segunda-feira, 31 de maio de 2010

Números que Preocupam

Ouvi na CBN na semana passada um dado que me pareceu assustador: no ano passado o Brasil formou 30 mil engenheiros contra 80 mil da Coréia do Sul.

Como percentual da população esse número é ainda mais preocupante: Brasil forma em Engenharia 0,0156% de sua população enquanto a Coréia 0,16%, ou seja, 10 vezes mais do que o Brasil relativamente (só para ter uma base de comparação, a renda per capita da Coréia é 2,5 vezes superior a do Brasil).

Fiquei curioso e com a ajuda do Google cheguei ao último resultado disponível do PISA realizado em 2006 (os resultados do teste de 2009 só estarão disponibilizados a partir de dezembro de 2010) e os números não só falam por si como explicam esse abismo tecnológico entre nós e os coreanos.

O PISA (Programme for International Student Assessment) para quem não conhece é um teste aplicado nas áreas de ciências e matemática para aos estudantes com idade em torno de 15 anos dos países membros da OCDE e para países convidados (O Brasil é convidado e a Coréia membro).

Para ir direto ao ponto peguei 2 informações: o percentual total de alunos que se situavam abaixo da média e o percentual de alunos que se encontravam no topo superior em ciências e matemática. Os resultados falam por si:

- Ciências: Brasil tem 84,8% abaixo da média e no topo ZERO. Coréia tem 32,4% abaixo da média, com 1,1% no topo.

- Matemática: Brasil tem 80,8% abaixo da média, com 1,1% no topo. Coréia tem 18,3% abaixo da média, com 21,7% no topo.

Essa disparidade nos resultados pode ser explicada perfeitamente pelas opções que cada um dos países fez com relação aos seus modelos educacionais.

Nos últimos 40 anos a Coréia investiu prioritariamente no ensino fundamental e médio, enquanto o Brasil concentrou seus poucos recursos nas universidades federais públicas cuja produção acadêmica não criou nenhuma enorme vantagem tecnológica para o país.

Só teremos alguma vantagem no setor de biocombustíveis e na exploração de petróleo em águas profundas? Sem desenvolvimento tecnológico, estamos condenados a ser um país exportador de commodities?

Claro que a exploração do pré-sal (se concretizada) com todo o investimento na sua cadeia de produção e a expansão de nossas fronteiras agrícolas com o aumento da produtividade do campo, poderão sustentar nosso crescimento por mais alguns anos.

E o que nos reserva o futuro? Não seria muito melhor para todos nós, se estivéssemos em condições de, um dia quem sabe, sermos o país dos cientistas que descobriram como mover carros enchendo o tanque com um copo de água?

Se não intensificarmos agora o ensino de ciências e matemática em nossas crianças, o abismo tecnológico que nos separa dos países desenvolvidos apenas aumentará.

sábado, 29 de maio de 2010

Chamem o Blade Runner!

Quando li na semana passada a notícia de que tinha sido criada uma bactéria a partir de um DNA projetado por computador, imediatamente me bateu a sensação de que temos que chamar Blade Runners (policiais especializados em identificar replicantes fujões) para "aposentar" alguns que estão tentando manipular o seu código genético e burlar o tempo limite que lhes foi imposto por seus criadores de laboratório.

Eu sei que parece precipitado e um tanto distante a realidade da ficção. Afinal, foi apenas uma bactéria! Para a partir de uma bactéria se criar uma réplica perfeita de um ser humano inteiro como preconizados no genial filme de ficção científica de Ridley Scott, muita pesquisa, tempo e dinheiro serão necessários.

Mas o primeiro passo foi dado e por conseguinte, estamos livres para especular.

Na minha avaliação esses experimentos genéticos já começaram há algum tempo. E digo com convicção que já temos vários exemplares de replicantes andando entre nós. E pior, governando países.

Cito alguns exemplos só para ficar nas proximidades. Alguém duvida que o bolivariano Hugo Chavez é uma combinação dos genes de Fidel Castro com Champolin? Evo Morales é ou não é, fruto da manipulação genética de um cantor de bolero com o cacique Juruna? E Nestor Kirchner? Fácil, Garibaldo de Vila Sésamo com o Pinguim, inimigo do Batman.

Os mais apressados vão alegar que se eles são mesmo replicantes, por que ainda continuam entre nós? Os replicantes não têm prazo de validade?

Isso é facilmente explicável pelas manobras que sistematicamente praticam para prolongar suas existências que combinam populismo barato com inúmeros plebiscitos para se perpetuarem no poder.

Recomendo o filme Blade Runner para quem gosta do gênero. Para mim, a melhor parte do filme é a fala do replicante Roy diante da inevitabilidade da morte quando salva seu carrasco (Deckard, o Blade Runner interpretado por Harison Ford):

"I've seen things you people wouldn't believe.
Attack ships on fire off the shoulder of Orion.
I watched c-beams ... glitter in the dark near Tanhauser Gate.
All those ... moments will be lost ... in time, like tears ... in rain.

Time ... to die".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Inveja é uma M....!

A declaração conjunta do presidente Lula e do primeiro ministro turco Erdogan, de que o acordo que eles conseguiram extrair em apenas 15 minutos de negociação com o companheiro Ahmadinejad, está matando de inveja os EUA, caiu como uma revelação para mim.

Passei boa parte do dia pensando como estariam Obama e Hillary se sentindo agora que esses dois novos paladinos da justiça, Lula e Erdogan, desnudaram a razão do por que da insistência de novas sanções contra o Irã, mesmo após o anúncio do maravilhoso acordo intermediado por eles.

Simples. Porque no fundo eles não passam de uns invejosos. Isso mesmo, por inveja eles não ratificam o acordo, colocando um ponto final nessa discussão chata e cansativa que já se arrasta a um tempão.

Para acabar logo com esse assunto, Lula poderia passar a mão no telefone e ligar envocado (lembra de quando ele acordava no meio da noite para falar com o Bush) para seu colega americano e bem ao seu estilo falar as verdades que precisam ser ditas:

"Companheiro Obama, fala para essa senhora Clinton, que vive em permanente TPM, para mudar o disco! Essa vocês perderam!"

E aproveitando o ensejo, poderia arrematar a conversa dando uns 15 dias de colher de chá para os americanos resolverem de uma vez o conflito do Oriente Médio antes da sua intervenção pessoal.

Fiquei pensando nas inúmeras razões para os americanos terem inveja dos brasileiros e cheguei a uma extensa lista. Só para começar: nossa caipirinha com a cuba libre deles, carnaval do Rio com Mardi Gras de New Orleans, praia de Ipanema com Brighton Beach em NY, estátua da Liberdade com Cristo Redentor! É covardia!

Isso sem falar no futebol. A foto dos dois presidentes com as suas respectivas seleções de futebol antes da viagem para a África do Sul já diz tudo.

Deve ser duro mesmo para Obama pensar nas 5 estrelinhas que enfeitam a camisa da seleção canarinho contra nenhuma do seu modesto esquadrão.

É realmente de matar de inveja.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Steve Jobs x Bill Gates

Computadas as cotações de fechamento de ontem das ações das duas empresas, o valor de mercado da Apple (US$ 222 bi) superou o da Microsoft (US$ 219 bi) tornando a empresa de Steve Jobs a mais valiosa do mundo tecnológico.

O mercado soube recompensar Jobs por todas as inovações tecnológicas dos últimos 5 anos trazidas pela sua empresa através da funcionalidade de seus "gadgets" e a integração entre seus diversos produtos.

Mesmo para aqueles que não usam ou gostam do IMac, Ipod, Iphone e agora do Ipad, não se pode ignorar seus designs revolucionários, o uso amigável de seus softwares (e.g., Itunes), a fácil integração entre todos esses aparelhos e a mudança de patamar na interação entre usuários e seus aparelhos causadas pela disponibilização da Apple do código que permitiu o surgimento de dezenas de milhares de aplicativos.

Esse pequeno movimento da Apple proporcionou o nascimento de uma indústria, quando um sem número de desenvolvedores de software passaram a oferecer através desses aplicativos, muitas vezes gratuitamente, serviços e informações no seu celular.

Dentre os inúmeros aplicativos, gosto muito de um que identifica a música quando você cantarola um refrão (basta um lá-lá-lá no ritmo certo) ou digita um trecho da letra. O aplicativo indica o cantor, compositor e claro, oferece a possibilidade de baixar a música no Itunes.

Vítima de seu próprio gigantismo, dado que 90% de todos os computadores nesse pequeno planeta azul utilizam alguma versão de seus sistemas operacionias, o pessoal de Bill Gates não viu essa revolução ocorrer e continuaram a desenvolver sistemas pesados com problemas que irritavam seus usuários, favoreciam o surgimento de vírus, travavam e outros "glitches".

Parece que o pessoal da Microsoft ao não se sensibilizar aos apelos de seus usuários por mais amigabilidade por parte de seus produtos, não seguiu os ensinamentos daquela canção do nosso saudoso Raul Seixas:

"Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter a aquela velha opinião formada sobre tudo"

Minha sugestão é que eles procurem a genial interpretação do nosso rei do rock no Itunes.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Geografia da China: o Abraço do Dragão

Na coluna dessa semana no site Investimentos e Noticias volto ao tema do avanço chinês com o artigo "A Geografia da China: o Abraço do Dragão".

Tomando por base o excelente ensaio de Robert Kaplan publicado no último número da Foreign Affairs (maio/junho), fica mais fácil entender os recentes movimentos estratégicos dos chineses pela América do Sul para assegurar as matérias primas necessárias para o seu crescimento.

A inevitável expansão do seu poderio militar naval é uma consequência natural de sua estratégia de garantir o transporte marítimo de seu comércio, ao mesmo tempo que procura diminuir a influência americana na Ásia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Rato que Ruge

Não haverá conflito armado entre as duas Coréias apesar da retórica belicista do decrépito líder norte-coreano e de seus militares.

A reação sul-coreana era esperada apesar de tardia, uma vez que o navio foi torpedeado dois meses atrás. Ninguém precisava fazer investigações por tanto tempo para saber que os responsáveis foram "the usual suspects".

Americanos rapidamente endossaram seu apoio aos aliados e a China, como sempre, está sendo lenta em condenar a atitude de seus amigos na península.

Tudo muito previsível dentro do padrão usual de comportamento da totalitária republiqueta. Para chamar a atenção, eles afundam navios, detonam artefatos nucleares, ameaçam os vizinhos, hackeam computadores no ocidente, etc.

E mais uma vez diante da ameaça, os ocidentais sentam à mesa e acertam um novo pacote de ajuda humanitária, ou o envio de alguma celebridade para uma foto oficial ao lado do pequeno ditador.

O título do post é uma homenagem ao genial comediante Peter Sellers na comédia, O Rato que Ruge, quando uma diminuta monarquia européia declara guerra aos EUA e inesperadamente acaba ganhando o conflito quando um artefato nuclear vai parar em suas mãos.

Diante da inesperada vitória, todos os valentes soldados vestidos de armaduras medievais, não sabem o que pedir. Impagável.

domingo, 23 de maio de 2010

Atropelando por Fora

A oposição atribui ao programa de televisão do partido do Presidente, a subida nas pesquisas da pré-candidata oficial do governo que a deixou empatada com Serra na corrida presidencial, ambos 37% das intenções de votos, segundo o Datafolha.

A pesquisa Datafolha mostra o crescimento de Dilma em qualquer que seja o critério: por região, sexo, renda, nível de educação, etc. Até entre aqueles que consideram o governo Lula ruim ou péssimo ela cresceu e Serra perdeu alguns pontinhos.

Seria então o caso de perguntar aos coordenadores da campanha de Serra, como eles acham que serão as pesquisas próximas às eleições, com Dilma tendo maior tempo de TV do que todos os outros candidatos e contando com a presença de Lula sem os constrangimentos atuais (se é que para ele há algum) que a legislação eleitoral lhe impõe?

Isso sem falar nos comícios de final de semana, quando Lula estará à vontade para falar diretamente ao povo (o que ele faz como nenhum outro) nos palanques a serem montados pelos partidos de sua base por todo o país.

Se levado para o jargão turfista, o desempenho de Dilma nessa pesquisa seria equivalente a de uma "forte atropelada por fora antes da grande curva que leva a reta final".

A candidatura oficial caminha a passos largos para colocar vários corpos de vantagem em cima do segundo colocado e cruzar o disco sem a necessidade de um tira-teima de segundo turno.

A oposição precisa gerar um fato político de grande impacto junto ao eleitorado se quiser neutralizar a arrancada de Dilma.

sábado, 22 de maio de 2010

O Avanço Chinês

Depois de invadir a África com financiamentos com prazos de pagamento dilatados (40 anos), mão-de-obra barata (condenados chineses que moram em containers em navios atracados nos portos) e projetos de infra-estrutura que atendem seus próprios interesses, a China começa a desembarcar na América do Sul.

Com dinheiro em caixa e a necessidade de manter o fluxo contínuo de suprimento das commodities consideradas estratégicas para o seu crescimento (petróleo, minérios e comida), os chineses estão se tornando sócios de empresas produtoras por essas bandas.

Primeiro foi o investimento de US$ 20 bilhões na Venezuela de Hugo Chávez para exploração dos novos campos na rica província do Orinoco, e agora a aquisição por US$ 3 bilhões de 40% em um campo petrolífero na Bacia de Campos. Isso uma semana depois de terem adquirido por US$ 1 bilhão, sete empresas de transmissão de energia no Brasil.

Até aí nada demais. Mas gostaria de chamar a atenção para o artigo sobre a expansão do poderio naval chinês publicado pelo NYT no dia 23 de abril.

O artigo chama a atenção para uma conversa reservada ocorrida em março último quando oficiais da Marinha chinesa informaram aos seus equivalentes americanos que não mais permitirão interferências estrangeiras no Mar do Sul da China.

Muito embora a intenção dos chineses não seja a de confrontar militarmente os americanos num futuro próximo, parece claro que querem tomar para si a responsabilidade de proteger seu comércio e seus interesses em águas internacionais.

Logo se um dia nos depararmos não com a 5ª frota americana, mas com uma esquadra chinesa "tomando conta" de seus investimentos no Atlântico Sul, ninguém vai ficar com cara de espanto.

Era só ter lido alguns jornais da época.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Sofá na Sala

Acho que todo mundo conhece aquela piada sobre a mãe que vai reclamar com o marido que está com problemas com a filha, desconfiada que ela mantem relações com o namorado no sofá da sala. O pai não pensa duas vezes e retira o sofá da sala.

Ontem a Chanceler Merkel, diante das recentes quedas do mercado alemão, agiu como o pai da piada e proibiu um tipo de venda a descoberto no mercado de ações por considerá-la favorável aos especuladores.

Ou seja, diante do problema maior de falta de credibilidade da moeda e de perspectivas econômicas sombrias para a zona do euro, Merkel adotou uma medida inócua e desnecessária.

Primeiro porque essa medida não reverte nenhuma tendência de queda no mercado. O mercado apenas reflete as expectativas futuras dos investidores com relação ao lucro das empresas e ao desempenho da economia. Convenhamos as perspectivas na Europa para ambos não são nada boas.

Segundo porque ao anunciar medidas unilaterais em um momento em que o mercado espera discurso unificado e ações coordenadas dos dirigentes europeus, a decisão isolada de Merkel apenas acentua a desconfiança geral de que cada um está mais preocupado com seu umbigo.

Por último, fica a leitura do mercado de que se precisam contingenciar o mercado desligando instrumentos que facilitam a venda de ações, muito provavelmente é porque a situação é muito pior do que se imagina.

Não é de espantar portanto, a queda do mercado ontem e sua continuação hoje.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Nós" e "Vocês"

Muito bem analisado pelo antropólogo Roberto da Matta, em seu artigo de hoje em O Globo, sobre a afirmativa do líder do governo no Senado, Romero Jucá, de que o Projeto Ficha Limpa é uma iniciativa da sociedade e não do governo.

O antropólogo coloca com muita propriedade que a preferência do Senador confirma a "separação radical" vigente entre o Estado provedor ("nós") e a sociedade brasileira pagadora de impostos que sustenta a colossal máquina de barganhas e de ineficiências que constitui o atual Estado brasileiro ("vocês").

Do ponto de vista governista, prioritário é o pré-sal na qualidade de projeto de redenção nacional, que não pode ser atrasado, questionado ou sequer colocado para trás diante de uma demanda da sociedade por um mínimo de decência na política.

O pré-sal, afinal de contas, representa mais recursos na mão de políticos, mais cargos para os aliados em novas estatais e mais benesses assistencialistas para a população, acelerando nosso destino de num futuro não tão distante assim, nos tonarmos a próxima Grécia ou Portugal.

Tudo isso regado, é claro, ao discurso eleitoral do "nós" reparadores das injustiças sociais que "vocês" das elites impuseram ao sofrido povo brasileiro desde o momento que o primeiro europeu colocou os pés em nosso imaculado território.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Com o Euro no Radar

Minha coluna dessa semana no site Investimento e Notícias intitulada "Com o Euro no Radar" explora o impacto da recente desvalorização do euro e de como o mercado financeiro está reagindo a "dança" da moeda européia.

Timing Perfeito

Além de um cenário econômico altamente favorável com a economia crescendo a 7% ao ano, 3 milhões de novos empregos criados e ainda o Bolsa Miami realizando o sonho de todo brasileiro conhecer a Disney, não se pode deixar de considerar a probabilidade de um evento para o qual os candidatos de oposição não contam.

Se os céus conspirarem e essa idéia de Lula candidato ao Nobel da Paz prosperar, o timing eleitoral não poderia ser o mais adequado a pré-candidata do Governo.

O processo de indicação e o anúncio do ganhador aconterão exatamente entre o primeiro e o segundo das eleições presidenciais.

Será que Serra deveria levantar logo essa bandeira para neutralizar essa possibilidade?

O problema é fazer isso sem endossar a confusa política externa brasileira, que ao procurar um maior papel de mais influência para o país no cenário internacional, abraça ditadores e confunde aliados pelo mundo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Acordo no Irã e o PAC

Como um projeto do PAC com palanque para todos, fotos e discursos emocionados de que a diplomacia venceu a força, foi anunciado o acordo entre Irã, Brasil e Turquia com relação ao programa nuclear iraniano.

Mas como toda boa obra inacabada do PAC brasileiro, o acordo já nasce condenado a se tornar um "imbroglio".

Para ter validade o Irã impôs que EUA, Rússia, Inglaterra, França, Alemanha e China concordem com o acordo. Além disso, o fato de o Irã trocar combustível pobre por material enriquecido na Turquia, não impedirá a continuação do programa de enriquecimento de urânio a 20% dentro do território iraniano, como disse Ali Akbar Salehi, diretor da Organização de Energia Atômica do Irã.

Como essa era a principal demanda dos países favoráveis às sanções, fica claro que a estratégia do Irã é de ganhar tempo. Porém do ponto de vista da diplomacia brasileira alguns objetivos foram plenamente alcançados.

Primeiro embaraça os EUA sempre visto como beligerante, especialmente se insistirem em aplicar sanções econômicas contra o Irã diante do acordo. Segundo o Brasil passa a ser visto como importante mediador em questões internacionais representado por seu "carismático" Presidente. Por fim, se nada der certo, a culpa sempre será dos outros.

Acho que o Nobel da Paz para Lula ficou mais longe, uma vez que o Irã não abriu mão de suas ambições nucleares. Mas para o público interno, as fotos do retirante nordestino tentando mudar o curso da história, tem lá o seu valor.

domingo, 16 de maio de 2010

Lula e o Irã

Não compartilho da opinião dos mais ácidos críticos de Lula de rotular a sua viagem ao Irã como sendo um amadora ou ingênua.

Sinceramente não acho que o presidente brasileiro está indo à Teerã em busca de uma carta de intenção dos Aiatolás e de Ahmadinejad afirmando que eles concordam em enriquecer urânio fora do Irã, que vão permitir inspeções da AIEA, etc.

Isso seria muita ingenuidade da parte de Lula, que como todos sabem, de ingênuo não tem nada.

Esse é apenas mais um movimento do atual governo brasileiro de fazer um contraponto aos países desenvolvidos e marcar posição como representante dos países emergentes, dentro do objetivo maior de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança de ONU.

O que Lula quer mostrar ao mundo é que ele (e todos os brasileiros habitantes desse imenso país que sempre conviveu pacificamente com seus vizinhos) acredita no diálogo como arma de persuação no lugar de sanções econômicas, citando como exemplo típico da falta de entendimento das nações, a guerra do Iraque.

Nesse sentido Lula está confortável no chamado "win or win game". Se não conseguir nenhuma colaboração por parte de Teerã, poderá sair de cena confortavelmente bradando aos sete ventos que tentou o diálogo. O dano à sua imagem será pequeno ou nenhum.

Lula está em fim de mandato, e convenhamos para quem fuma charuto com os irmãos Castro no mesmo dia que morre por greve de fome um preso político cubano, o "fracasso" iraniano nada representa quando comparado à grande exposição na mídia internacional que sua viagem gerou.

Por outro lado, caso consiga o inimaginável, coloca o Brasil muito perto do sonhado assento no Conselho de Segurança, ao mesmo tempo que Lula vira sério candidato a Secretário-Geral da ONU, com reais possibilidades de ver seu nome incluído na relação de candidatos ao Nobel da Paz deste ano.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Longe Demais

Não se pode comparar a trajetória política de Nelson Mandela com nenhum político vivo ou morto nos últimos 100 anos.

Colocar no mesmo nível a luta de uns poucos que pegaram em armas contra a ditadura militar brasileira, com quem lutou contra a opressão do brutal regime de apartheid sul-africano, é ir longe demais.

Por respeito a biografia de Mandela e de outros, é preciso manter as comparações dentro da fronteira brasileira.

Mesmo porque se comparada a dos outros pré-candidatos ao pleito presidencial, a biografia da pré-candidata oficial é muito inferior.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Coluna Semanal

A partir de hoje passo a assinar a coluna semanal "O Mundo e Você" no site Investimentos e Notícias.

O título da primeira coluna é "A Europa na Berlinda", um tema bastante recorrente esses dias nos meios de comunicação e que tem sido bastante comentado aqui no blog.

O Toureiro Zapatero

Apesar de particularmente não nutrir nenhum entusiasmo por touradas, nunca deixei de admirar a coragem dos "valientes" da arena em enfrentar um tresloucado touro, pesando cerca de meia tonelada, vindo em sua direção à toda velocidade, provavelmente muito irritado por estar sendo ridicularizado na frente de uma multidão por um sujeito vestido com uma roupa muito pequena para o seu tamanho.

E pior, acenando furiosamente um pedaço de pano vermelho quando o mais indicado para a ocasião seria um fuzil ou algo parecido!

Pois é, exatamente essa imagem que tenho quando penso na coragem do Primeiro Ministro Zapatero em anunciar uma série de medidas para reduzir o explosivo déficit fiscal espanhol que vão desde congelamento de aposentadorias, redução de 5% nos salários dos servidores civis da ativa, contingenciamento de investimentos públicos, cortes em remédios, bolsa nascimento, etc (faltou apenas criar uma taxa adicional a ser paga pelos tenistas espanhóis que vencerem em quadras de saibro).

Com uma persistente taxa de desemprego em torno de 20%, instituições financeiras insolventes desde o fim do boom imobiliário local e uma perda de competitividade crônica de sua economia, o custo político e social de tais medidas será enorme.

Nesse momento a torcida espanhola nas arquibancadas é totalmente favorável ao touro.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Solução Rápida à Inglesa

No arranjo entre Conservadores e Liberais Democratas na Grã-Bretanha prevalesceu o respeito a mensagem clara que veio dos eleitores encerrando o ciclo Trabalhista na Inglaterra.

Apesar dos riscos da coalizão (a primeira desde o fim da 2ª Guerra Mundial) formada entre dois partidos tão diferentes, o arranjo final dando ao Partido Liberal Democrata cinco ministérios incluindo o cargo de vice primeiro-ministro para Nick Clegg, é uma solução rápida para resolver o impassse político resultante da falta de maioria que veio das urnas.

Na verdade os Trabalhistas, responsáveis pelo maior déficit fiscal da história, é que deveriam arcar agora com os custos políticos dos ajustes necessários para colocar a economia inglesa de novo nos trilhos.

Mas pelo visto os britânicos não os julgaram capazes de ministrar os duros cortes orçamentários e os aumentos de impostos necessários para esse fim.

Tomara que nas próximas eleições eles se lembrem do pessoal da faxina e não daqueles que organizaram a festa com dinheiro emprestado bem acima da sua capacidade de pagamento.

Keynes x Hayek

Recebi de um colega da FGV, link para um video contendo o debate hipotético entre Keynes e Hayek, que tomo a liberdade de reproduzir aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=2iIOZUWbdP8

Trata-se da exposição das idéias dos dois economistas, Keynes (intervencionista) contra Hayek (liberal), em ritmo de rap.

Imperdível!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Golfo do México e Pré-Sal

Já se passaram quase 3 semanas e o vazamento de petróleo no Golfo do México continua. Várias tentativas de conte-lo estão em curso mas sem sucesso. Um enorme cone projetado para ser colocado em cima do vazamento e recolher o óleo falhou. A tubulação por onde seria recolhido o petróleo entupiu. Um novo cone será lançado ao mar hoje na expectativa de que o problema não se repita e a mancha de óleo possa ser contida.

Além do desastre ambiental local, que já ameaça a vida marinha e os ricos bancos de ostras da Lusiânia, a mancha de óleo pode atingir a costa oeste da Flórida, prejudicando seu turismo às vésperas do verão americano, podendo chegar ao Oceano Atlântico e a costa leste americana via corrente do Golfo. Uma enorme dor de cabeça para Obama que recentemente autorizou a perfuração de novos poços marítimos contrariando ambientalistas americanos.

Como o problema do Golfo do México nos afeta? Diretamente em nada uma vez que as correntes do Golfo não passam por nossas costas. Entretanto estamos no início da exploração de petróleo na camada do pré-sal no Brasil em profundidades bastante superiores à do Golfo do México, e não podemos ignorar as possibilidades de um desatre semelhante por aqui.

Estaremos lidando com uma operação muito mais complicada do ponto de vista de engenharia e logística, tanto para a retirada do petróleo como a correção de eventuais problemas.

Em véspera de eleições e com o pré-sal tendo tratamento de plataforma eleitoral, fica difícil um debate de alto nível sobre a questão dos royalties, criado justamente para indenizar os estados produtores pela utilização de sua infra-estrutura e por possíveis desastres ambientais.

O desastre do Golfo do México deveria servir de alerta para os políticos brasileiros que fazem demagogia eleitoral federativa, quando deveriam tratar o assunto com a seriedade necessária.

Fica estranho o silêncio dos políticos do Rio de Janeiro a esse respeito.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pacote do tipo "Business as Usual"

Pelo visto o mercado está comemorando com altas expressivas nas Bolsas por todo o mundo, muito mais o "business as usual" que o pacote europeu oferece do que uma tentativa de resolver os problemas de insolvência da Grécia e de alguns outros países candidatos a insolventes.

Não se resolve o problema de insolvência de nenhum país apenas emprestando mais dinheiro ao mesmo. Elimina-se o problema do país de se financiar à taxa de juros exorbitantes, o que agrava ainda mais a sua débil capacidade de pagamento.

Financiamentos com juros civilizados atenuam o problema, mas os ajustes fiscais necessários para resolve-lo precisam ser feitos de preferência o mais rapidamente possível.

O que de fato o pacote oferece é uma tranquilidade ao mercado de que o sistema financeiro europeu, representado por seus principais bancos, não vai deixar de funcionar devido a desconfiança mútua que os participantes tem sobre a qualidade dos ativos (empréstimos) que carregam em seus balanços.

O pacote não visa fortalecer o Euro, uma vez que a desvalorização ordenada ajuda a todos os países.

Especificamente para ajudar a Grécia, o melhor seria junto com as notícias boas, incluir uma sensata reestruturação de sua dívida, adequando prazos e juros à real capacidade de pagamento do Governo grego.

Pacote, Package, Paquet, Pacco, Packen, Paquete, etc...

O pacotaço financeiro de US$ 940 bilhões vai na direção de blindar de vez a zona do euro, mandando uma mensagem muito clara aos mercados de que o Euro como moeda veio para ficar, de que existe unidade política na Europa para resolver problemas quando eles se apresentam, e finalmente afastando os "lobos do mercado para outra frequesia" pois o "caçador" está na área.

Euforia nas Bolsas, euro se valoriza, os títulos das dívidas dos países recuperam seu valor, banqueiros e investidores respiram aliviados, e a vida volta ao normal. Será?

O lado bom de toda a crise é que todos se mobilizam para tentar acaba-la o mais rapidamente possível evitando assim o chamado "ponto de não retorno", como aconteceu, por exemplo, na crise de 1929 quando as autoridades monetárias demoraram para agir e quando o fizeram, erraram completamente tanto diagnóstico quanto os remédios que prescreveram (os BC's aumentaram os juros!).

É muito positivo estabelecer a ordem no mercado financeiro e afastar qualquer possibilidade de calote de dívida. Mais importante ainda será atacar as causas dos problemas e não as suas consequências. Esse é o dever de casa que a Europa precisa fazer para evitar que as medidas adotadas não apenas representem o adiamento do problema.

Por último, as urnas falaram na Alemanha. A grande derrotada foi a Chanceler Merkel que perdeu a maioria no Parlamento e agora terá que negociar com a oposição para poder governar.

A razão da derrota? A aprovação do pacotinho alemão de US$ 27 bilhões de ajuda para a Grécia pelo Parlamento na última sexta-feira. Segundo pesquisas 80% da população era contrária a ajuda. Por sinal, a votação ocorreu antes da divulgação do pacotaço.

Confesso que tive preguiça de procurar a tradução de "pacote" para outras línguas como finlandês, grego, etc...

domingo, 9 de maio de 2010

Fundo Emergencial Europeu e os Lobos do Mercado

A União Européia decidiu hoje criar um fundo emergencial de 60 bilhões de euros para financiar países da zona do euro em dificuldade. Será utilizado o mesmo mecanismo que ajudou em 2008 países europeus fora da zona do euro, como Lituânia e Hungria.

Outra medida é a criação de um mecanismo de estabilização que consistiria de garantias bilaterias de empréstimo entre o país emissor e todos os países da zona do euro. Esse mecanismo já seria aplicado ao pacote aprovado para a Grécia de 110 bilhões de euros.

Basicamente a União Européia tenta acabar com a crise de desconfiança do mercado em relação aos países da zona do euro, chamando para si a responsabilidade final para o pagamento dos títulos dos países com problemas. Na prática melhoram o rating desses papéis para AAA.

A solução nitidamente visa ganhar tempo em um primeiro momento, ao mesmo tempo que afasta "a matilha de lobos do mercado financeiro que espreita os países em dificuldades como presas para estraçalha-los", nas palavras do Ministro das Finanças da Suécia, ao final do encontro que adotou as medidas.

Talvez o problema seja que os lobos sabendo que suas presas já começaram a sangrar, nem precisem mais tentar abatê-las, podendo assim direcionar seu foco para os outros animais do grupo que devem passar a andar mais devagar uma vez que carregam o peso dos feridos nas suas costas.

Salada Grega

Se a 3 milênios atrás tivéssemos a disseminação da informação através dos meios de comunicação que dispomos hoje a Grécia, com suas conquistas e seus pensadores, seria ainda o grande farol a nos guiar.

Infelizmente para os gregos o apogeu da sua civilização ocorreu em um mundo que não tinha imprensa escrita, falada ou televisada, e ainda sem Internet. Imaginem podermos seguir Sócrates, Aristóteles ou Sófocles no Facebook! De repente no seu Blackberry ou Iphone surge: "O que mais vale não é viver, mas viver bem" enviado por platao@twitter.com!

Parece que os acontecimentos ocorridos nessas últimas 3 semanas ofuscaram os séculos de supremacia da cultura grega. Muito já foi escrito sobre essa crise que começa a ultrapassar a esfera da zona européia e respinga pelos mercados financeiros de todo o mundo.

Mas do que nunca vale a regra de que o importante de toda a crise são as lições que elas nos ensinam.

Crises são apenas o ato final de uma série de decisões erradas tomadas ao longo do tempo baseadas em uma expectativa excessivamente otimista de todos de que nada pode mudar aquele cenário no futuro.

Decisões erradas dos governos passam por aumento excessivo de gastos públicos, baixo nível de investimento, altos custos de produção (infra-estrutura deficiente, elevados custos trabalhistas, baixa qualificação da mão-de-obra), aversão a matemática previdenciária que manda fazer hoje os ajustes que serão sentidos por toda sociedade daqui a 20 ou 30 anos, entre outros.

Claro que tudo isso financiado por banqueiros e investidores que alegremente financiarão a farra na expectativa de capturar um pedaço da bonança, seja através de juros ou dividendos, e que serão convenientemente apontados como "vampiros sanguináreos e especuladores impiedosos que se alimentam do suor do povo", quando a farra se transforma em farsa, pelo simples motivo de quererem que sejam cumpridos os contratos que assinaram.

A Grécia é apenas mais uma história recorrente das tantas que ocorreram nos últimos 20 anos com os mesmos ingredientes, talvez apenas com uma embalagem melhor pelo fato de ter sido aceita na zona do euro e ter sido considerada apta a adotar a nova moeda como padrão monetário.

Hoje a Europa se encontra em uma camisa de força. Ajudar só a Grécia parece não ser o bastante. Outros países estão em situação similar e o mercado já os penaliza como a bola da vez (o spread de títulos de Portugal acima dos títulos alemães fecharam na sexta-feira praticamente iguais ao da Grécia). Falta a Europa unidade e vontade política para resolver seus problemas.

O socorro governamental de emergência aprovado para a Grécia em última instância atenua o problema dos bancos privados europeus que emprestaram excessivamente na bonança achando que o risco grego era comparável aos das maiores economias do bloco.

A solução final virá provavelmente com algum tipo de reestruturação da dívida grega.

Um retorno ao dracma como padrão monetário pode ser a melhor solução para a Grécia. Haveria uma desvalorização do dracma em relação ao euro, gerando inflação no primeiro momento, mas tornando produtos e mã0-de-obra mais baratos e por conseguinte aumentando a competitividade do país.

Melhor ainda se conseguisse converter o estoque da dívida para a nova moeda. Essa solução entretanto, é ruim para os credores e um duro golpe político para a União Européia com repercussões de difícil previsão.

Por fim uma receita para uma boa salada grega: tomates frescos, azeitonas pretas, pepinos, cebola e claro, o tradicional queijo de cabra grego feta. Tudo temperado com limão e um bom azeite extra virgem de oliva.

Um prato muito saudável que faz parte da dieta básica dos gregos. Ou pelo menos fazia.

sábado, 8 de maio de 2010

Encruzilhada Européia

O resultado indefinido das eleições britânicas, aonde nenhum partido conseguiu maioria no Parlamento, agravou ainda mais o problema do velho continente.

Mergulhados em uma séria crise de credibilidade com relação ao futuro de sua moeda comum, com um situação econômica longe de apontar uma retomada nas suas principais economias e sem uma liderança política que aponte uma direção, a Europa possivelmente atravessa o seu pior momento nos últimos 20 anos.

O Reino Unido necessita urgentemente de um governo de maioria que viabilize o forte ajuste fiscal que precisa ser dado em suas contas públicas. Até o momento, qualquer solução parece ruim, seja a de um governo de minoria com o Partido Conservador, ou de uma aliança Liberal Democrata com os Trabalhistas, preservando o cargo do atual Primeiro Ministro Brown.

Adicione-se a isso o descontentamento do Partido Liberal Democrata com o voto distrital misto, que precisou de quase 4 vezes mais votos para eleger um parlamentar do que os outros partidos. Dado como ponto de partida para qualquer tentativa de aliança, a mudança do critério de votação, pode se tornar mais um embroglio em futuras eleições.

O final de semana promete com eleições na região da Renânia do Norte - Westfália, estado federado alemão mais populoso com 13, 5 milhões de eleitores.

Vamos ter uma idéia do grau de satisfação dos eleitores alemães com o pacote de ajuda à Grécia de Euros 22, 4 bilhões aprovados sob a batuta da Chanceler Angela Merkel.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

High Speed Computerized Trading (HSCT)

Apareceu o responsável pela queda abrupta e anormal do mercado americano ontem segundo o NYT (ver artigo).

O nome pomposo acima é uma extensão continuada da negociação computadorizada (computer trading) que teve seu início no final da década de 80 e continuou evoluindo até chegar ao HSCT.

Basicamente com o aumento da velocidade de processamento e utilizando complexos algoritmos matemáticos, essas plataformas de negociação são capazes de identificar tendências de mercado e estar milisegundos à frente dos investidores que negociam através de plataformas convencionais, como home brokers.

Exemplo prático. Uma determinada empresa anuncia lucros acima do esperado com expectativa de uma abertura forte da ação na Bolsa. Antes do primeiro negócio, o HSCT consegue avaliar o conjunto total de ofertas de compra e colocar na frente de todos, uma oferta de venda com preço uma fração abaixo atendendo toda as ofertas de compra. Ou seja, vende na frente de todos ficando em condição de ser o principal market maker daquela ação por um determinado período de tempo.

Os defensores do HSCT alegam que eles provêm liquidez ao mercado, entre outros benefícios.

Do outro lado ficam aqueles que não consideração essa prática equitativa.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Outro Lado do Yuan

Interessante artigo para quem acha que a pressão americana pela desvalorização da moeda chinesa possa surtir algum efeito no curto prazo.

O efeito de uma desvalorização descontrolada do yuan sobre as exportações chinesas e seu mercado de trabalho carregam um potencial explosivo com efeitos nefastos, em última instância, para a própria economia americana.

Mais do que se imagina, o futuro econômico dos dois países está cada vez mais interligado.

A relação de dependência está cada vez mais carnal.

Mercados Nervosos

O índice Dow Jones que acompanha as 30 principais ações americanas teve a maior variação entre máxima e mínima no mesmo dia desde o crash de outubro de 1987!

Uma grande ordem de venda de ações da Procter & Gamble colocada com o preço errado no sistema desencadeou uma série de ordens stop dos chamados "computer trading systems". As vendas passaram a ser generalizadas.

O mercado recuperou boa parte da queda mas o estrago já estava feito. Não em termos de preços mas de confiança.

A chamada "tragédia grega" é apenas a face aparente para uma série de problemas que assombram as principais economias do mundo.

Bancos ainda alavancados carregando ativos de qualidade duvidosa, econonomia dos países desenvolvidos patinando, medo de uma desaceleração mais forte na China, dúvidas sobre o futuro da zona do Euro, etc.

Por aqui, o principal problema é de nosso colossal déficit em conta corrente. Qualquer mudança no humor (entenda-se aumento de aversão ao risco) dos investidores pode mudar nossa capacidade de financiamento com capitais externos.

Banda Larga com Tecla SAP

Ao final da leitura nos jornais do recém lançado PNBL , apertei a tecla SAP e compreendi plenamente os objetivos da nova empreitada governamental.

Onde se lê "acesso universal a banda larga" entenda "promessa eleitoral do momento".

Para "Telebrás será a operadora" leia "mais uma estatal carregada de companheiros com um belo salário que nada entendem do assunto".

Por "cem cidades atendidas até o final desse ano" traduza para "Papai Noel existe!".

Por "banda larga na velocidade máxima de 700 k/s" entenda "10 minutos para baixar uma página com algumas fotos".

Quanto ao "financiamento pelo Tesouro através do BNDES", essa não precisa de tradução.

Os recursos do FUST (mais de R$ 10 bi) para levar banda larga de qualidade (velocidade mínima de 2 M/s) para as escolas públicas na qualificação da futura força de trabalho da Nação (conforme o projeto original), já se evaporaram no custeio da máquina pública.

No começo era...

No começo era... o começo!

Não vou começar bíblico o blog. Também não vou começar com o velho chavão "do antes tarde do que nunca".

A idéia é colocar no blog o que acho interessante e relevante da avalanche de informações da qual sou (somos) diariamente bombardeado.

Para quem quiser acompanhar, bem vindo a bordo!