102, considerando a circulação média em relação a população adulta.
Não considerando países desenvolvidos (como EUA e Japão) e comparando somente com os outros países participantes dos BRIC's (China e Índia) com suas enormes populações que as levam a ter renda per capita inferior à brasileira, o percentual das suas populações que lê jornal é 4 vezes superiores ao do Brasil!
Dizer que os brasileiros deixaram de ler jornais impressos porque fazem a leitura na Internet, não é um argumento válido uma vez que o mesmo princípio se aplicaria para todos os países, especialmente os ricos. O mesmo se aplica aos telejornais.
Essa situação brasileira só encontra explicação na nossa baixa escolaridade e na dificuldade de entendimento de textos.
Fica mais claro ainda quando confrontado com o total desprezo do nosso atual presidente que se vangloria de nunca ter lido um livro inteiro, de não ter tempo para a leitura dos jornais, que foge de entrevistas coletivas e apenas se dedica a vociferar diariamente em palanques, eventos e inaugurações quando não pode ser contestado.
Logo não causa espanto a recente opção governamental em aplicar à Educação o maior contingenciamento orçamentário entre todos os Ministérios, enquanto as verbas para as propagandas oficiais permanecem intactas.
Afinal pela aritmética rasteira e eleitoral dos nossos governantes, a imagem de uma placa diante de uma promessa de obra para a população, vale muito mais do que qualquer palavra impressa num pedaço de papel que muito poucos lêem.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2009 sobre alfabetização, somente 25% dos adultos alfabetizados consegue entender o que está lendo. Isso mesmo. Apenas 1 em cada 4 brasileiros seria capaz de entender esse comentário que agora você lê.
Pode parecer pouco importante no desenvolvimento do Brasil, especialmente agora que estamos crescendo à taxa de 6% ou mais ao ano, mas a falta de capital humano nos condenará no futuro a períodos de baixo crescimento. O artigo de Gustavo Ioschpe, publicado na edição de Veja de 14 de abril do corrente ano, analisa muito bem a importância do capital humano para o crescimento sustentado e duradouro dos países.
Reportagem recente publicada em "O Globo" respondia precisamente a uma questão levantada por amigos durante um jantar no início do mês passado, quando tentávamos estimar a circulação diária de jornais no Brasil.
Como não desconfiava do número mas intuía que era baixo, "chutei" uns 2 milhões. Logo me dei conta que tinha errado, pois ao mentalmente dividir meu palpite pela população brasileira, concluí que não haveria só 1% de leitores entre nós.
Segundo a reportagem do jornal, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), responsável pelo cálculo de circulação, lemos um total diário de uns 4,3 milhões de jornais em março de 2010, ou pouco mais de 2,2% se considerada a nossa população atual.
Busquei informações similares para outros países e encontrei estatísticas para o ano de 2007 no site da World Association of Newspapers (WAN).
Na China a circulação diária de jornais pagos chega a 107 milhões (8,1% da população). Na Índia são 99 milhões de jornais (8,8% da população). No Japão circulam 58 milhões de jornais, mesma ordem de grandeza dos EUA (51 milhões). Mas esse número representa 47,1% da população japonesa contra 16,7% da população ameircana.
Em outro ranking compilado pela WAN para o ano de 2006, ocupamos o posto de número 102, considerando a circulação média em relação a população adulta.
Não considerando países desenvolvidos (como EUA e Japão) e comparando somente com os outros países participantes dos BRIC's (China e Índia) com suas enormes populações que as levam a ter renda per capita inferior à brasileira, o percentual das suas populações que lê jornal é 4 vezes superiores ao do Brasil!
Dizer que os brasileiros deixaram de ler jornais impressos porque fazem a leitura na Internet, não é um argumento válido uma vez que o mesmo princípio se aplicaria para todos os países, especialmente os ricos. O mesmo se aplica aos telejornais.
Essa situação brasileira só encontra explicação na nossa baixa escolaridade e na dificuldade de entendimento de textos.
Fica mais claro ainda quando confrontado com o total desprezo do nosso atual presidente que se vangloria de nunca ter lido um livro inteiro, de não ter tempo para a leitura dos jornais, que foge de entrevistas coletivas e apenas se dedica a vociferar diariamente em palanques, eventos e inaugurações quando não pode ser contestado.
Logo não causa espanto a recente opção governamental em aplicar à Educação o maior contingenciamento orçamentário entre todos os Ministérios, enquanto as verbas para as propagandas oficiais permanecem intactas.
Afinal pela aritmética rasteira e eleitoral dos nossos governantes, a imagem de uma placa diante de uma promessa de obra para a população, vale muito mais do que qualquer palavra impressa num pedaço de papel que muito poucos lêem.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Regulação dos Mercados: a Busca do Equilíbrio
O assunto dessa semana na minha coluna no site "Investimentos e Notícias" é a aprovação da lei que irá regular os agentes financeiros nos EUA. (ver artigo).
Como sempre os americanos sairam na frente dos seus colegas europeus, mas a cautela da turma do euro tem sua razão de ser. Com seu sistema financeiro sob a desconfiança geral, talvez não seja a hora de apertar ainda mais o cinto.
O impacto da nova lei, certamente representará uma redução de lucros e diminuição na oferta de crédito por parte dos bancos americanos para empresas e indivíduos.
Se lei semelhante for aprovada para a União Européia, o impacto negativo sobre a sua já combalida economia poderá ser enorme.
Como sempre os americanos sairam na frente dos seus colegas europeus, mas a cautela da turma do euro tem sua razão de ser. Com seu sistema financeiro sob a desconfiança geral, talvez não seja a hora de apertar ainda mais o cinto.
O impacto da nova lei, certamente representará uma redução de lucros e diminuição na oferta de crédito por parte dos bancos americanos para empresas e indivíduos.
Se lei semelhante for aprovada para a União Européia, o impacto negativo sobre a sua já combalida economia poderá ser enorme.
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