Apesar dos indicadores econômicos e da suposta ascensão de milhões de brasileiros a classe média, estamos ainda a quilometros de distancia de nos apresentarmos como nação que se prepara para os grandes desafios do futuro.
Nos falta educação e preparo científico. Esses são os ingredientes essenciais para evoluirmos para um patamar de desenvolvimento que nos garanta posição proeminente entre as nações desenvolvidas.
A posição geográfica já não nos favorece. Estamos muito longe dos centros de decisão que se deslocam cada vez mais para o Oriente. Precisamos ser muito mais do que um país exportador de matérias primas se almejamos posição de destaque.
Mais do que o simples consumo de TV`s, celulares e outros produtos que nos classifica como um país de classe média, precisamos educar nosssos cidadãos.
O mais rápido possível e em grande quantidade. Uma tarefa para uma década.
Feliz 2011!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Experimento Socialista de 1931
Aconteceu ... em 1931.
Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha uma vez, chumbado uma turma inteira.
Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".
O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...
Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.
Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!
Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas. Portanto, agindo contra os seus principios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.
O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.
Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5.
As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."
O pensamento abaixo foi escrito em 1931.
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha uma vez, chumbado uma turma inteira.
Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".
O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...
Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.
Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!
Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas. Portanto, agindo contra os seus principios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.
O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.
Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5.
As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."
O pensamento abaixo foi escrito em 1931.
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Acelerando o Mais do Mesmo
Muitos acharam surpreendente a primeira entrevista dos eleitos que estarão a frente da condução da política econômica nos próximos anos.
O discurso uníssono de austeridade fiscal, autonomia do BC e luta incessante contra a inflação foi absolutamente previsível. Ou alguém esperava um discurso diferente?
O discurso alinhado com o que o mercado espera em termos principalmente de austeridade fiscal, carece de credibiliidade.
O problema é que ao reconduzir a dupla Coutinho(BNDES)-Mantega(Fazenda) para o centro da condução da futura política econômica, desidratando o BC e colocando no Planejamento uma burocrata com execuções incompatíveis (Orçamento e PAC), Dilma dá carta branca para a continuação das manipulações nas contas públicas.
Muito frequentes nos últimos 18 meses, elas incluem antecipação de dividendos de estatais, venda de patrimônio público de forma disfarçada, empréstimos simulados para o BNDES, entre outros. Tudo para justificar perante o mercado um superávit primário, que na prática já não existe mais.
A lista é grande. Assim como deveria ser grande a preocupação dos contribuintes ao perceber que o governo gasta o que não tem, ao mesmo tempo que passa a viver de resultados futuros. Para que não vivenciou os acontecimentos da década de 80, uma boa olhada no que está acontecendo agora na Europa é suficiente.
Dilma tentará reeditar Lula e seu bem sucedido primeiro ano:
1) Vai aumentar os juros na primeira reunião do Copom para mostrar a autonomia do BC;
2) Vai perseguir um superávit fiscal maior do que 3,3% para mostrar compromisso com a austeridade;
3) Vai mandar para o Congresso uma avalanche de propostas de reformas para mostrar que está trabalhando para melhorar o país.
"Mas não é exatamente isso que todos esperam que um governo responsável faça? Por que então a desconfiança em relação ao futuro governo?"
Simples. Muito mais do que intenções, o que vale mesmo são as ações. E nesse terreno o track record não é nada bom!
As possíveis reformas a serem enviadas para o Congresso servirão apenas distração e deixará congresitas falando para o vento nos próximos 4 anos. Ainda melhor, o Congresso servirá de bode expiatório na necessidade de um desvio brusco de rota.
Mantendo os "mágicos" da contabilidade nacional fortalecidos em seus cargos, qualquer superávit primário é fabricável, basta indicar o nível desejado.
Quanto a autonomia do BC, essa já acabou. Meirelles mesmo foi o responsável, quando em setembro em pleno período eleitoral, não aumentou os juros para conter uma inflação que acelerava e fez vista grossa para os problemas no Panamericano.
Por sinal, nosso mágico da Fazenda, já resolveu o problema futuro de juros no Brasil. A proposta é o BC passar a perseguir um "novo" índice de preços aonde seriam desconsiderados os voláteis preços de energia e alimentação.
Fácil, não?
O discurso uníssono de austeridade fiscal, autonomia do BC e luta incessante contra a inflação foi absolutamente previsível. Ou alguém esperava um discurso diferente?
O discurso alinhado com o que o mercado espera em termos principalmente de austeridade fiscal, carece de credibiliidade.
O problema é que ao reconduzir a dupla Coutinho(BNDES)-Mantega(Fazenda) para o centro da condução da futura política econômica, desidratando o BC e colocando no Planejamento uma burocrata com execuções incompatíveis (Orçamento e PAC), Dilma dá carta branca para a continuação das manipulações nas contas públicas.
Muito frequentes nos últimos 18 meses, elas incluem antecipação de dividendos de estatais, venda de patrimônio público de forma disfarçada, empréstimos simulados para o BNDES, entre outros. Tudo para justificar perante o mercado um superávit primário, que na prática já não existe mais.
A lista é grande. Assim como deveria ser grande a preocupação dos contribuintes ao perceber que o governo gasta o que não tem, ao mesmo tempo que passa a viver de resultados futuros. Para que não vivenciou os acontecimentos da década de 80, uma boa olhada no que está acontecendo agora na Europa é suficiente.
Dilma tentará reeditar Lula e seu bem sucedido primeiro ano:
1) Vai aumentar os juros na primeira reunião do Copom para mostrar a autonomia do BC;
2) Vai perseguir um superávit fiscal maior do que 3,3% para mostrar compromisso com a austeridade;
3) Vai mandar para o Congresso uma avalanche de propostas de reformas para mostrar que está trabalhando para melhorar o país.
"Mas não é exatamente isso que todos esperam que um governo responsável faça? Por que então a desconfiança em relação ao futuro governo?"
Simples. Muito mais do que intenções, o que vale mesmo são as ações. E nesse terreno o track record não é nada bom!
As possíveis reformas a serem enviadas para o Congresso servirão apenas distração e deixará congresitas falando para o vento nos próximos 4 anos. Ainda melhor, o Congresso servirá de bode expiatório na necessidade de um desvio brusco de rota.
Mantendo os "mágicos" da contabilidade nacional fortalecidos em seus cargos, qualquer superávit primário é fabricável, basta indicar o nível desejado.
Quanto a autonomia do BC, essa já acabou. Meirelles mesmo foi o responsável, quando em setembro em pleno período eleitoral, não aumentou os juros para conter uma inflação que acelerava e fez vista grossa para os problemas no Panamericano.
Por sinal, nosso mágico da Fazenda, já resolveu o problema futuro de juros no Brasil. A proposta é o BC passar a perseguir um "novo" índice de preços aonde seriam desconsiderados os voláteis preços de energia e alimentação.
Fácil, não?
A Cara do Governo Dilma
O ministério "econômico" indicado pela presidente Dilma faz por merecer o adjetivo.
Ele é realmente econômico de peso específico, uma vez que seus componentes são, quando muito, burocratas qualificados mas sem nenhuma projeção doméstica ou internacional, exceção feita ao atual ministro Mantega, pelo fato de estar a frente do cargo por mais de 4 anos.
Essa por sinal, deverá ser a tônica no preenchimento dos demias cargos que deverão atender critérios para satisfazer a base do que efetivamente de competência ou mérito.
Assim sendo o governo Dilma dá sinais claros que será um governo aquém das reais necessidades do país. Teremos quando muito, um "mais do mesmo".
Pouco se ousará tanto nas reformas de que o Brasil necessita para avançar, quanto na continuidade obtusa de gerir o desenvolvimento através de um diretriz de planejamento estatal, como colocou "com muito orgulho" a indicada para ocupar o ministério do Planejamento, que continuará como gestora do PAC (???).
Fica claro de início que Dilma quer o controle absoluto dos investimentos e dos gastos públicos, talvez para justificar a sua fama de "excelente" gestora, imprimir seu estilo de governar e abusar das contas públicas à sua conviniência, como muito bem lhe ensinou seu Guia nos últimos 2 anos.
Por outro lado, Dilma não é um "bicho" político como Lula e terá um difícil relacionamento com o Congresso. Daí a importância de um apaziguador como Palocci para servir de ponte entre eles.
Sem esquecer o que recentemente nos disse Nosso Guia de que depois de aposentado seguirá na política com um projeto de consolidação da esquerda no Brasil. Traduzindo: continuará firme no leme político do governo Dilma.
Ou seja, nos momentos mais delicados politicamente, a romaria a São Bernardo será intensa. Sugiro as companhias aéreas explorarem esse novo filão a partir de Brasília.
Assim a agenda política do governo Dilma será pobre e acomodativa. A votação mais polêmica será a do modelo de exploração dos recursos do pré-sal, que só andará depois de estabelecido o novo rateio entre estados e municípios do "butim" dos royalties e participações especiais às custas dos estados produtores (perdeu, Rio!).
A estratégia traçada é de não fazer muita marola, sem propostas ousadas e sem afrontar o mercado, para que em 2014 tenhamos um retorno tranquilo de Nosso Guia.
Ele é realmente econômico de peso específico, uma vez que seus componentes são, quando muito, burocratas qualificados mas sem nenhuma projeção doméstica ou internacional, exceção feita ao atual ministro Mantega, pelo fato de estar a frente do cargo por mais de 4 anos.
Essa por sinal, deverá ser a tônica no preenchimento dos demias cargos que deverão atender critérios para satisfazer a base do que efetivamente de competência ou mérito.
Assim sendo o governo Dilma dá sinais claros que será um governo aquém das reais necessidades do país. Teremos quando muito, um "mais do mesmo".
Pouco se ousará tanto nas reformas de que o Brasil necessita para avançar, quanto na continuidade obtusa de gerir o desenvolvimento através de um diretriz de planejamento estatal, como colocou "com muito orgulho" a indicada para ocupar o ministério do Planejamento, que continuará como gestora do PAC (???).
Fica claro de início que Dilma quer o controle absoluto dos investimentos e dos gastos públicos, talvez para justificar a sua fama de "excelente" gestora, imprimir seu estilo de governar e abusar das contas públicas à sua conviniência, como muito bem lhe ensinou seu Guia nos últimos 2 anos.
Por outro lado, Dilma não é um "bicho" político como Lula e terá um difícil relacionamento com o Congresso. Daí a importância de um apaziguador como Palocci para servir de ponte entre eles.
Sem esquecer o que recentemente nos disse Nosso Guia de que depois de aposentado seguirá na política com um projeto de consolidação da esquerda no Brasil. Traduzindo: continuará firme no leme político do governo Dilma.
Ou seja, nos momentos mais delicados politicamente, a romaria a São Bernardo será intensa. Sugiro as companhias aéreas explorarem esse novo filão a partir de Brasília.
Assim a agenda política do governo Dilma será pobre e acomodativa. A votação mais polêmica será a do modelo de exploração dos recursos do pré-sal, que só andará depois de estabelecido o novo rateio entre estados e municípios do "butim" dos royalties e participações especiais às custas dos estados produtores (perdeu, Rio!).
A estratégia traçada é de não fazer muita marola, sem propostas ousadas e sem afrontar o mercado, para que em 2014 tenhamos um retorno tranquilo de Nosso Guia.
sábado, 20 de novembro de 2010
Pacifismo Brasileiro
Finalmente podemos ouvir algum comentário da presidente eleita com relação a política externa a ser adotada por ela.
Entre os chavões de sempre ela mais uma vez pontuou que o Brasil pode dar exemplo ao mundo por ter um povo pacífico qie convive bem com seus vizinhos, que gosta da paz e que sabe que não se resolve conflitos pela imposição da força. Só isso já nos garantiria condições de pleitear um assento pemanente no Conselho de Segurança da ONU.
Sendo assim, como podemos explicar as mais de 330 mil mortes por armas de fogo ocorridas em solo brasileiro nos últimos 10 anos?
Isso mesmo. Nos últimos 10 anos as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras civis de Angola e da Guatemala. Superamos até a soma de mortos ocorridas nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Diante de tamanha demonstração de pacifismo, qual seria o argumento vencedor para o Brasil ser merecedor de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?
Nossa liderança regional? Perguntem a Argentina e México o que eles acham da ideia.
O tamanho de nossa economia? De fato temos condições de nos tornarmos a quinta economia do mundo em pouco mais de 6 anos. E daí? Seremos uma economia voltada cada vez mais para a exportação de produtos primários. Nesse caso Austrália, África do Sul e Canadá também deveriam estar lá. Tamanho da população? Brasil dentro e Indonésia fora?
Não sei não, mas acho que nos falta argumentos vencedores para sentarmos naquela cadeirinha...
Entre os chavões de sempre ela mais uma vez pontuou que o Brasil pode dar exemplo ao mundo por ter um povo pacífico qie convive bem com seus vizinhos, que gosta da paz e que sabe que não se resolve conflitos pela imposição da força. Só isso já nos garantiria condições de pleitear um assento pemanente no Conselho de Segurança da ONU.
Sendo assim, como podemos explicar as mais de 330 mil mortes por armas de fogo ocorridas em solo brasileiro nos últimos 10 anos?
Isso mesmo. Nos últimos 10 anos as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras civis de Angola e da Guatemala. Superamos até a soma de mortos ocorridas nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Diante de tamanha demonstração de pacifismo, qual seria o argumento vencedor para o Brasil ser merecedor de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?
Nossa liderança regional? Perguntem a Argentina e México o que eles acham da ideia.
O tamanho de nossa economia? De fato temos condições de nos tornarmos a quinta economia do mundo em pouco mais de 6 anos. E daí? Seremos uma economia voltada cada vez mais para a exportação de produtos primários. Nesse caso Austrália, África do Sul e Canadá também deveriam estar lá. Tamanho da população? Brasil dentro e Indonésia fora?
Não sei não, mas acho que nos falta argumentos vencedores para sentarmos naquela cadeirinha...
Muito Complexado
Mania estranha essa de Nosso Guia de se comparar o tempo todo com FHC.
Esse complexo de inferioridade que alimenta, não vai lhe fazer bem na aposentadoria.
Ao invés de tentar fortalecer a esquerda no Brasil (que esquerda cara-pálida?) quando colocar o pijama, talvez o mais sensato fosse procurar ajuda profissional séria.
Quando curado, poderia finalmente num gesto de grandeza, reconhecer o grande trabalho realizado pelo antecessor que teve todo o trabalho de restaurar as instituições, organizar o Estado e estabilizar a economia.
Promover a entrada de milhões de pessoas na classe média não é política de Estado e sim consequência natural de uma política econômica sem sobressaltos por muitos anos, especialmente quando um único país do mundo resolve comprar de nós tudo o que encontra pela frente (China).
Engraçado, mas por aqui nos contentamos com pouco. Festejamos e idolatramos quando governantes não ateiam fogo às vestes. Coisa de maluco...
Por fim, promover a esquerda no Brasil é manter o Estado presente na economia, escolher campeões industriais, estatizar o risco privado, colocar os companheiros em empregos públicos e ter a chave do cofre público.
Tenho certeza que Nosso Guia desempenhará à perfeição essa sua nova função de "left promoter".
Esse complexo de inferioridade que alimenta, não vai lhe fazer bem na aposentadoria.
Ao invés de tentar fortalecer a esquerda no Brasil (que esquerda cara-pálida?) quando colocar o pijama, talvez o mais sensato fosse procurar ajuda profissional séria.
Quando curado, poderia finalmente num gesto de grandeza, reconhecer o grande trabalho realizado pelo antecessor que teve todo o trabalho de restaurar as instituições, organizar o Estado e estabilizar a economia.
Promover a entrada de milhões de pessoas na classe média não é política de Estado e sim consequência natural de uma política econômica sem sobressaltos por muitos anos, especialmente quando um único país do mundo resolve comprar de nós tudo o que encontra pela frente (China).
Engraçado, mas por aqui nos contentamos com pouco. Festejamos e idolatramos quando governantes não ateiam fogo às vestes. Coisa de maluco...
Por fim, promover a esquerda no Brasil é manter o Estado presente na economia, escolher campeões industriais, estatizar o risco privado, colocar os companheiros em empregos públicos e ter a chave do cofre público.
Tenho certeza que Nosso Guia desempenhará à perfeição essa sua nova função de "left promoter".
sábado, 13 de novembro de 2010
Éramos 4% Agora Somos 3%
Como estava viajando com acesso restrito à Internet, não tive a oportunidade de colocar no blog o excelente comentário do jornalista português João Pereira Coutinho que cobriu as últimas eleições brasileiras, que tardiamente reproduzo abaixo:
"Os Heróicos 3%
João Pereira Coutinho
Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral.
Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!"
Como tenho menos leitores do que o Agamenom, alguém pode ter lido meu post de 31 de agosto intitulado "Minhas Razões para o Ruim ou Péssimo", comentando sobre o resultado da pesquisa que indicava que apenas 4% dos brasileiros consideravam o Governo Lula ruim ou péssimo.
Ou seja, do final de agosto até o segundo turno das eleições, uns 2 milhões de brasileiros abandonaram as fileiras do ruim ou péssimo e aderiram ao grande bloco de aprovação de Lula.
Como o jornalista acima congratulo-me com os menos de 6 milhões de brasileiros que ainda pensam criticamente.
"Os Heróicos 3%
João Pereira Coutinho
Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral.
Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!"
Como tenho menos leitores do que o Agamenom, alguém pode ter lido meu post de 31 de agosto intitulado "Minhas Razões para o Ruim ou Péssimo", comentando sobre o resultado da pesquisa que indicava que apenas 4% dos brasileiros consideravam o Governo Lula ruim ou péssimo.
Ou seja, do final de agosto até o segundo turno das eleições, uns 2 milhões de brasileiros abandonaram as fileiras do ruim ou péssimo e aderiram ao grande bloco de aprovação de Lula.
Como o jornalista acima congratulo-me com os menos de 6 milhões de brasileiros que ainda pensam criticamente.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dois Planetas - Texto de João Pereira Coutinho
Excelente texto que recebi por e-mail do amigo Marcelo Viana do jornalista João Pereira Coutinho traçando um paralelo entre o resultado das eleições brasileiras e americanas.
"Dois Planetas: O Brasil que elegeu Dilma é o que depende do governo; nos EUA, avanço do Tea Party se liga a DNA do país
Brasil e Estados Unidos. Dois continentes distintos. Não apenas geograficamente. O assunto é outro. Em três dias, com duas eleições, qualquer estudante de ciência política poderia ter recolhido tema para uma tese de doutorado. Com uma pergunta simples: qual o papel do Estado nesses dois planetas?
No Brasil, a resposta seria: papel central. Dilma não foi eleita, apenas, por ser a dileta sucessora de um presidente com 82% de aprovação. Dilma venceu pois convenceu a maior fatia de gente que olha para o governo como princípio e fim de suas vidas -e sobrevivências.
Não vale lembrar a vitória esmagadora no Nordeste, que quase representa a diferença de 12 milhões de votos entre os candidatos.
Um estudo desta Folha é claro: o Bolsa Família, o índice de desenvolvimento humano e a renda per capita influenciaram o voto. E quanto mais baixo se desce nesses indicadores, maiores as chances de acharmos eleitor petista. O Brasil que elegeu Dilma é o que tem com o governo uma situação de dependência.
Subimos para o norte, cruzamos a fronteira norte-americana, e as eleições legislativas, dois dias depois das brasileiras, mostram um cenário diferente. Barack Obama, o Messias, que há dois anos tinha 70% de aprovação, hoje anda pelos 45%.
A economia americana pode não estar tecnicamente em recessão. Mas o desemprego continua em alta e, dado fundamental, Obama confunde a América (e os americanos) com o Brasil. Ou com qualquer social-democracia europeia, procurando fazer dos Estados Unidos uma Escandinávia em inglês.
Azar: os republicanos venceram na Câmara (e quase no Senado) pois discordam da visão de um Estado gigantesco, que reclama quantidades crescentes de tarefas, gastos e responsabilidades. Na saúde. No ambiente. Na economia. Na banca. Em tudo que mexe e respira.
Seria fácil e cômodo resumir a derrota de Obama ao populismo "extremista" do Tea Party, o movimento que deseja reverter a agenda de Obama com menos impostos, menos gastos e menos governo.
Mas o Tea Party é uma salada de frutas onde há tudo: lunáticos, sim; fanáticos, com certeza; mas a esmagadora maioria é feita de gente comum. Americanos comuns. E esses, até pelo DNA histórico, sempre desprezaram o poder, o governo e a abusiva intromissão dele nas vidas.
No Tea Party, encontra-se a alma americana no que ela tem de mais anarquista e libertário; e essa alma foi uma constante ao longo da história. Com Thomas Jefferson. Com William Howard Taft. Com o subestimado (e importantíssimo) Barry Goldwater. Com Ronald Reagan. E, claro, com os originais "tea partiers", que no século 18 estiveram dispostos a tudo, até à revolução, para travarem o absolutismo fiscal de George 3º. Assim nascia um país.
Os "tea partiers" de hoje não abominam apenas Obama e tudo o que ele representa -a sua reforma da saúde, o seu estímulo econômico de US$ 900 bilhões e uma dívida nacional que já fura a estratosfera.
Eles abominam Obama com a mesma força com que abominaram Bush e os "neocons". Porque acreditam que Bush e os "neocons", tal como Obama, confiaram ao governo parcelas crescentes de poder econômico, político, burocrático e social. E atraiçoaram o que é caro ao americano comum: a liberdade individual, o gosto pela livre iniciativa. E um governo limitado: fora de suas casas, de seus bolsos, de suas vidas.
Os "tea partiers" podem não ter lido Hayek, o economista austríaco para quem o crescimento incontido do Estado representava o caminho para a servidão. Mas eles sentem-no instintivamente; sabem que um Estado mastodôntico não é apenas economicamente ineficaz e potencialmente corrupto; é, sobretudo, moralmente perigoso, ao criar legiões de dependentes que o governo trata como crianças.
E o Brasil? Hoje, apesar do crescimento econômico, continua um dos países mais desiguais do mundo. E, seguindo a nefasta herança dos seus colonizadores, perpetua o pior do pensamento patrimonialista e paternalista (um oxímoro, eu sei).
Essa doença só se cura com mais riqueza, menos desigualdade, melhor educação. E um gosto pela liberdade individual que, acredito, será um dia majoritário entre as gerações futuras do Brasil."
"Dois Planetas: O Brasil que elegeu Dilma é o que depende do governo; nos EUA, avanço do Tea Party se liga a DNA do país
Brasil e Estados Unidos. Dois continentes distintos. Não apenas geograficamente. O assunto é outro. Em três dias, com duas eleições, qualquer estudante de ciência política poderia ter recolhido tema para uma tese de doutorado. Com uma pergunta simples: qual o papel do Estado nesses dois planetas?
No Brasil, a resposta seria: papel central. Dilma não foi eleita, apenas, por ser a dileta sucessora de um presidente com 82% de aprovação. Dilma venceu pois convenceu a maior fatia de gente que olha para o governo como princípio e fim de suas vidas -e sobrevivências.
Não vale lembrar a vitória esmagadora no Nordeste, que quase representa a diferença de 12 milhões de votos entre os candidatos.
Um estudo desta Folha é claro: o Bolsa Família, o índice de desenvolvimento humano e a renda per capita influenciaram o voto. E quanto mais baixo se desce nesses indicadores, maiores as chances de acharmos eleitor petista. O Brasil que elegeu Dilma é o que tem com o governo uma situação de dependência.
Subimos para o norte, cruzamos a fronteira norte-americana, e as eleições legislativas, dois dias depois das brasileiras, mostram um cenário diferente. Barack Obama, o Messias, que há dois anos tinha 70% de aprovação, hoje anda pelos 45%.
A economia americana pode não estar tecnicamente em recessão. Mas o desemprego continua em alta e, dado fundamental, Obama confunde a América (e os americanos) com o Brasil. Ou com qualquer social-democracia europeia, procurando fazer dos Estados Unidos uma Escandinávia em inglês.
Azar: os republicanos venceram na Câmara (e quase no Senado) pois discordam da visão de um Estado gigantesco, que reclama quantidades crescentes de tarefas, gastos e responsabilidades. Na saúde. No ambiente. Na economia. Na banca. Em tudo que mexe e respira.
Seria fácil e cômodo resumir a derrota de Obama ao populismo "extremista" do Tea Party, o movimento que deseja reverter a agenda de Obama com menos impostos, menos gastos e menos governo.
Mas o Tea Party é uma salada de frutas onde há tudo: lunáticos, sim; fanáticos, com certeza; mas a esmagadora maioria é feita de gente comum. Americanos comuns. E esses, até pelo DNA histórico, sempre desprezaram o poder, o governo e a abusiva intromissão dele nas vidas.
No Tea Party, encontra-se a alma americana no que ela tem de mais anarquista e libertário; e essa alma foi uma constante ao longo da história. Com Thomas Jefferson. Com William Howard Taft. Com o subestimado (e importantíssimo) Barry Goldwater. Com Ronald Reagan. E, claro, com os originais "tea partiers", que no século 18 estiveram dispostos a tudo, até à revolução, para travarem o absolutismo fiscal de George 3º. Assim nascia um país.
Os "tea partiers" de hoje não abominam apenas Obama e tudo o que ele representa -a sua reforma da saúde, o seu estímulo econômico de US$ 900 bilhões e uma dívida nacional que já fura a estratosfera.
Eles abominam Obama com a mesma força com que abominaram Bush e os "neocons". Porque acreditam que Bush e os "neocons", tal como Obama, confiaram ao governo parcelas crescentes de poder econômico, político, burocrático e social. E atraiçoaram o que é caro ao americano comum: a liberdade individual, o gosto pela livre iniciativa. E um governo limitado: fora de suas casas, de seus bolsos, de suas vidas.
Os "tea partiers" podem não ter lido Hayek, o economista austríaco para quem o crescimento incontido do Estado representava o caminho para a servidão. Mas eles sentem-no instintivamente; sabem que um Estado mastodôntico não é apenas economicamente ineficaz e potencialmente corrupto; é, sobretudo, moralmente perigoso, ao criar legiões de dependentes que o governo trata como crianças.
E o Brasil? Hoje, apesar do crescimento econômico, continua um dos países mais desiguais do mundo. E, seguindo a nefasta herança dos seus colonizadores, perpetua o pior do pensamento patrimonialista e paternalista (um oxímoro, eu sei).
Essa doença só se cura com mais riqueza, menos desigualdade, melhor educação. E um gosto pela liberdade individual que, acredito, será um dia majoritário entre as gerações futuras do Brasil."
Felicidade Tutelada
A CCJ aprovou ontem o projeto de lei que pretende introduzir no Artigo Sexto da Constituição brasileira o direito à busca pela felicidade. Se aprovado em plenário, a redação final do Artigo ficará assim:
"São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a Previdência Social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados".
Imediatamente me lembrei de uma outra ocasião quando a busca da felicidade foi incluída em um documento oficial. O documento escrito em 4 de julho de 1776, por ocasião da Independência dos Estados Unidos diz o seguinte em seu segundo parágrafo:
"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happiness".
Grande diferença, não é mesmo? Enquanto os americanos associam à busca a felicidade a um direito inalienável de todo ser humano, juntamente com o direito a vida e a liberdade, a lei brasileira quer DEFINIR e nos TUTELAR sobre o que é felicidade!
Ou seja, atendidos os direitos sociais estaremos plenamente felizes.
Mesmo? E se por acaso eu achar que felicidade é não estudar, passar fome ou outra barbaridade qualquer? Será que estarei infringindo a lei? Sofrerei sanções do Estado pelo novo Ministério da Felicidade a ser disputado a tapa pelos partidos da base aliada?
Bem, nesse caso sugiro que cada brasileiro envie aos seus nobres representantes, uma pequena lista contendo aquilo que os tornaria realmente felizes, para não infringir o espírito da nova lei.
Minhas contribuição: passear fora da América do Sul e descansar em algum resort não banhado pelo Oceano Atlântico, pelo menos uma vez por ano.
Quanto aos recursos não é preciso se preocupar. Tudo será financiado pelo novo programa social "Bolsa Felicidade" a ser criado com recursos do inesgotável pré-sal e que virá nas versões real, dólar ou euro. Bem básico.
"São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a Previdência Social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados".
Imediatamente me lembrei de uma outra ocasião quando a busca da felicidade foi incluída em um documento oficial. O documento escrito em 4 de julho de 1776, por ocasião da Independência dos Estados Unidos diz o seguinte em seu segundo parágrafo:
"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happiness".
Grande diferença, não é mesmo? Enquanto os americanos associam à busca a felicidade a um direito inalienável de todo ser humano, juntamente com o direito a vida e a liberdade, a lei brasileira quer DEFINIR e nos TUTELAR sobre o que é felicidade!
Ou seja, atendidos os direitos sociais estaremos plenamente felizes.
Mesmo? E se por acaso eu achar que felicidade é não estudar, passar fome ou outra barbaridade qualquer? Será que estarei infringindo a lei? Sofrerei sanções do Estado pelo novo Ministério da Felicidade a ser disputado a tapa pelos partidos da base aliada?
Bem, nesse caso sugiro que cada brasileiro envie aos seus nobres representantes, uma pequena lista contendo aquilo que os tornaria realmente felizes, para não infringir o espírito da nova lei.
Minhas contribuição: passear fora da América do Sul e descansar em algum resort não banhado pelo Oceano Atlântico, pelo menos uma vez por ano.
Quanto aos recursos não é preciso se preocupar. Tudo será financiado pelo novo programa social "Bolsa Felicidade" a ser criado com recursos do inesgotável pré-sal e que virá nas versões real, dólar ou euro. Bem básico.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Prova de Incompetência - 2
Crise mundial em 2008. No meio de um aperto de liquidez fenomenal, o Governo através de seus bancos oficiais injeta recursos no sistema bancário. Alguns bancos pequenos sofrem mais e o Governo autoriza que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal adquiram participações em alguns desses bancos.
Resposta ágil a um problema que começou nos países governados por homens louros de olhos azuis e que se alastrou pelo mundo. Poucos meses depois o Brasil emergia como o último a entrar na crise e o primeiro a sair.
Sucesso absoluto. O mundo se curva à solidez de nossas instituições financeiras e a determinação de nossos governantes em resolver o gigantesco problema. Fica provado que por aqui chegou mesmo uma marolinha. Podemos ensinar aos banqueiros centrais das principais economias mundiais como controlar com mão de ferro as suas instituições.
Mas alguma coisa está errada. Se nosso sistema de supervisão bancária deve servir de exemplo para o mundo, como explicar as "fraudes" no montante de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano?
Afinal de contas já se passaram 12 meses que a Caixa comprou 49% das ações ordinárias do Panamericano por R$ 739 milhões. Será que ninguém auditou o banco adquirido durante todo esse tempo? Será que o Banco Central não estava a par das dificuldades do Panamericano e não alertou a Caixa sobre isso? Ou eles achavam que era só um problema temporário de liquidez?
Tudo leva a crer que compraram o banco sem analisar corretamente a qualidade dos ativos, uma vez que uma fraude desse tamanho para um banco especializado em crédito consignado (baixos valores e risco) e financiamentos de automóveis (garantidos pelo próprio bem financiado), só pode vir de muito tempo (vide Banco Nacional sobre o assunto).
Sendo assim fica uma pergunta no ar: por que esse assunto só veio à baila agora depois das eleições? Incompetência ou má-fé?
Resposta ágil a um problema que começou nos países governados por homens louros de olhos azuis e que se alastrou pelo mundo. Poucos meses depois o Brasil emergia como o último a entrar na crise e o primeiro a sair.
Sucesso absoluto. O mundo se curva à solidez de nossas instituições financeiras e a determinação de nossos governantes em resolver o gigantesco problema. Fica provado que por aqui chegou mesmo uma marolinha. Podemos ensinar aos banqueiros centrais das principais economias mundiais como controlar com mão de ferro as suas instituições.
Mas alguma coisa está errada. Se nosso sistema de supervisão bancária deve servir de exemplo para o mundo, como explicar as "fraudes" no montante de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano?
Afinal de contas já se passaram 12 meses que a Caixa comprou 49% das ações ordinárias do Panamericano por R$ 739 milhões. Será que ninguém auditou o banco adquirido durante todo esse tempo? Será que o Banco Central não estava a par das dificuldades do Panamericano e não alertou a Caixa sobre isso? Ou eles achavam que era só um problema temporário de liquidez?
Tudo leva a crer que compraram o banco sem analisar corretamente a qualidade dos ativos, uma vez que uma fraude desse tamanho para um banco especializado em crédito consignado (baixos valores e risco) e financiamentos de automóveis (garantidos pelo próprio bem financiado), só pode vir de muito tempo (vide Banco Nacional sobre o assunto).
Sendo assim fica uma pergunta no ar: por que esse assunto só veio à baila agora depois das eleições? Incompetência ou má-fé?
Prova de Incompetência - 1
Alguém se lembra da época dos vestibulares? Lembram da expectativa com a chegada da data da prova? E procurar nos jornais seu nome para saber se tinha entrado na Universidade escolhida?
Agora imagine dois depois de você ter se preparado durante um ano inteiro (ou mais), aparece alguém te dizendo que aquela não valeu e você vai ter que fazer outra?
Só matando. Pois é, pelo segundo ano consecutivo nosso Governo dá um show de incompetência e esculhamba a credibilidade da prova do Enem. Tenho minhas dúvidas se as Universidades sérias do Brasil no ano que vem vão continuar a adotá-la.
Mas pensando bem, o governo petista está sendo coerente.
Em 1998 eles fizeram enormes críticas ao então Ministro da Educação Paulo Renato pela adoção do sistema. Chegaram a propor através do seu braço estudantil (UNE e Ubes) um boicote nacional a prova, classificada de elitista à época.
Como bem disse o Nosso Guia a prova foi um sucesso e se tiver que fazer outra, não tem problema.
A conta (R$ 182 milhões) é da Viúva mesmo. E a meninada cuca-fresca sempre pode fazer mais uma provinha, não é?
Agora imagine dois depois de você ter se preparado durante um ano inteiro (ou mais), aparece alguém te dizendo que aquela não valeu e você vai ter que fazer outra?
Só matando. Pois é, pelo segundo ano consecutivo nosso Governo dá um show de incompetência e esculhamba a credibilidade da prova do Enem. Tenho minhas dúvidas se as Universidades sérias do Brasil no ano que vem vão continuar a adotá-la.
Mas pensando bem, o governo petista está sendo coerente.
Em 1998 eles fizeram enormes críticas ao então Ministro da Educação Paulo Renato pela adoção do sistema. Chegaram a propor através do seu braço estudantil (UNE e Ubes) um boicote nacional a prova, classificada de elitista à época.
Como bem disse o Nosso Guia a prova foi um sucesso e se tiver que fazer outra, não tem problema.
A conta (R$ 182 milhões) é da Viúva mesmo. E a meninada cuca-fresca sempre pode fazer mais uma provinha, não é?
Natureza
Por que achamos que as pessoas podem mudar?
Por que sempre achamos que dessa vez vai ser diferente?
Por que acabamos acreditando nas nossas próprias mentiras?
Por que esperamos mais do que as pessoas podem nos dar?
Por que nada nos surpreende mais?
Está aí o escorpião a nos ensinar que no fundo somos o que somos.
É da nossa natureza...
Por que sempre achamos que dessa vez vai ser diferente?
Por que acabamos acreditando nas nossas próprias mentiras?
Por que esperamos mais do que as pessoas podem nos dar?
Por que nada nos surpreende mais?
Está aí o escorpião a nos ensinar que no fundo somos o que somos.
É da nossa natureza...
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Grosso Calibre ou Grossa Besteira?
E se o Governo anunciasse a volta do câmbio fixo para combater a especulação cambial e a entrada de recursos de curto prazo?
Depois disso viria o fim do Copom. Pronto, estaria sepultada a política neoliberal de FHC.
Pode ser o ato final de Lula ou o inicial de Dilma.
Food for thought....
Depois disso viria o fim do Copom. Pronto, estaria sepultada a política neoliberal de FHC.
Pode ser o ato final de Lula ou o inicial de Dilma.
Food for thought....
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O 3º Reinado do Brasil
O Presidente Lula que desmoralizou o Poder Legislativo com o mensalão e o Poder Judiciário ao ignorar a Lei Eleitoral no último ano, resolveu pôr uma pá de cal e acabar com o seu próprio papel institucional de Presidente da República.
Ao rasgar a Constituição e decretar o "fim dos poderes republicanos", Lula instaurou o 3º Reinado, pois só um monarca supremo, que não tem que dar satisfações a ninguém dos seus atos, pode decretar o que é verdade ou mentira, utilizar os órgãos do Estado para cuidar do seu interesse e o da sua corte, reescrever a história, distorcer dados oficiais e claro, indicar o seu sucessor.
Somente, Lula o Magnífico, pode saber o que é bom para o seu povo, ao qual trata como filhos, quando são na verdade vassalos. Pois como igual a um senhor feudal, que espalha seus tentáculos pela economia, ele utiliza os impostos pagos por todos para favorecer amigos empresários e distribui dinheiro e comida para aqueles que o adoram como a um verdadeiro pai.
Portanto, ao homologar na urna o nome de seu sucessor, seus filhos apenas expressarão gratidão por tudo aquilo que seu soberano fez por eles até agora.
Ao rasgar a Constituição e decretar o "fim dos poderes republicanos", Lula instaurou o 3º Reinado, pois só um monarca supremo, que não tem que dar satisfações a ninguém dos seus atos, pode decretar o que é verdade ou mentira, utilizar os órgãos do Estado para cuidar do seu interesse e o da sua corte, reescrever a história, distorcer dados oficiais e claro, indicar o seu sucessor.
Somente, Lula o Magnífico, pode saber o que é bom para o seu povo, ao qual trata como filhos, quando são na verdade vassalos. Pois como igual a um senhor feudal, que espalha seus tentáculos pela economia, ele utiliza os impostos pagos por todos para favorecer amigos empresários e distribui dinheiro e comida para aqueles que o adoram como a um verdadeiro pai.
Portanto, ao homologar na urna o nome de seu sucessor, seus filhos apenas expressarão gratidão por tudo aquilo que seu soberano fez por eles até agora.
A Questão 5
Ao assumir a Presidência da República em 2003, o Presidente Lula, para surpresa geral, continuou a política econômica traçada pelo seu antecessor, mantendo inalterados as bases que davam estabilidade econômica ao país: câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e superávit primário das contas públicas (em nível superior ao adotado por FHC em seu último ano de governo).
Apesar da aparência inicial de que o Governo Lula manteria um viés liberal pela manutenção da política econômica e pelo aumento no comércio internacional, ficou claro que o Estado brasileiro passaria a ter um papel predominante na economia, começando pela secular tradição de inchar a ineficiente máquina administrativa.
Os cargos do segundo e terceiro da administração federal passaram a atender às necessidades partidárias, sendo ocupados por pessoas despreparadas para o exercício da função pública. A qualidade na prestação dos serviços piorou e a corrupção aumentou, levando a um retrocesso institucional. De imediato houve o confronto com as agências reguladoras, que foram esvaziadas de suas funções, sob o argumento de que elas não poderiam ter mais poderes que os Ministérios e Secretarias, que, por sinal, dobraram em número para acomodar todos os partidos da base de sustentação política.
A melhora das contas externas pelo aumento dos superávits comerciais se deveu muito mais a uma conjuntura internacional extremamente favorável que combinava forte crescimento da China e Estados Unidos, com a recuperação da Argentina e a elevação dos preços das commodities. Cabe ressaltar entretanto o caráter passivo da maior inserção brasileira no comércio internacional. A melhora do desempenho brasileiro se deveu, antes de tudo, ao aumento generalizado do comércio mundial e à melhora nos termos de troca. Não houve nesse sentido, uma mudança qualitativa na pauta brasileira de exportações. Muito pelo contrário, houve uma maior participação de produtos primários em detrimento dos industrializados (só para ilustrar: no ano de 2000 as exportações de produtos primários eram de 23% do total exportado contra 43% na primeira metade de 2010).
Os altos saldos comerciais ajudaram a reduzir a dívida líquida externa, verdadeira obsessão governamental. O país passou a acumular reservas em ritmo acelerado e a antecipar, por razões políticas, pagamentos ao FMI, mesmo contra a lógica econômica, uma vez que a dívida externa apresentava prazos maiores e juros menores do que a interna, o que elevava a razão dívida/PIB assim como o seu custo de carregamento. Somente em 2008, com a falta de liquidez nos mercados devido a crise financeira internacional, as reservas exerceram o papel de "seguro contra crises". Elas foram utilizadas no suprimento de linhas de crédito para as exportações e no auxílio às empresas brasileiras no pagamento de suas obrigações externas.
Mesmo com inflação baixa e saldos comerciais crescentes, o Brasil cresceu menos, durante quase todo o Governo Lula, do que outros países emergentes, incluindo a grande maioria da América Latina. A causa provavelmente está relacionada a baixa taxa de poupança interna do país que não conseguiu ultrapassar a linha dos 18% do PIB quando deveriam estar em torno de 24%. Os capitais externos continuam a entrar no país atraídos pelo diferencial de taxa de juros reais. Os déficits em conta corrente voltaram, apesar de hoje serem facilmente financiáveis.
A grande mudança de postura do Governo ocorreu em 2008. A descoberta das reservas de petróleo na camada de pré-sal e a crise financeira global, serviram como pano de fundo para o Governo Lula implementar o retorno da política do Estado desenvolvimentista que lentamente se avolumava por dentro das ações governamentais desde o início do segundo mandato quando da implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Através do "túnel do tempo", voltaram temas típicos da ditadura militar, especialmente no Governo Geisel, como a importância do Estado indutor e do estabelecimento de políticas industriais, para alegria dos economistas "desenvolvimentistas" dos anos 70.
Ficou visível a intenção do atual governo em aumentar sua fatia na economia, seja diretamente com a mudança do modelo de exploração do petróleo na camada pré-sal e da utilização da Petrobrás como instrumento de política industrial, pelo aumento da oferta de crédito através dos bancos oficiais, principalmente do BNDES ou mesmo ressuscitando esqueletos de estatais, como a Telebrás, responsável pela implantação de um "audacioso" plano de garantir acesso a Internet em banda larga em municípios remotos com baixa densidade demográfica e baixa renda.
O empenho do Governo em se associar a projetos que sejam de seu interesse estratégico utilizando o BNDES como seu principal instrumento através do retorno da prática de eleger setores prioritários ou empresas campeãs, pode ser medido pela concentração de seus empréstimos desde 2008: duas empresas estatais e dez privadas concentram 57% (equivalentes a R$ 96 bilhões) dos financiamentos concedidos. O argumento de que não existe financiamento de longo prazo disponível para grandes empreendimentos é falacioso, uma vez que as taxas de juros subsidiadas praticadas pelo BNDES inibem a concorrência de outros bancos e não os estimula a competir.
Muito melhor faria o Governo se aplicasse os escassos recursos disponíveis na melhoria da infra-estrutura, na qualidade da educação fundamental e principalmente em garantir um ambiente favorável para negócios. Imperioso seria também o retorno da agenda dita "liberal", com a aprovação de reformas estruturais (trabalhista, tributária, previdenciária e política) que preparassem o país para o futuro colocando-o no caminho do crescimento sustentável e da competição global, sem ideologias, favorecimento a grupos ou partidos e demagogias eleitorais da hora.
Apesar da aparência inicial de que o Governo Lula manteria um viés liberal pela manutenção da política econômica e pelo aumento no comércio internacional, ficou claro que o Estado brasileiro passaria a ter um papel predominante na economia, começando pela secular tradição de inchar a ineficiente máquina administrativa.
Os cargos do segundo e terceiro da administração federal passaram a atender às necessidades partidárias, sendo ocupados por pessoas despreparadas para o exercício da função pública. A qualidade na prestação dos serviços piorou e a corrupção aumentou, levando a um retrocesso institucional. De imediato houve o confronto com as agências reguladoras, que foram esvaziadas de suas funções, sob o argumento de que elas não poderiam ter mais poderes que os Ministérios e Secretarias, que, por sinal, dobraram em número para acomodar todos os partidos da base de sustentação política.
A melhora das contas externas pelo aumento dos superávits comerciais se deveu muito mais a uma conjuntura internacional extremamente favorável que combinava forte crescimento da China e Estados Unidos, com a recuperação da Argentina e a elevação dos preços das commodities. Cabe ressaltar entretanto o caráter passivo da maior inserção brasileira no comércio internacional. A melhora do desempenho brasileiro se deveu, antes de tudo, ao aumento generalizado do comércio mundial e à melhora nos termos de troca. Não houve nesse sentido, uma mudança qualitativa na pauta brasileira de exportações. Muito pelo contrário, houve uma maior participação de produtos primários em detrimento dos industrializados (só para ilustrar: no ano de 2000 as exportações de produtos primários eram de 23% do total exportado contra 43% na primeira metade de 2010).
Os altos saldos comerciais ajudaram a reduzir a dívida líquida externa, verdadeira obsessão governamental. O país passou a acumular reservas em ritmo acelerado e a antecipar, por razões políticas, pagamentos ao FMI, mesmo contra a lógica econômica, uma vez que a dívida externa apresentava prazos maiores e juros menores do que a interna, o que elevava a razão dívida/PIB assim como o seu custo de carregamento. Somente em 2008, com a falta de liquidez nos mercados devido a crise financeira internacional, as reservas exerceram o papel de "seguro contra crises". Elas foram utilizadas no suprimento de linhas de crédito para as exportações e no auxílio às empresas brasileiras no pagamento de suas obrigações externas.
Mesmo com inflação baixa e saldos comerciais crescentes, o Brasil cresceu menos, durante quase todo o Governo Lula, do que outros países emergentes, incluindo a grande maioria da América Latina. A causa provavelmente está relacionada a baixa taxa de poupança interna do país que não conseguiu ultrapassar a linha dos 18% do PIB quando deveriam estar em torno de 24%. Os capitais externos continuam a entrar no país atraídos pelo diferencial de taxa de juros reais. Os déficits em conta corrente voltaram, apesar de hoje serem facilmente financiáveis.
A grande mudança de postura do Governo ocorreu em 2008. A descoberta das reservas de petróleo na camada de pré-sal e a crise financeira global, serviram como pano de fundo para o Governo Lula implementar o retorno da política do Estado desenvolvimentista que lentamente se avolumava por dentro das ações governamentais desde o início do segundo mandato quando da implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Através do "túnel do tempo", voltaram temas típicos da ditadura militar, especialmente no Governo Geisel, como a importância do Estado indutor e do estabelecimento de políticas industriais, para alegria dos economistas "desenvolvimentistas" dos anos 70.
Ficou visível a intenção do atual governo em aumentar sua fatia na economia, seja diretamente com a mudança do modelo de exploração do petróleo na camada pré-sal e da utilização da Petrobrás como instrumento de política industrial, pelo aumento da oferta de crédito através dos bancos oficiais, principalmente do BNDES ou mesmo ressuscitando esqueletos de estatais, como a Telebrás, responsável pela implantação de um "audacioso" plano de garantir acesso a Internet em banda larga em municípios remotos com baixa densidade demográfica e baixa renda.
O empenho do Governo em se associar a projetos que sejam de seu interesse estratégico utilizando o BNDES como seu principal instrumento através do retorno da prática de eleger setores prioritários ou empresas campeãs, pode ser medido pela concentração de seus empréstimos desde 2008: duas empresas estatais e dez privadas concentram 57% (equivalentes a R$ 96 bilhões) dos financiamentos concedidos. O argumento de que não existe financiamento de longo prazo disponível para grandes empreendimentos é falacioso, uma vez que as taxas de juros subsidiadas praticadas pelo BNDES inibem a concorrência de outros bancos e não os estimula a competir.
Muito melhor faria o Governo se aplicasse os escassos recursos disponíveis na melhoria da infra-estrutura, na qualidade da educação fundamental e principalmente em garantir um ambiente favorável para negócios. Imperioso seria também o retorno da agenda dita "liberal", com a aprovação de reformas estruturais (trabalhista, tributária, previdenciária e política) que preparassem o país para o futuro colocando-o no caminho do crescimento sustentável e da competição global, sem ideologias, favorecimento a grupos ou partidos e demagogias eleitorais da hora.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Sigilo: O Primo Encrencado do Virgílio
Quando perdeu as eleições de 94 e 98, Lula não conseguia entender porque perdia sistematicamente as votações nos grotões, embora tivesse uma boa votação junto à classe média, artistas, funcionários públicos e intelectuais de esquerda.
Mesmo em 2002 quando foi eleito pela primeira vez, não teve uma votação assim tão espetacular junto aos eleitores mais humildes como a obtida em 2006 e como obterá a sua candidata em outubro próximo.
Por muito tempo ele não entendia porque o povão não votava em um nordestino retirante legítimo que ascendeu politicamente até atingir o cargo máximo em seu país e que tinha experimentado na vida as mesmas dificuldades de seus conterrâneos.
Ao meu ver isso acontecia porque Lula não falava para os pobres do Brasil. Ele falava para a companheirada e repetia espertamente o que soava como música para seu público cativo.
Já no Governo, Lula aprendeu a se comunicar com os pobres e adotou políticas públicas que o colocaram como o presidente que dá dinheiro, aumenta o salário mínimo e cuida deles. Ou seja, Lula ao se tornar o "pai dos pobres", reinventou o velho coronelismo nordestino, só que agora com cartão de benefícios e maciça propaganda governamental.
O sucesso dessa estratégia política fica claro agora na eleição. Pesquisa realizada pelo Globo junto a eleitores da zona da mata de Pernambuco, deixa claro que para o povão sigilo fiscal é mesmo aquele sujeito que o Lula disse que ninguém encontra.
Dos 50 entrevistados, apenas 1 sabia o que era sigilo. Mas não sabia o que era sigilo fiscal. Quanto a fiscal, todos sabiam que era o sujeito que fica na feira ou que trabalha na prefeitura local.
Assim quando pergunta para a platéia "aonde está esse tal de sigilo que ninguém nunca viu", Lula usa de esperteza política pois sabe da ignorância de seu eleitorado e se vangloria. Pois provavelmente para esses eleitores mais humildes, sigilo deve ser mesmo um primo encrencado de um tal Virgílio.
Na verdade, Lula como presidente do país, deveria morrer de vergonha por não oferecer aos brasileiros condições mínimas de cidadania para que possam entender o real significado das palavras e o mundo ao seu redor.
Mesmo em 2002 quando foi eleito pela primeira vez, não teve uma votação assim tão espetacular junto aos eleitores mais humildes como a obtida em 2006 e como obterá a sua candidata em outubro próximo.
Por muito tempo ele não entendia porque o povão não votava em um nordestino retirante legítimo que ascendeu politicamente até atingir o cargo máximo em seu país e que tinha experimentado na vida as mesmas dificuldades de seus conterrâneos.
Ao meu ver isso acontecia porque Lula não falava para os pobres do Brasil. Ele falava para a companheirada e repetia espertamente o que soava como música para seu público cativo.
Já no Governo, Lula aprendeu a se comunicar com os pobres e adotou políticas públicas que o colocaram como o presidente que dá dinheiro, aumenta o salário mínimo e cuida deles. Ou seja, Lula ao se tornar o "pai dos pobres", reinventou o velho coronelismo nordestino, só que agora com cartão de benefícios e maciça propaganda governamental.
O sucesso dessa estratégia política fica claro agora na eleição. Pesquisa realizada pelo Globo junto a eleitores da zona da mata de Pernambuco, deixa claro que para o povão sigilo fiscal é mesmo aquele sujeito que o Lula disse que ninguém encontra.
Dos 50 entrevistados, apenas 1 sabia o que era sigilo. Mas não sabia o que era sigilo fiscal. Quanto a fiscal, todos sabiam que era o sujeito que fica na feira ou que trabalha na prefeitura local.
Assim quando pergunta para a platéia "aonde está esse tal de sigilo que ninguém nunca viu", Lula usa de esperteza política pois sabe da ignorância de seu eleitorado e se vangloria. Pois provavelmente para esses eleitores mais humildes, sigilo deve ser mesmo um primo encrencado de um tal Virgílio.
Na verdade, Lula como presidente do país, deveria morrer de vergonha por não oferecer aos brasileiros condições mínimas de cidadania para que possam entender o real significado das palavras e o mundo ao seu redor.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Capitalização da Petrobrás: Boa Oportunidade de Investimento?
Na coluna no site Investimentos e Notícias comento sobre a oportunidade e os riscos associados no investimento em ações da Petrobrás (ver artigo).
Celebrada como a maior operação da história do mercado de capitais de todos os tempos (bem ao estilo Nosso Guia), a operação de capitalização da Petrobrás já tem um grande vencedor : o Governo no seu estado mais intervencionista.
O atual projeto de exploração do pré-sal está sendo vendido para o grande público, especialmente para o menos esclarecido, como sendo o nosso bilhete premiado para o mundo desenvolvido, pois teremos mais recursos para educação, saúde, infra-estrutura, etc.
Pelo seu fácil apelo popular, estamos presenciando o retorno simulado de uma campanha do tipo "O Petróleo é Nosso!", como justificativa para mais intervenção estatal na economia com o uso da Petrobrás como instrumento de uma política industrial nacionalista ultrapassada pois a obriga a comprar 65% de suas encomendas no Brasil sob a alegação de combate a "doença da vaca holandesa". Tudo isso claro, com financiamento barato do BNDES para os amigo-empresários.
Dessa forma a Petrobrás, com suas encomendas direcionadas, alimentará cartéis que se estabelecerão no Brasil, cobrando mais caro por produtos e serviços piores, reeditando o ciclo vicioso dos anos 70 que desaguaram na crise da dívida externa e na hiperinflação dos anos 80.
Para quem se sentir confortável em ser sócio do Governo nessa empreitada a hora é agora.
Eu particularmente, preferiria estar em um ambiente de maior competição e de menos intervenção, pois foi graças ao fim do monopólio na exploração do petróleo que a Petrobrás saiu do ostracismo e se tornou uma empresa eficiente e respeitada no mundo todo.
Celebrada como a maior operação da história do mercado de capitais de todos os tempos (bem ao estilo Nosso Guia), a operação de capitalização da Petrobrás já tem um grande vencedor : o Governo no seu estado mais intervencionista.
O atual projeto de exploração do pré-sal está sendo vendido para o grande público, especialmente para o menos esclarecido, como sendo o nosso bilhete premiado para o mundo desenvolvido, pois teremos mais recursos para educação, saúde, infra-estrutura, etc.
Pelo seu fácil apelo popular, estamos presenciando o retorno simulado de uma campanha do tipo "O Petróleo é Nosso!", como justificativa para mais intervenção estatal na economia com o uso da Petrobrás como instrumento de uma política industrial nacionalista ultrapassada pois a obriga a comprar 65% de suas encomendas no Brasil sob a alegação de combate a "doença da vaca holandesa". Tudo isso claro, com financiamento barato do BNDES para os amigo-empresários.
Dessa forma a Petrobrás, com suas encomendas direcionadas, alimentará cartéis que se estabelecerão no Brasil, cobrando mais caro por produtos e serviços piores, reeditando o ciclo vicioso dos anos 70 que desaguaram na crise da dívida externa e na hiperinflação dos anos 80.
Para quem se sentir confortável em ser sócio do Governo nessa empreitada a hora é agora.
Eu particularmente, preferiria estar em um ambiente de maior competição e de menos intervenção, pois foi graças ao fim do monopólio na exploração do petróleo que a Petrobrás saiu do ostracismo e se tornou uma empresa eficiente e respeitada no mundo todo.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Nosso Atual Momento Político
Solicitei ao amigo Marcelo Viana do MBA da FGV autorização para publicar no blog um comentário dele que recebi por e-mail sobre o nosso atual momento político.
O título do post é meu mas poderia ser qualquer uma das várias frases de alerta que ele nos faz em seu comentário. Marcelo, obrigado!
"Companheiros de luta,
Sócrates já advertia contra os malefícios que os discursos belos, mas mentirosos, dos sofistas causavam à democracia ateniense. A arte retórica não deve se sobrepor à busca pela verdade. Mesmo assim, o discurso ainda permanece como a base da sociedade organizada e, mais que isso, do próprio pensamento humano (o que não significa que o pensamento humano sirva pra muita coisa).
José Serra parece estar mudando o discurso. Para melhor, no sentido platônico. Ontem, numa reunião com prefeitos, Serra deu sinais de que vai bater, sim, no PT. Já não era sem tempo. Um dos piores males que o PT fez a Banânia foi caracterizar o embate de idéias discordantes como "discurso de ódio". Mas a fala de Serra ontem, se possui algum ódio, não deixa entrevê-lo numa leitura honesta. Antes, o que há são verdades que os assassinos morais do PT tentam esconder a qualquer custo.
O PT tem, sim, a mentira como método, a ilegalidade como regra e a encenação como realidade imposta. A verdade é que os sofistas são eles. A verdade é que Banânia deixou de ganhar a seriedade que procurava construir aos poucos, com esforço, por causa da esquerda que sempre buscou fins sem justificar os meios.
A verdade é que Serra será, sim, um melhor presidente que Lula, até porque isso não é muito difícil. A verdade é que Dilma, por mais que seja maquiada, embrulhada e empurrada para nosso consumo, pode ser pior que Lula (possibilidade surreal, não?). A verdade é que a verdade se impõe.
Serra precisa se impor. Não que ele seja a verdade. Se Banânia, em vez de uma tirania da esquerda, fosse uma democracia de verdade, eu teria a opção de votar num candidato conservador de direita. O problema é que isso seria considerado um extremismo radical terrível no léxico político que vigora por aqui. Mas Serra, pelo menos, reconhece os princípios democráticos e os respeita.
Não tripudia sobre eles, como fez Lula ao comemorar o fato de esta ser a primeira eleição brasileira só com candidatos de esquerda. Como se ele soubesse distinguir um lado do outro (na verdade, acho que esta é a explicação para seu desequilíbrio digital: ele precisava, pelo menos, saber diferenciar qual era o lado esquerdo do direito). Serra pode ser feio, chato e centralizador.
Mas isso eu também sou, e com muito mais cinismo que ele. O fato, por outro lado, é que Serra é honesto, qualificado, experiente, trabalhador e sério. Talvez seja por isso que tanta gente naõ goste dele. De fato, são qualidades que os bananescos não costumam valorizar, já que eles próprios não cultivam esses valores. Isso explica o índice de aprovação do governo Lula. Não é a economia, estúpido!; é a integridade moral, origem basilar da política.
Lula e Dilma deturpam nossa política exatamente porque não são íntegros, no sentido mais imediato: não sabem quem são em sua inteireza. Vivem de acordo com as contingências imediatas de seus interesses de poder. Esquecem, ou não sabem, que o poder é apenas um meio, e nunca será um fim por si só, por mais deturpados que estejam os homens. Por isso a necessidade de criar o mito do futuro inalcançável.
A luta partidária sem escrúpulos é apenas a superfície do que é uma falha de caráter, de novo, de integridade. Sem o mito futuro, as criaturas Lula e Dilma perdem a falsa fantasia com que se cobrem, e voltam a ser o que atualmente são: homens incapacitados para a vida pública, porque só pensam pelos apetites vorazes de seus abdômens.
Não são seres humanos que saibam ordenar e viver de acordo com a hierarquia do espírito que anima o intelecto e do intelecto que controla o sensível. São revolucionários no sentido mais original do termo: invertem a ordem humana natural, e extrapolam os limites de seus apetites a todas as esferas das vidas pública e privada. Daí vem a grande necessidade de Lula de se identificar com o que há de mais baixo em nós. Lula é uma besta, e Dilma, sua criatura.
Lula e Dilma são, com certeza, sofistas e tiranos da pior espécie. E, se há alguma tragédia e esperança nisso tudo, é que Serra é o melhor Sócrates que temos à disposição no momento. Sim, é muito pouco e a comparação chega a ser ridícula, admito sem reservas. É apenas um artifício retórico. Mas cabe a nós, hoje, decidir quem condenaremos à cicuta amanhã: Lula e seus sofistas ou Banânia e seus cidadãos de bem.
No link, a íntegra do discurso de Serra. E espalhem pelos seus contatos. Lembrem-se daquela famosa frase: "para os maus vencerem, basta que os bons não façam nada."
Abraços,
Marcelo Viana"
O título do post é meu mas poderia ser qualquer uma das várias frases de alerta que ele nos faz em seu comentário. Marcelo, obrigado!
"Companheiros de luta,
Sócrates já advertia contra os malefícios que os discursos belos, mas mentirosos, dos sofistas causavam à democracia ateniense. A arte retórica não deve se sobrepor à busca pela verdade. Mesmo assim, o discurso ainda permanece como a base da sociedade organizada e, mais que isso, do próprio pensamento humano (o que não significa que o pensamento humano sirva pra muita coisa).
José Serra parece estar mudando o discurso. Para melhor, no sentido platônico. Ontem, numa reunião com prefeitos, Serra deu sinais de que vai bater, sim, no PT. Já não era sem tempo. Um dos piores males que o PT fez a Banânia foi caracterizar o embate de idéias discordantes como "discurso de ódio". Mas a fala de Serra ontem, se possui algum ódio, não deixa entrevê-lo numa leitura honesta. Antes, o que há são verdades que os assassinos morais do PT tentam esconder a qualquer custo.
O PT tem, sim, a mentira como método, a ilegalidade como regra e a encenação como realidade imposta. A verdade é que os sofistas são eles. A verdade é que Banânia deixou de ganhar a seriedade que procurava construir aos poucos, com esforço, por causa da esquerda que sempre buscou fins sem justificar os meios.
A verdade é que Serra será, sim, um melhor presidente que Lula, até porque isso não é muito difícil. A verdade é que Dilma, por mais que seja maquiada, embrulhada e empurrada para nosso consumo, pode ser pior que Lula (possibilidade surreal, não?). A verdade é que a verdade se impõe.
Serra precisa se impor. Não que ele seja a verdade. Se Banânia, em vez de uma tirania da esquerda, fosse uma democracia de verdade, eu teria a opção de votar num candidato conservador de direita. O problema é que isso seria considerado um extremismo radical terrível no léxico político que vigora por aqui. Mas Serra, pelo menos, reconhece os princípios democráticos e os respeita.
Não tripudia sobre eles, como fez Lula ao comemorar o fato de esta ser a primeira eleição brasileira só com candidatos de esquerda. Como se ele soubesse distinguir um lado do outro (na verdade, acho que esta é a explicação para seu desequilíbrio digital: ele precisava, pelo menos, saber diferenciar qual era o lado esquerdo do direito). Serra pode ser feio, chato e centralizador.
Mas isso eu também sou, e com muito mais cinismo que ele. O fato, por outro lado, é que Serra é honesto, qualificado, experiente, trabalhador e sério. Talvez seja por isso que tanta gente naõ goste dele. De fato, são qualidades que os bananescos não costumam valorizar, já que eles próprios não cultivam esses valores. Isso explica o índice de aprovação do governo Lula. Não é a economia, estúpido!; é a integridade moral, origem basilar da política.
Lula e Dilma deturpam nossa política exatamente porque não são íntegros, no sentido mais imediato: não sabem quem são em sua inteireza. Vivem de acordo com as contingências imediatas de seus interesses de poder. Esquecem, ou não sabem, que o poder é apenas um meio, e nunca será um fim por si só, por mais deturpados que estejam os homens. Por isso a necessidade de criar o mito do futuro inalcançável.
A luta partidária sem escrúpulos é apenas a superfície do que é uma falha de caráter, de novo, de integridade. Sem o mito futuro, as criaturas Lula e Dilma perdem a falsa fantasia com que se cobrem, e voltam a ser o que atualmente são: homens incapacitados para a vida pública, porque só pensam pelos apetites vorazes de seus abdômens.
Não são seres humanos que saibam ordenar e viver de acordo com a hierarquia do espírito que anima o intelecto e do intelecto que controla o sensível. São revolucionários no sentido mais original do termo: invertem a ordem humana natural, e extrapolam os limites de seus apetites a todas as esferas das vidas pública e privada. Daí vem a grande necessidade de Lula de se identificar com o que há de mais baixo em nós. Lula é uma besta, e Dilma, sua criatura.
Lula e Dilma são, com certeza, sofistas e tiranos da pior espécie. E, se há alguma tragédia e esperança nisso tudo, é que Serra é o melhor Sócrates que temos à disposição no momento. Sim, é muito pouco e a comparação chega a ser ridícula, admito sem reservas. É apenas um artifício retórico. Mas cabe a nós, hoje, decidir quem condenaremos à cicuta amanhã: Lula e seus sofistas ou Banânia e seus cidadãos de bem.
No link, a íntegra do discurso de Serra. E espalhem pelos seus contatos. Lembrem-se daquela famosa frase: "para os maus vencerem, basta que os bons não façam nada."
Abraços,
Marcelo Viana"
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Sobre Sapos e Princípios
Tente colocar um sapo dentro de uma panela com água fervendo. O sapo reage rapidamente e pula fora da panela.
Agora coloque o sapo em uma panela de água fria e eleve a temperatura da água gradativamente. Sabe o que acontece? Nada. O sapo permanece tranquilo pois foi se adaptando ao aumento da temperatura.
O pequeno experimento serve para ilustrar a grave situação que nos defrontamos hoje quando ao meu ver está em curso uma tentativa gradual mas persistente por parte do Governo de restringir nossas liberdades constitucionais.
O caso mais recente da quebra do sigilo fiscal de algumas pessoas relacionadas com o principal partido de oposição e a filha de Serra, é exemplar. O Estado deixou de ser republicano e atende (ou é usado) para servir a um partido ou grupo de pessoas relacionadas ao poder.
Não podemos por conta de um momento econômico favorável, abrir mão de princípios que são os alicerces do que todos consideram fundamentais para a democracia. Não há meio termo nem acordo nesse sentido.
China e Rússia também passam por um período de boom econômico até maior do que o nosso.
Mas experimente ser de oposição por lá.
Agora coloque o sapo em uma panela de água fria e eleve a temperatura da água gradativamente. Sabe o que acontece? Nada. O sapo permanece tranquilo pois foi se adaptando ao aumento da temperatura.
O pequeno experimento serve para ilustrar a grave situação que nos defrontamos hoje quando ao meu ver está em curso uma tentativa gradual mas persistente por parte do Governo de restringir nossas liberdades constitucionais.
O caso mais recente da quebra do sigilo fiscal de algumas pessoas relacionadas com o principal partido de oposição e a filha de Serra, é exemplar. O Estado deixou de ser republicano e atende (ou é usado) para servir a um partido ou grupo de pessoas relacionadas ao poder.
Não podemos por conta de um momento econômico favorável, abrir mão de princípios que são os alicerces do que todos consideram fundamentais para a democracia. Não há meio termo nem acordo nesse sentido.
China e Rússia também passam por um período de boom econômico até maior do que o nosso.
Mas experimente ser de oposição por lá.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Minhas Razões para o Ruim ou Péssimo
De acordo com a última pesquisa Ibope sob a avaliação do atual Governo, estou entre aqueles míseros 4% da população que o consideram "ruim ou péssimo".
De modo a evitar embaraços para familiares e amigos, resolvi listar algumas razões para justificar minha avaliação, caso algum dia um instituto de pesquisa queira saber a minha opinião:
Economia: nada fez. O Governo Lula apenas deu continuidade às políticas econômicas do Governo FHC (graças a Deus!). Não considero nenhum mérito de Lula ter dado continuidade ao tripé metas de inflação, câmbio flexível e superávit primário, implantado por FHC.
Área Social: idem. O Bolsa Família foi adotado na administração passada a partir de um projeto desenvolvido inicialmente em Campinas e adotado em Brasília. O atual governo expandiu o seu alcance e afrouxou os controles.
Educação: o programa mais visível de Lula foi o ProUni, de alcance duvidoso. No ensino básico e médio estão aí as provas à nível nacional e internacional, que analisadas corretamente, mostram que estamos patinando enquanto nossos concorrentes avançam.
Gestão Pública: desastre total. Contratação desenfreada de pessoal, aparelhamento dos cargos de confiança, aumento da folha salarial acima da inflação e PIB. Tudo sob a falácia de que gasto público não é despesa e sim investimento.
Política Internacional: apoio incondicional a ditadores e regimes totalitários e os "sucessos" de acordo nuclear com Irã e na mediação de um acordo de paz no Oriente Médio falam por si. Fracasso na tentativa de eleger um brasileiro para cargos de importância em algum órgão internacional de peso.
Política Industrial: reintrodução do intervencionismo estatal, eleição de empresas campeãs turbinadas com financiamento farto e subsidiado do BNDES às custas do contribuinte brasileiro.
Meio Ambiente: a Ministra encarregada da pasta no início do Governo, pediu demissão e concorre a eleição por outro partido. Sem comentários.
Setor Bancário: lucros do setor cresceram 420% no Governo Lula em relação ao Governo FHC. Destaque para as políticas de crédito do Banco do Brasil e Caixa. Um dia a conta chega.
Reformas Estruturais: nenhuma. Reforma fiscal, trabalhista, política e previdenciária ficaram para o próximo governo lúcido. Corremos o risco de esperar por mais 12 anos.
Base Governista: José Sarney, Fernando Collor, Jader Barbalho, Renan Calheiros e Severino Cavalcanti, só para citar alguns. Partidos submissos e dóceis brigando por cargos. Congresso desmoralizado após o escândalo do mensalão ("eu não sabia de nada!").
Pré-sal e Petrobrás: tentativa tosca da volta da campanha do "Petróleo é Nosso!". Politizar a questão significa prejudicar acionistas (especialmente estrangeiros) da Petrobrás, endividar a empresa acima da sua capacidade e criar cargos para amigos em estatais.
Royalties do Petróleo: a maneira que o Congresso com base Lulista arranjou para fazer política de bairro com o dinheiro dos estados produtores. Mas os cariocas vão dar o troco e ajudarão a eleger a candidata oficial.
Resumindo o Governo Lula: seu "sucesso"pode ser explicado pelo exuberante crescimento econômico mundial e pelo apetite chinês por nossas commodities (ferro e soja principalmente) durante o seu mandato e pela manutenção e ampliação de políticas criadas no Governo FHC.
Mas apesar de todo esse ambiente favorável, o Brasil não cresceu mais do que a maioria dos países emergentes no mesmo período e nem lançou as bases que assegurará um crescimento sustentável no longo prazo.
De modo a evitar embaraços para familiares e amigos, resolvi listar algumas razões para justificar minha avaliação, caso algum dia um instituto de pesquisa queira saber a minha opinião:
Economia: nada fez. O Governo Lula apenas deu continuidade às políticas econômicas do Governo FHC (graças a Deus!). Não considero nenhum mérito de Lula ter dado continuidade ao tripé metas de inflação, câmbio flexível e superávit primário, implantado por FHC.
Área Social: idem. O Bolsa Família foi adotado na administração passada a partir de um projeto desenvolvido inicialmente em Campinas e adotado em Brasília. O atual governo expandiu o seu alcance e afrouxou os controles.
Educação: o programa mais visível de Lula foi o ProUni, de alcance duvidoso. No ensino básico e médio estão aí as provas à nível nacional e internacional, que analisadas corretamente, mostram que estamos patinando enquanto nossos concorrentes avançam.
Gestão Pública: desastre total. Contratação desenfreada de pessoal, aparelhamento dos cargos de confiança, aumento da folha salarial acima da inflação e PIB. Tudo sob a falácia de que gasto público não é despesa e sim investimento.
Política Internacional: apoio incondicional a ditadores e regimes totalitários e os "sucessos" de acordo nuclear com Irã e na mediação de um acordo de paz no Oriente Médio falam por si. Fracasso na tentativa de eleger um brasileiro para cargos de importância em algum órgão internacional de peso.
Política Industrial: reintrodução do intervencionismo estatal, eleição de empresas campeãs turbinadas com financiamento farto e subsidiado do BNDES às custas do contribuinte brasileiro.
Meio Ambiente: a Ministra encarregada da pasta no início do Governo, pediu demissão e concorre a eleição por outro partido. Sem comentários.
Setor Bancário: lucros do setor cresceram 420% no Governo Lula em relação ao Governo FHC. Destaque para as políticas de crédito do Banco do Brasil e Caixa. Um dia a conta chega.
Reformas Estruturais: nenhuma. Reforma fiscal, trabalhista, política e previdenciária ficaram para o próximo governo lúcido. Corremos o risco de esperar por mais 12 anos.
Base Governista: José Sarney, Fernando Collor, Jader Barbalho, Renan Calheiros e Severino Cavalcanti, só para citar alguns. Partidos submissos e dóceis brigando por cargos. Congresso desmoralizado após o escândalo do mensalão ("eu não sabia de nada!").
Pré-sal e Petrobrás: tentativa tosca da volta da campanha do "Petróleo é Nosso!". Politizar a questão significa prejudicar acionistas (especialmente estrangeiros) da Petrobrás, endividar a empresa acima da sua capacidade e criar cargos para amigos em estatais.
Royalties do Petróleo: a maneira que o Congresso com base Lulista arranjou para fazer política de bairro com o dinheiro dos estados produtores. Mas os cariocas vão dar o troco e ajudarão a eleger a candidata oficial.
Resumindo o Governo Lula: seu "sucesso"pode ser explicado pelo exuberante crescimento econômico mundial e pelo apetite chinês por nossas commodities (ferro e soja principalmente) durante o seu mandato e pela manutenção e ampliação de políticas criadas no Governo FHC.
Mas apesar de todo esse ambiente favorável, o Brasil não cresceu mais do que a maioria dos países emergentes no mesmo período e nem lançou as bases que assegurará um crescimento sustentável no longo prazo.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Ninguém Aguenta Mais...
(Dos mesmos criadores do "Amar é...")
Ninguém aguenta mais...
1. Mãe Dilma e Pai Lula
2. "Já ganhou no primeiro turno" da turma da candidata oficial
3. Partilha de cargos antecipada na base de apoio da candidata oficial
4. Briga no PT por cargos no futuro governo de Mamãe
5. "Zé" Serra falando de saúde
6. Sigilo fiscal da oposição quebrado
7. Controle social da mídia
8. Inauguração de obra inacabada do PAC
9. Definição do preço do barril de petróleo para capitalização da Petrobrás
10. Lula dizendo que quem resolve é ele (o preço do barril de petróleo) pois o assunto deve ser tratado politicamente
11. Horário eleitoral gratuito
12. Tiririca, Mulher Pêra, Mulher Melão e ex-jogador de futebol candidato
13. Bruno, Macarrão, Bola, etc...
14. Foro de São Paulo
15. Apoio de empresário ao BNDES
16. Casal K agredindo a liberdade de imprensa na Argentina
17. Hugo Chávez agredindo todo o resto
18. China crescendo 10% ao ano
19. Europa não crescendo
20. Derrota do capitalismo de mercado
21. Vitória do capitalismo intervencionista de Estado
22. Candidato prometendo aumentar o Bolsa "qualquer coisa"
A lista é imensa e tenho certeza que cada um tem a sua.
Por favor peço aos meus 17 leitores e meio (o anão do Agamenon também lê o blog) para enviarem sugestões. Prometo atualizar a lista.
Ao contrário do que ocorreu recentemente na Venezuela, toda sugestão será publicada.
Aé mesmo aquela que expressar textualmente:"Ninguém aguenta mais ler esse blog".
Ninguém aguenta mais...
1. Mãe Dilma e Pai Lula
2. "Já ganhou no primeiro turno" da turma da candidata oficial
3. Partilha de cargos antecipada na base de apoio da candidata oficial
4. Briga no PT por cargos no futuro governo de Mamãe
5. "Zé" Serra falando de saúde
6. Sigilo fiscal da oposição quebrado
7. Controle social da mídia
8. Inauguração de obra inacabada do PAC
9. Definição do preço do barril de petróleo para capitalização da Petrobrás
10. Lula dizendo que quem resolve é ele (o preço do barril de petróleo) pois o assunto deve ser tratado politicamente
11. Horário eleitoral gratuito
12. Tiririca, Mulher Pêra, Mulher Melão e ex-jogador de futebol candidato
13. Bruno, Macarrão, Bola, etc...
14. Foro de São Paulo
15. Apoio de empresário ao BNDES
16. Casal K agredindo a liberdade de imprensa na Argentina
17. Hugo Chávez agredindo todo o resto
18. China crescendo 10% ao ano
19. Europa não crescendo
20. Derrota do capitalismo de mercado
21. Vitória do capitalismo intervencionista de Estado
22. Candidato prometendo aumentar o Bolsa "qualquer coisa"
A lista é imensa e tenho certeza que cada um tem a sua.
Por favor peço aos meus 17 leitores e meio (o anão do Agamenon também lê o blog) para enviarem sugestões. Prometo atualizar a lista.
Ao contrário do que ocorreu recentemente na Venezuela, toda sugestão será publicada.
Aé mesmo aquela que expressar textualmente:"Ninguém aguenta mais ler esse blog".
Um Mundo Cada Vez Mais Dependente da China
Na coluna dessa semana no site "Investimentos e Notícias" comento a cada vez maior dependência do mundo com relação ao crescimento chinês (ver artigo).
Apesar do grande alarde recente pelo fato do PIB da China ter superado o do Japão, o fato é que ela sozinha não consegue impulsionar o consumo global, que ainda é muito dependente tanto dos EUA como da União Européia.
Hoje podemos comparar a delicada situação da economia mundial com a de um avião que tem 3 de suas 4 turbinas avariadas e que para sair da grande zona de turbulência que tem pela frente depende da turbina que resta funcionando a todo vapor, além da ajuda proveniente do sopro de seus passageiros, para ficar no ar.
Os passageiros do avião são os países emergentes que sopram a plenos pulmões, na ânsia de que o avião não caia, o que levaria para baixo o preço de suas exportações primárias e por conseguinte abortando seu crescimento.
Embora atualmente freqüente a primeira classe, o Brasil está cada vez mais dependente da "turbina" econômica chinesa.
Apesar do grande alarde recente pelo fato do PIB da China ter superado o do Japão, o fato é que ela sozinha não consegue impulsionar o consumo global, que ainda é muito dependente tanto dos EUA como da União Européia.
Hoje podemos comparar a delicada situação da economia mundial com a de um avião que tem 3 de suas 4 turbinas avariadas e que para sair da grande zona de turbulência que tem pela frente depende da turbina que resta funcionando a todo vapor, além da ajuda proveniente do sopro de seus passageiros, para ficar no ar.
Os passageiros do avião são os países emergentes que sopram a plenos pulmões, na ânsia de que o avião não caia, o que levaria para baixo o preço de suas exportações primárias e por conseguinte abortando seu crescimento.
Embora atualmente freqüente a primeira classe, o Brasil está cada vez mais dependente da "turbina" econômica chinesa.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O País dos Descolados
Em breve seremos um país com uma camêra na mão e uma idéia na cabeça!
Ou seria uma camêra na mão, uma roupa transada e nada na cabeça?
Depois de descobrir que temos 128 cursos superiores em Moda e uma quantidade incalculável em Cinema (artigo do Sardenberg de hoje no Globo), fiquei pensando nas perspectivas profissionais para essa multidão de estilistas e cineastas que nossas faculdades despejam no mercado a cada ano.
Vamos fazer um exercício. Consideremos uma quantidade igual de cursos superiores em Moda e Cinema e que cada um forma 15 alunos por ano. Chegaremos a aproximadamente 2 mil graduados em cada uma das profissões.
Agora eu pergunto a você: temos mercado de trabalho para absorver novas 4 mil pessoas com essa formação a cada ano? Acho que nem em Paris e Hollywood, para ficarmos nos principais mercados por especialização.
O que isso implica? Em uma oferta muito grande de mão-de-obra em um mercado consumidor pequeno. De acordo com aquela leizinha básica de Economia, isso se traduzirá em baixos salários.
Na verdade o problema começa com o que se ensina no Brasil e com o tipo de profissionias que desejamos formar para o mercado de trabalho. Infelizmente medidas recentemente propostas pelo Governo e aprovadas pelo Congresso nos dão uma boa idéia do caminho que escolhemos.
Ao tornar obrigatórias para o ensino básico disciplinas como sociologia, filosofia, cultura afro-brasileira e indígena (só para citar algumas), estamos necessariamente diminuindo o tempo para o ensino em disciplinas que as prepararão para um mercado de trabalho extremamente competitivo, tais como português, matemática, ciências e inglês.
Ou seja com a péssima formação curricular que estamos oferecendo hoje, estamos comprometendo o país para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Isso se traduzirá em um país condenado a importar produtos e serviços de tecnologia avançada e a exportar produtos primários ou de baixo valor agregado. Haja boi, minério de ferro e petróleo!
Se você ainda não entendeu o tamanho do problema, pense no seguinte: você prefere que seu filho seja o cara que faz o filmete para vai passar no YouTube e divertir a galera ou o cara que inventou o YouTube e ganha dinheiro disponibilizando para os descolados um espaço para eles colocarem as suas criações e as empresas anunciarem?
Ainda está pensando? Seu filho deve ser descoladíssimo...
Para terminar. A PUC do Rio de Janeiro, Universidade de padrão científico com reconhecimento mundial, formou no ano passado 3 físicos, 2 matemáticos e 27 bacharéis em Cinema!
Ou seria uma camêra na mão, uma roupa transada e nada na cabeça?
Depois de descobrir que temos 128 cursos superiores em Moda e uma quantidade incalculável em Cinema (artigo do Sardenberg de hoje no Globo), fiquei pensando nas perspectivas profissionais para essa multidão de estilistas e cineastas que nossas faculdades despejam no mercado a cada ano.
Vamos fazer um exercício. Consideremos uma quantidade igual de cursos superiores em Moda e Cinema e que cada um forma 15 alunos por ano. Chegaremos a aproximadamente 2 mil graduados em cada uma das profissões.
Agora eu pergunto a você: temos mercado de trabalho para absorver novas 4 mil pessoas com essa formação a cada ano? Acho que nem em Paris e Hollywood, para ficarmos nos principais mercados por especialização.
O que isso implica? Em uma oferta muito grande de mão-de-obra em um mercado consumidor pequeno. De acordo com aquela leizinha básica de Economia, isso se traduzirá em baixos salários.
Na verdade o problema começa com o que se ensina no Brasil e com o tipo de profissionias que desejamos formar para o mercado de trabalho. Infelizmente medidas recentemente propostas pelo Governo e aprovadas pelo Congresso nos dão uma boa idéia do caminho que escolhemos.
Ao tornar obrigatórias para o ensino básico disciplinas como sociologia, filosofia, cultura afro-brasileira e indígena (só para citar algumas), estamos necessariamente diminuindo o tempo para o ensino em disciplinas que as prepararão para um mercado de trabalho extremamente competitivo, tais como português, matemática, ciências e inglês.
Ou seja com a péssima formação curricular que estamos oferecendo hoje, estamos comprometendo o país para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Isso se traduzirá em um país condenado a importar produtos e serviços de tecnologia avançada e a exportar produtos primários ou de baixo valor agregado. Haja boi, minério de ferro e petróleo!
Se você ainda não entendeu o tamanho do problema, pense no seguinte: você prefere que seu filho seja o cara que faz o filmete para vai passar no YouTube e divertir a galera ou o cara que inventou o YouTube e ganha dinheiro disponibilizando para os descolados um espaço para eles colocarem as suas criações e as empresas anunciarem?
Ainda está pensando? Seu filho deve ser descoladíssimo...
Para terminar. A PUC do Rio de Janeiro, Universidade de padrão científico com reconhecimento mundial, formou no ano passado 3 físicos, 2 matemáticos e 27 bacharéis em Cinema!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Definindo o Estado Brasileiro
Para quem não se lembra do caso, vai um pequeno resumo: dois juizes membros do Conselho Nacional de Justiça são condenados por venderem sentenças. Afastados são "condenados" a ficarem em casa recebendo seus salários de R$ 25 mil mensais até a morte, com o "agravante" de poderem transmitir aos seus familiares seus ordenados.
Isso mesmo que você leu: eles cometem o crime e nós (todos os contribuintes) somos condenados a pagar-lhes para que fiquem em casa.
Essa "pérola do bom senso" é uma boa amostra de como o Estado brasileiro e seus beneficiários diretos utilizam o país (na forma de impostos cobrados à sociedade) em benefício próprio.
As palavras de Roberto DaMatta em seu artigo de hoje em O Globo definem muito bem o tipo de Estado brasileiro:
"Uma prova cabal de como o Estado brasileiro aristocratiza cargos e pessoas. mais do que um clássico patrimonialismo, temos um estado republicano de molde imperial e aristocrático, no qual alguns cargos e poderes penetram a carne e o sangue na pessoa que deles tomam posse.
Com isso, são muito mais do que sócios ou donos do aparelho estatal, como ocorre no patrimonialismo, pois passam a ser filhos diletos e herdeiros deste Estado que sempre é forte com os fracos e fraco com os fortes".
Isso mesmo que você leu: eles cometem o crime e nós (todos os contribuintes) somos condenados a pagar-lhes para que fiquem em casa.
Essa "pérola do bom senso" é uma boa amostra de como o Estado brasileiro e seus beneficiários diretos utilizam o país (na forma de impostos cobrados à sociedade) em benefício próprio.
As palavras de Roberto DaMatta em seu artigo de hoje em O Globo definem muito bem o tipo de Estado brasileiro:
"Uma prova cabal de como o Estado brasileiro aristocratiza cargos e pessoas. mais do que um clássico patrimonialismo, temos um estado republicano de molde imperial e aristocrático, no qual alguns cargos e poderes penetram a carne e o sangue na pessoa que deles tomam posse.
Com isso, são muito mais do que sócios ou donos do aparelho estatal, como ocorre no patrimonialismo, pois passam a ser filhos diletos e herdeiros deste Estado que sempre é forte com os fracos e fraco com os fortes".
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O Estado Empreendedor: De Volta para o Passado?
Na coluna dessa semana no site Investimentos e Notícias comento a crescente onda mundial intervencionista de vários governos em suas economias (ver artigo).
Para muitos países diante da necessidade urgente de crescer a economia e gerar empregos, a solução tem sido ressuscitar políticas industriais, que no passado se traduziram em muito gasto de dinheiro público, para um pequeno número de estórias de sucesso.
Por essas bandas tropicias temos visto cada vez mais liberações do BNDES a juros subsidiados em projetos de rentabilidade duvidosa mas de grande interesse do governo. De 2008 até a data, 2 estatais e 10 empresas privadas ficaram com expressivos 57% do total de financiamentos concedidos pelo Banco.
Pior ainda é a similaridade da prática (de tomar emprestado do Tesouro a juros mais altos do que empresta para os projetos) com a perigosa e explosiva relação que os governadores tinham com seus bancos estaduais.
Será que vamos assistir a reprise do filme de terror da década de 80 quando inúmeros esqueletos foram plantados em armários para gerações futuras?
Para muitos países diante da necessidade urgente de crescer a economia e gerar empregos, a solução tem sido ressuscitar políticas industriais, que no passado se traduziram em muito gasto de dinheiro público, para um pequeno número de estórias de sucesso.
Por essas bandas tropicias temos visto cada vez mais liberações do BNDES a juros subsidiados em projetos de rentabilidade duvidosa mas de grande interesse do governo. De 2008 até a data, 2 estatais e 10 empresas privadas ficaram com expressivos 57% do total de financiamentos concedidos pelo Banco.
Pior ainda é a similaridade da prática (de tomar emprestado do Tesouro a juros mais altos do que empresta para os projetos) com a perigosa e explosiva relação que os governadores tinham com seus bancos estaduais.
Será que vamos assistir a reprise do filme de terror da década de 80 quando inúmeros esqueletos foram plantados em armários para gerações futuras?
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Salvação no Apagar das Luzes
Não me surpreenderei se por esses dias a novela Sakineh tiver um final feliz.
Seria uma forma do amigo e companheiro Ahmadinejad carinhosamente retribuir o favor recebido pelo patrocínio do acordo "cortina de fumaça" anunciado em maio passado.
O momento político doméstico não poderia ser melhor, especialmente se as pesquisas a serem divulgadas por esses dias indicarem a manutenção (ou ampliação) da vantagem da candidata oficial.
Seria uma forma do amigo e companheiro Ahmadinejad carinhosamente retribuir o favor recebido pelo patrocínio do acordo "cortina de fumaça" anunciado em maio passado.
O momento político doméstico não poderia ser melhor, especialmente se as pesquisas a serem divulgadas por esses dias indicarem a manutenção (ou ampliação) da vantagem da candidata oficial.
Sobre Bajuladores e Bajulados
Algumas frases tiradas da excelente coluna "A Bajulação Corrompe" de Rodrigo Constantino hoje no Globo:
"A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose; os admiradores corrompem" - Nelson Rodrigues
"O enganador autoenganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista" - Eduardo Giannetti
"Nas cortes dos príncipes, onde sucesso e privilégios dependem não da estima de inteligentes e bem informados, mas do favor de superiores presunçosos e arrogantes, a adulação e a falsidade prevalecem sobre mérito e habilidades" - Adam Smith
"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica" - Norman Vincent
"A má conduta deve ser punida, independentemente de seu autor. Ninguém está acima da lei, e os fins não justificam os meios. O cinismo não é uma virtude. A ética não pode ser jogada no lixo, em troca de migalhas" - Rodrigo Constantino
"A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose; os admiradores corrompem" - Nelson Rodrigues
"O enganador autoenganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista" - Eduardo Giannetti
"Nas cortes dos príncipes, onde sucesso e privilégios dependem não da estima de inteligentes e bem informados, mas do favor de superiores presunçosos e arrogantes, a adulação e a falsidade prevalecem sobre mérito e habilidades" - Adam Smith
"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica" - Norman Vincent
"A má conduta deve ser punida, independentemente de seu autor. Ninguém está acima da lei, e os fins não justificam os meios. O cinismo não é uma virtude. A ética não pode ser jogada no lixo, em troca de migalhas" - Rodrigo Constantino
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Mais um Atentado contra as Mulheres
Fiquei ciente dos detalhes do caso de paternidade envolvendo o Vice Alencar esse final de semana. Configura mais um caso clássico dos poderosos da República Sindical contra os desprotegidos do andar de baixo, como diria o jornalista Elio Gaspari.
Segundo Noblat na sua coluna de hoje do Globo, Alencar conheceu Francisca em Caratinga e manteve com ela um relacionamento público durante 3 anos até 1955, quando ela engravidou.
Testemunhas arroladas em juízo garantiram que Francisca era enfermeira e que Alencar dormia em sua casa pelo menos um dia na semana, toda vez que ia à cidade.
Perto de seu falecimento Francisca revela a filha Rosemary quem era o seu verdadeiro pai. Essa, entra na Justiça com um processo de paternidade em 2001. Os advogados de Alencar sistematicamente tentam extinguir o processo por meio de inúmeros recursos.
Em sua defesa Alencar nega qualquer relacionamento e a acusa de frequentar zona de meretrício (o tradicional puteiro), chegando a fazer piada do ocorrido em recente programa do Jô: "Todo mundo que foi a zona, pode ser pai".
Alencar se recusa a fazer o teste de DNA alegando que eles não são 100% seguros, apesar de ser inferior a 1% a sua chance de erro. Como a legislação brasileira é muito clara nessa aspecto, a recusa em fazer o teste deu a Rosemary o direito de usar o nome do pai e a sua herança.
Muito triste esse caso. Empresário de sucesso do setor têxtil (freguês assíduo do BNDES e de amplos incentivos fiscais, diga-se de passagem) e sofrendo de um câncer a 13 anos, Alencar faz questão absoluta de rasgar a sua biografia no final da vida.
Em primeiro lugar como pessoa pública e pela solidariedade que vem recebendo dos brasileiros em seu momento mais difícil, deveria dar o exemplo.
Segundo porque fico imaginando como se sentirão todas as enfermeiras que cuidaram, cuidam e cuidarão do atual Vice.
E por fim pelo atentado à memória de uma pessoa que lhe deu carinho, amor, uma filha e que não pode se defender da torpe acusação de meretrício.
Mulheres no Brasil conseguem ser vilipendiadas mesmo depois de mortas.
Segundo Noblat na sua coluna de hoje do Globo, Alencar conheceu Francisca em Caratinga e manteve com ela um relacionamento público durante 3 anos até 1955, quando ela engravidou.
Testemunhas arroladas em juízo garantiram que Francisca era enfermeira e que Alencar dormia em sua casa pelo menos um dia na semana, toda vez que ia à cidade.
Perto de seu falecimento Francisca revela a filha Rosemary quem era o seu verdadeiro pai. Essa, entra na Justiça com um processo de paternidade em 2001. Os advogados de Alencar sistematicamente tentam extinguir o processo por meio de inúmeros recursos.
Em sua defesa Alencar nega qualquer relacionamento e a acusa de frequentar zona de meretrício (o tradicional puteiro), chegando a fazer piada do ocorrido em recente programa do Jô: "Todo mundo que foi a zona, pode ser pai".
Alencar se recusa a fazer o teste de DNA alegando que eles não são 100% seguros, apesar de ser inferior a 1% a sua chance de erro. Como a legislação brasileira é muito clara nessa aspecto, a recusa em fazer o teste deu a Rosemary o direito de usar o nome do pai e a sua herança.
Muito triste esse caso. Empresário de sucesso do setor têxtil (freguês assíduo do BNDES e de amplos incentivos fiscais, diga-se de passagem) e sofrendo de um câncer a 13 anos, Alencar faz questão absoluta de rasgar a sua biografia no final da vida.
Em primeiro lugar como pessoa pública e pela solidariedade que vem recebendo dos brasileiros em seu momento mais difícil, deveria dar o exemplo.
Segundo porque fico imaginando como se sentirão todas as enfermeiras que cuidaram, cuidam e cuidarão do atual Vice.
E por fim pelo atentado à memória de uma pessoa que lhe deu carinho, amor, uma filha e que não pode se defender da torpe acusação de meretrício.
Mulheres no Brasil conseguem ser vilipendiadas mesmo depois de mortas.
domingo, 8 de agosto de 2010
Na Campanha Presidencial: Algumas Pérolas
Sobre a sua candidata, alçada a condição de mãe de todos os brasileiros depois de ter sido comparada a Jesus Cristo (torturado como ela) e a Nelson Mandela (perseguido por um regime ditatorial):
"Se vocês ainda têm preconceito em votar numa mulher, parem de ser besta. Ela lhe pariu, ela formou o seu caráter. Dê uma chance à sua mãe, já que ela deu tantas chances a você" - Lula.
O comentário é do jornalista Guilherme Fiúza em sua coluna no Globo de sábado último:
"Cada brasileiro tem agora a possibilidade de deixar de ser ingrato, e retribuir a quem sofreu para colocá-lo no mundo. O Brasil que tinha 190 milhões de técnicos de futebol, agora tem 190 milhões de filhos de Dilma e um filho do Brasil".
Mas atenção. Se você é daqueles que ainda não contribuiu para a campanha da candidata oficial, muito em breve você poderá receber uma cartinha da campanha dela, com um singelo lembrete:
"Em 2006, procurei sua empresa como coordenador financeiro do presidente Lula. Naquele momento, sua empresa não aceitou o convite para contribuir com nossa campanha. De todo modo, acredito que ela tenha se beneficiado com os avanços conquistados pelo Brasil..." - José de Filippi Júnior, tesoureiro da campanha de Dilma em carta aos grandes empresários brasileiros que não doaram a Lula em 2006.
Resumindo, se você ainda não percebeu que o Brasil melhorou única e exclusivamente por causa deles, está na hora de abrir a carteira e contribuir.
Caso contrário, eles podem deixar o Serra ganhar e aí você vai ver o que é bom pra tosse!
"Se vocês ainda têm preconceito em votar numa mulher, parem de ser besta. Ela lhe pariu, ela formou o seu caráter. Dê uma chance à sua mãe, já que ela deu tantas chances a você" - Lula.
O comentário é do jornalista Guilherme Fiúza em sua coluna no Globo de sábado último:
"Cada brasileiro tem agora a possibilidade de deixar de ser ingrato, e retribuir a quem sofreu para colocá-lo no mundo. O Brasil que tinha 190 milhões de técnicos de futebol, agora tem 190 milhões de filhos de Dilma e um filho do Brasil".
Mas atenção. Se você é daqueles que ainda não contribuiu para a campanha da candidata oficial, muito em breve você poderá receber uma cartinha da campanha dela, com um singelo lembrete:
"Em 2006, procurei sua empresa como coordenador financeiro do presidente Lula. Naquele momento, sua empresa não aceitou o convite para contribuir com nossa campanha. De todo modo, acredito que ela tenha se beneficiado com os avanços conquistados pelo Brasil..." - José de Filippi Júnior, tesoureiro da campanha de Dilma em carta aos grandes empresários brasileiros que não doaram a Lula em 2006.
Resumindo, se você ainda não percebeu que o Brasil melhorou única e exclusivamente por causa deles, está na hora de abrir a carteira e contribuir.
Caso contrário, eles podem deixar o Serra ganhar e aí você vai ver o que é bom pra tosse!
O Caso da Iraniana: Algumas Citações
"Se vale a minha amizade e carinho pelo presidente do Irã e se essa mulher estiver causando problemas por lá, nós a receberemos de bom grado" - Lula.
"Lula é uma pessoa muito humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso" - Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria iraniana.
"A defesa dos direitos humanos ocidentais são apenas uma política que dissimula com linguagem humanitária e altruísta as ações táticas das grandes potências em defesa de seus próprios interesses estratégicos" - Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (SAE).
Do "colunista" Agamenon Mendes Pedreira que sintetizou com muita propriedade em uma única frase o gesto humanitário de Nosso Guia com a nossa atual política externa de condescendência com ditadores:
"Sempre humanitário, Luís Inácio Mulah da Silva, ofereceu à mulher que vai ser executada no Irã morar em Cuba. A pobre criatura preferiu ser apedrejada" .
"Lula é uma pessoa muito humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso" - Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria iraniana.
"A defesa dos direitos humanos ocidentais são apenas uma política que dissimula com linguagem humanitária e altruísta as ações táticas das grandes potências em defesa de seus próprios interesses estratégicos" - Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (SAE).
Do "colunista" Agamenon Mendes Pedreira que sintetizou com muita propriedade em uma única frase o gesto humanitário de Nosso Guia com a nossa atual política externa de condescendência com ditadores:
"Sempre humanitário, Luís Inácio Mulah da Silva, ofereceu à mulher que vai ser executada no Irã morar em Cuba. A pobre criatura preferiu ser apedrejada" .
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Decepcionante Primeiro Debate Presidencial
Confesso que desanimei ao ver o formato do primeiro debate presidencial. Essa forma engessada de perguntas e respostas com tempo marcado no relógio, inibe o debate aberto com a livre troca de idéias.
E o desempenho dos candidatos?
Dilma foi mais Dilma do que nunca. O visual caprichado não ajudou muito seu fraquíssimo desempenho. Insegura, perdida, sem fluência, além de ter agredido impiedosamente o português.
Será que ela faz questão absoluta em mimetizar o chefe até nos erros de gramática? A diferença é que nele os erros gramaticais vêm junto com o pacote (afinal, é o Lula!) e nela soa falta de conhecimento para uma pessoa que se diz tão preparada para o cargo.
Serra se saiu bem quando rechaçou as tentativas dela de comparar governos. Disse muito bem que o Brasil avançou muito com os últimos 2 governos e que isso já está dado. O que importa agora é saber quem conduzirá melhor o país.
Acho que os petistas devem ter ficado bastante preocupados depois desse primeiro debate. Os tucanos também devem ficar, pois Serra teve uma excelente oportunidade de se distanciar da sua principal opositora, e permitiu que Dilma nivela-se (por baixo) o debate no final.
A pergunta é quando temas espinhosos para o atual governo serão colocados no centro do debate. Os temas embaraçosos para o governo FHC já são página virada e foram duramente pisoteados pelos petistas nos últimos 8 anos.
Está mais do que na hora da oposição trazer a baila temas como a afinidade do atual governo com regimes totalitários, Farc's, mensalões, dossiês, etc.
Marina não maltratou a língua pátria em nenhum momento e sua linha de raciocínio era concatenada. Acho que ela deveria ter explorado mais a sua imagem "verde" e moderna, que tem muita identificação com o eleitorado jovem e "descolado".
Mas para primeira vez foi um desempenho razoável. Acho que a veremos em outros debates presidenciáveis no futuro.
Por sinal abaixo respostas as 3 perguntas de Plínio:
1. Sou contra a anistia aos desmatadores;
2. Sim, acho que tem que ter um limite para latifúndios. O número mágico de Plínio é mil hectares e o meu, um milhão de hectares;
3. Ninguém (principalmente o governo) tem que se meter em negociação da jornada de trabalho a não ser os interessados diretos.
E o desempenho dos candidatos?
Dilma foi mais Dilma do que nunca. O visual caprichado não ajudou muito seu fraquíssimo desempenho. Insegura, perdida, sem fluência, além de ter agredido impiedosamente o português.
Será que ela faz questão absoluta em mimetizar o chefe até nos erros de gramática? A diferença é que nele os erros gramaticais vêm junto com o pacote (afinal, é o Lula!) e nela soa falta de conhecimento para uma pessoa que se diz tão preparada para o cargo.
Serra se saiu bem quando rechaçou as tentativas dela de comparar governos. Disse muito bem que o Brasil avançou muito com os últimos 2 governos e que isso já está dado. O que importa agora é saber quem conduzirá melhor o país.
Acho que os petistas devem ter ficado bastante preocupados depois desse primeiro debate. Os tucanos também devem ficar, pois Serra teve uma excelente oportunidade de se distanciar da sua principal opositora, e permitiu que Dilma nivela-se (por baixo) o debate no final.
A pergunta é quando temas espinhosos para o atual governo serão colocados no centro do debate. Os temas embaraçosos para o governo FHC já são página virada e foram duramente pisoteados pelos petistas nos últimos 8 anos.
Está mais do que na hora da oposição trazer a baila temas como a afinidade do atual governo com regimes totalitários, Farc's, mensalões, dossiês, etc.
Marina não maltratou a língua pátria em nenhum momento e sua linha de raciocínio era concatenada. Acho que ela deveria ter explorado mais a sua imagem "verde" e moderna, que tem muita identificação com o eleitorado jovem e "descolado".
Mas para primeira vez foi um desempenho razoável. Acho que a veremos em outros debates presidenciáveis no futuro.
Por sinal abaixo respostas as 3 perguntas de Plínio:
1. Sou contra a anistia aos desmatadores;
2. Sim, acho que tem que ter um limite para latifúndios. O número mágico de Plínio é mil hectares e o meu, um milhão de hectares;
3. Ninguém (principalmente o governo) tem que se meter em negociação da jornada de trabalho a não ser os interessados diretos.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Mais uma Bola Fora
É simplesmente impressionante a capacidade de nosso Governo em criar situações embaraçosas para o país perante o resto do mundo!
Como esperado, o "amigo e companheiro" Mahmoud Ahmadinejad rejeitou a proposta brasileira e declarou que o Presidente brasileiro é desinformado sobre a situação da iraniana condenada a morrer por apedrejamento ou enforcamento.
Fica claro que o "gesto humanitário" de Nosso Guia na verdade não passava de uma vacina eleitoral para que sua candidata (ver post de 31 de julho) não seja tachada pelos candidatos da oposição nos próximos debates, de pertencer a um partido que apóia regimes autoritários e que pouco faz pelos direitos humanos.
Alguém precisa rapidamente avisar a Nosso Guia, que não entende ou não quer entender, que o problema é apoiar publicamente com juras de amizade eterna, um regime que considera crime uma traição conjugal cuja pena pode levar à morte por meio bárbaro!
Mais ainda: a preocupação de Lula é tão grande em não desagradar o regime dos aiatolás, que seu comentário logo após a recusa iraniana de extraditar a condenada foi o de defender o fim dos embargos contra aquele país! E a pobre condenada, como fica?
Será possível que não exista uma alma caridosa no Itamarati que possa orientar o representante do povo brasileiro, como agir nos bastidores em situações similares? Será que a recente bem sucedida ação do governo espanhol juntamente com a Igreja católica na liberação dos presos políticos cubanos não serviu como lição?
Ou será que hoje no Ministério das Relações Exteriores - orgulho para nós brasileiros por sua postura intransigente por princípios no passado - já prevalecem os interesses politíco-partidários sobre os da Nação?
Como esperado, o "amigo e companheiro" Mahmoud Ahmadinejad rejeitou a proposta brasileira e declarou que o Presidente brasileiro é desinformado sobre a situação da iraniana condenada a morrer por apedrejamento ou enforcamento.
Fica claro que o "gesto humanitário" de Nosso Guia na verdade não passava de uma vacina eleitoral para que sua candidata (ver post de 31 de julho) não seja tachada pelos candidatos da oposição nos próximos debates, de pertencer a um partido que apóia regimes autoritários e que pouco faz pelos direitos humanos.
Alguém precisa rapidamente avisar a Nosso Guia, que não entende ou não quer entender, que o problema é apoiar publicamente com juras de amizade eterna, um regime que considera crime uma traição conjugal cuja pena pode levar à morte por meio bárbaro!
Mais ainda: a preocupação de Lula é tão grande em não desagradar o regime dos aiatolás, que seu comentário logo após a recusa iraniana de extraditar a condenada foi o de defender o fim dos embargos contra aquele país! E a pobre condenada, como fica?
Será possível que não exista uma alma caridosa no Itamarati que possa orientar o representante do povo brasileiro, como agir nos bastidores em situações similares? Será que a recente bem sucedida ação do governo espanhol juntamente com a Igreja católica na liberação dos presos políticos cubanos não serviu como lição?
Ou será que hoje no Ministério das Relações Exteriores - orgulho para nós brasileiros por sua postura intransigente por princípios no passado - já prevalecem os interesses politíco-partidários sobre os da Nação?
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Mercados Correlacionados: Investidores sem Alternativas?
Na volta da coluna no site Investimentos e Notícias comento a forte correlação existentes entre os mercados de todo mundo.
Como uma orquestra bem afinada os mercados têm apresentado um comportamento que dificulta aos investidores que procuram aplicações que diversifiquem seu risco total.
Com as aspectos macroeconômicos pesando mais do que os fundamentos das empresas, os investidores estão aplicando cada vez mais em fundos passivos de índices ou em instrumentos financeiros que repliquem o desempenho de índices ou de setores (ETF's).
Como uma orquestra bem afinada os mercados têm apresentado um comportamento que dificulta aos investidores que procuram aplicações que diversifiquem seu risco total.
Com as aspectos macroeconômicos pesando mais do que os fundamentos das empresas, os investidores estão aplicando cada vez mais em fundos passivos de índices ou em instrumentos financeiros que repliquem o desempenho de índices ou de setores (ETF's).
sábado, 31 de julho de 2010
Gesto Tardio
Depois de mais uma declaração infeliz sob a batida bandeira da não-intervenção em assuntos domésticos de outros países, Nosso Guia fez um gesto à altura do seu propalado prestígio internacional e intercedeu junto ao Presidente iraniano pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani , condenada a morte por apedrejamento pelo crime de adultério.
A oferta de asilo do Presidente Lula à condenada iraniana, atenua um pouco a persistente insensibilidade de nosso governante em interceder em favor de presos ou perseguidos por regimes autoritários com o qual tão amigavelmente Nosso Guia convive.
Provavelmente contribui para a iniciativa brasileira, o fato de o candidato da oposição ter afirmado que o PT não pode ser considerado um partido de esquerda pois apóia um governo que "apedreja mulheres, prende jornalistas e enforca opositores".
Espanta mesmo é a candidata oficial não se manifestar sobre o assunto. Ela que tanto se orgulha de seu passado de lutas contra regimes ditatoriais, deveria estar à frente de uma campanha em nome das mulheres brasileiras pela absolvição ou extradição da iraniana.
Mas o que esperar de uma candidata que não vai a debates, não participa de entrevistas com jornalistas e faz questão absoluta de não ter opinião própria sobre qualquer assunto durante a campanha eleitoral?
Nada. Nada mesmo.
A oferta de asilo do Presidente Lula à condenada iraniana, atenua um pouco a persistente insensibilidade de nosso governante em interceder em favor de presos ou perseguidos por regimes autoritários com o qual tão amigavelmente Nosso Guia convive.
Provavelmente contribui para a iniciativa brasileira, o fato de o candidato da oposição ter afirmado que o PT não pode ser considerado um partido de esquerda pois apóia um governo que "apedreja mulheres, prende jornalistas e enforca opositores".
Espanta mesmo é a candidata oficial não se manifestar sobre o assunto. Ela que tanto se orgulha de seu passado de lutas contra regimes ditatoriais, deveria estar à frente de uma campanha em nome das mulheres brasileiras pela absolvição ou extradição da iraniana.
Mas o que esperar de uma candidata que não vai a debates, não participa de entrevistas com jornalistas e faz questão absoluta de não ter opinião própria sobre qualquer assunto durante a campanha eleitoral?
Nada. Nada mesmo.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Complexo de Vira-Lata
Os jornais sempre fizeram parte de minha vida.
Não me recordo exatamente quando começou o hábito pela leitura diária do jornal, mas confesso que fico incomodado quando sento para o café da manhã e o jornal não está ao alcance.
Ultimamente entretanto por força da quantidade de textos que tenho que ler para o curso de Relações Internacionais, tenho relegado ao segundo plano a leitura dos periódicos domésticos e passado cada vez mais tempo lendo matérias na Internet.
Minha leitura de jornal está cada vez mais concentrada à chamada da notícia na primeira página, a editoria, a seção de cartas do leitor e a uns poucos colunistas. Como estamos em tempos de eleição, também acompanho os candidatos, sua entourage e as últimas pesquisas de opinião.
Hoje por conta de uma chamada de capa do Globo, acabei esbarrando em uma questão muito recorrente, e que chama minha atenção há algum tempo.
A questão é simples: qual a razão dessa obsessão freudiana (ou seria nelson-rodrigueana) que tem os petistas de afirmar que os brasileiros superaram finalmente nesse governo seu "eterno complexo de vira-lata"?
Para quem não se recorda a expressão foi cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues após o Brasil ter perdido a Copa do Mundo para o Uruguai em 50. Só nos recuperamos do trauma com a conquista de 1958 na Suécia. Para Nelson Rodrigues esse comportamento não se restringia apenas ao campo futebolístico:
"Por complexo de vira-lata, entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo".
E ainda:
"O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima".
Muito antes de Nelson Rodrigues, outros pensadores e historiadores se aventuraram a tentar explicar a razão de nosso suposto complexo de inferioridade perante os outros povos ou nações. Para quem tiver curiosidade a página do Wikipedia sobre o assunto traz um breve resumo.
Vira e mexe as expressões "complexo de vira-lata" ou "complexo de inferioridade" aparecem nos discursos de Nosso Guia. Só para refrescar: no discurso de agradecimento após ter conseguido assegurar a realização da Olimpíada de 2016 no Rio, Nosso Guia afirmou que a partir daquele momento os brasileiros não precisariam mais se sentir inferiores a ninguém (???).
Ontem, por exemplo, ao rebater críticas de Serra à condução da política externa brasileira em relação aos nossos vizinhos sul-americanos, o nosso "chanceler do B", MAG, disse que as mesmas revelam o "complexo de vira-lata" de quem se acostumou no passado a ser um país acanhado, sem ambição e submisso aos interesses dos grandes países.
Não sou um psicólogo, antropólogo ou especialista no assunto, nunca parei para pensar sobre esse assunto, nem mesmo para analisar se os brasileiros têm ou não o tal complexo de inferioridade.
Mas de uma coisa estou certo, o comportamento típico de um complexado, é a arrogância, o enaltecimento dos feitos pessoais, e o péssimo hábito de só falar em voz alta como meio de impor aos seus ouvintes a sua suposta superioridade.
É interessante notar que as ações do atual Governo tentam vincular junto a população a percepção de que a melhora de vida dada pelo aumento do poder de compra, acesso a bens de consumo, crédito e eventualmente a conquista da casa própria, nos dá condições de nos despirmos de qualquer complexo que nos apequene perante o mundo.
Fundamental para isso, portanto, é termos um presidente que fale de "igual para igual" com qualquer um, que não seja "submisso", que bata de frente com os poderosos, enfim um cidadão que "se ache".
Ou seja, na visão deles para nos livramos dos nossos complexos basta fazer filantropia com Paraguai e Bolívia com o dinheiro dos nossos contribuintes, patrocinar acordos nucleares inviáveis com o Irã, tentar intermediar o conflito do Oriente Médio como se fosse uma briga de vizinhos, entre outras ações internacionais de alcance e interesse duvidosos.
Por fim uma observação. Se dependermos do Governo para realizarmos as "melhores" Olimpíadas e Copa de todos os tempos (segundo Nosso Guia), faltarão psicólogos para nos ajudar com nossos complexos.
Basta uma viagem a partir de qualquer aeroporto do país.
Não me recordo exatamente quando começou o hábito pela leitura diária do jornal, mas confesso que fico incomodado quando sento para o café da manhã e o jornal não está ao alcance.
Ultimamente entretanto por força da quantidade de textos que tenho que ler para o curso de Relações Internacionais, tenho relegado ao segundo plano a leitura dos periódicos domésticos e passado cada vez mais tempo lendo matérias na Internet.
Minha leitura de jornal está cada vez mais concentrada à chamada da notícia na primeira página, a editoria, a seção de cartas do leitor e a uns poucos colunistas. Como estamos em tempos de eleição, também acompanho os candidatos, sua entourage e as últimas pesquisas de opinião.
Hoje por conta de uma chamada de capa do Globo, acabei esbarrando em uma questão muito recorrente, e que chama minha atenção há algum tempo.
A questão é simples: qual a razão dessa obsessão freudiana (ou seria nelson-rodrigueana) que tem os petistas de afirmar que os brasileiros superaram finalmente nesse governo seu "eterno complexo de vira-lata"?
Para quem não se recorda a expressão foi cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues após o Brasil ter perdido a Copa do Mundo para o Uruguai em 50. Só nos recuperamos do trauma com a conquista de 1958 na Suécia. Para Nelson Rodrigues esse comportamento não se restringia apenas ao campo futebolístico:
"Por complexo de vira-lata, entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo".
E ainda:
"O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima".
Muito antes de Nelson Rodrigues, outros pensadores e historiadores se aventuraram a tentar explicar a razão de nosso suposto complexo de inferioridade perante os outros povos ou nações. Para quem tiver curiosidade a página do Wikipedia sobre o assunto traz um breve resumo.
Vira e mexe as expressões "complexo de vira-lata" ou "complexo de inferioridade" aparecem nos discursos de Nosso Guia. Só para refrescar: no discurso de agradecimento após ter conseguido assegurar a realização da Olimpíada de 2016 no Rio, Nosso Guia afirmou que a partir daquele momento os brasileiros não precisariam mais se sentir inferiores a ninguém (???).
Ontem, por exemplo, ao rebater críticas de Serra à condução da política externa brasileira em relação aos nossos vizinhos sul-americanos, o nosso "chanceler do B", MAG, disse que as mesmas revelam o "complexo de vira-lata" de quem se acostumou no passado a ser um país acanhado, sem ambição e submisso aos interesses dos grandes países.
Não sou um psicólogo, antropólogo ou especialista no assunto, nunca parei para pensar sobre esse assunto, nem mesmo para analisar se os brasileiros têm ou não o tal complexo de inferioridade.
Mas de uma coisa estou certo, o comportamento típico de um complexado, é a arrogância, o enaltecimento dos feitos pessoais, e o péssimo hábito de só falar em voz alta como meio de impor aos seus ouvintes a sua suposta superioridade.
É interessante notar que as ações do atual Governo tentam vincular junto a população a percepção de que a melhora de vida dada pelo aumento do poder de compra, acesso a bens de consumo, crédito e eventualmente a conquista da casa própria, nos dá condições de nos despirmos de qualquer complexo que nos apequene perante o mundo.
Fundamental para isso, portanto, é termos um presidente que fale de "igual para igual" com qualquer um, que não seja "submisso", que bata de frente com os poderosos, enfim um cidadão que "se ache".
Ou seja, na visão deles para nos livramos dos nossos complexos basta fazer filantropia com Paraguai e Bolívia com o dinheiro dos nossos contribuintes, patrocinar acordos nucleares inviáveis com o Irã, tentar intermediar o conflito do Oriente Médio como se fosse uma briga de vizinhos, entre outras ações internacionais de alcance e interesse duvidosos.
Por fim uma observação. Se dependermos do Governo para realizarmos as "melhores" Olimpíadas e Copa de todos os tempos (segundo Nosso Guia), faltarão psicólogos para nos ajudar com nossos complexos.
Basta uma viagem a partir de qualquer aeroporto do país.
terça-feira, 27 de julho de 2010
A Última do Coronel
Não é piada, mas Venezuela e Colômbia estão com suas relações diplomáticas novamente cortadas.
A decisão partiu da Venezuela após denúncia da Colômbia na OEA que o Coronel Chavez estaria dando guarita para alguns membros da organização terrorista dentro de território venezuelano.
O embaixador colombiano junto a OEA mostrou vídeos, fotos e mapas indicando que 1.500membros das FARC e do ELN ocupam 39 acampamentos na Venezuela.
Fica claro a má vontade dos colombianos com Chavez. Mais uma vez eles entenderam tudo errado!
Povo hospitaleiro e com seu território banhado pelas quentes águas caribenhas, o Coronel Chavez montou alguns resorts para que os estafados guerrilheiros possam descansar de suas atividades cotidianas enquanto praticam seus esportes preferidos como tiro ao alvo, sequestros e tráfico de cocaína.
Não é assim em todo Club Med? Praia, mar e todo o tipo de entreterimento para seus participantes. Por que então todo esse espanto?
Ninguém deve mais se surpreender com as atitudes do Coronel Chavez, especialmente depois que ele começou a receber vibrações dos mortos.
Afinal não se pode discutir com um cara que consegue identificar o esqueleto exumado de Bolivar através da "chama" que ele emite.
A participação do Brasil na solução desse episódio com os dois países fronteiriços, será mais uma vez decisiva. Nosso chanceler Amorim foi para a Palestina (isso mesmo!) e de lá condenou veementemente a nova rodada de sanções européias contra o Irã (???).
Já Nosso Guia irá a Caracas no começo de agosto e dirá ao mundo que o Brasil não se intromete em assuntos domésticos de outros países.
Aproveitará a ocasião para mais uma vez afirmar que o problema da Venezuela é que existe muita democracia por lá e com certeza absoluta não se encontrará com qualquer um que discorde dessa afirmativa.
A decisão partiu da Venezuela após denúncia da Colômbia na OEA que o Coronel Chavez estaria dando guarita para alguns membros da organização terrorista dentro de território venezuelano.
O embaixador colombiano junto a OEA mostrou vídeos, fotos e mapas indicando que 1.500membros das FARC e do ELN ocupam 39 acampamentos na Venezuela.
Fica claro a má vontade dos colombianos com Chavez. Mais uma vez eles entenderam tudo errado!
Povo hospitaleiro e com seu território banhado pelas quentes águas caribenhas, o Coronel Chavez montou alguns resorts para que os estafados guerrilheiros possam descansar de suas atividades cotidianas enquanto praticam seus esportes preferidos como tiro ao alvo, sequestros e tráfico de cocaína.
Não é assim em todo Club Med? Praia, mar e todo o tipo de entreterimento para seus participantes. Por que então todo esse espanto?
Ninguém deve mais se surpreender com as atitudes do Coronel Chavez, especialmente depois que ele começou a receber vibrações dos mortos.
Afinal não se pode discutir com um cara que consegue identificar o esqueleto exumado de Bolivar através da "chama" que ele emite.
A participação do Brasil na solução desse episódio com os dois países fronteiriços, será mais uma vez decisiva. Nosso chanceler Amorim foi para a Palestina (isso mesmo!) e de lá condenou veementemente a nova rodada de sanções européias contra o Irã (???).
Já Nosso Guia irá a Caracas no começo de agosto e dirá ao mundo que o Brasil não se intromete em assuntos domésticos de outros países.
Aproveitará a ocasião para mais uma vez afirmar que o problema da Venezuela é que existe muita democracia por lá e com certeza absoluta não se encontrará com qualquer um que discorde dessa afirmativa.
Volta das Férias
Quando pequeno, todo retorno à escola após as férias era celebrado com a obrigatória redação descrevendo-as.
Era o momento em que eu sempre colocava no papel como eu gostaria que tivessem sido as minhas férias. Os lugares que eu tinha ido eram os mesmos mas as aventuras sempre eram um pouco mais emocionantes do que as realmente ocorridas.
Depois de adulto a volta significa retorno ao trabalho, à rotina diária e lidar com uma enorme pilha de cartas e contas. E no meu caso, colocar a leitura em dia.
Parece que em duas semanas muito pouca coisa mudou. No Brasil então nem se fala!
Vejamos. Nosso Guia continua a infringir leis eleitorais e fazer chacota de suas punições.
A candidata oficial continua a desfilar a sua certeza de que a eleição é apenas um aborrecimento passageiro, uma vez que nenhum brasileiro sensato poderá votar contra o melhor governo desde que os marinheiros portugueses por aqui colocaram seus pés.
Já o candidato da oposição resolveu começar a criticar o governo e dizer que faria algumas coisas diferentemente de Nosso Guia e sua escolhida. Até o jovem vice resolveu ressuscitar temas tabu como as relações do PT com as FARC.
Será que teremos finalmente um debate sobre idéias, programas de governo e algumas explicações para a opinião pública? Coisas simples. Nada complicado.
Por exemplo, não precisa explicar a origem do dinheiro que comprou o dossiê aloprado de 2006. Mas não seria esclarecedor se as imagens do circuito interno de segurança mostrando se houve ou não o suposto encontro da candidata oficial com a Secretária da Receita Federal em dezembro passado pudessem ser recuperadas?
Dizer que as imagens não são armazenadas por mais de 30 dias, é de novo abusar da inteligência das pessoas.
Era o momento em que eu sempre colocava no papel como eu gostaria que tivessem sido as minhas férias. Os lugares que eu tinha ido eram os mesmos mas as aventuras sempre eram um pouco mais emocionantes do que as realmente ocorridas.
Depois de adulto a volta significa retorno ao trabalho, à rotina diária e lidar com uma enorme pilha de cartas e contas. E no meu caso, colocar a leitura em dia.
Parece que em duas semanas muito pouca coisa mudou. No Brasil então nem se fala!
Vejamos. Nosso Guia continua a infringir leis eleitorais e fazer chacota de suas punições.
A candidata oficial continua a desfilar a sua certeza de que a eleição é apenas um aborrecimento passageiro, uma vez que nenhum brasileiro sensato poderá votar contra o melhor governo desde que os marinheiros portugueses por aqui colocaram seus pés.
Já o candidato da oposição resolveu começar a criticar o governo e dizer que faria algumas coisas diferentemente de Nosso Guia e sua escolhida. Até o jovem vice resolveu ressuscitar temas tabu como as relações do PT com as FARC.
Será que teremos finalmente um debate sobre idéias, programas de governo e algumas explicações para a opinião pública? Coisas simples. Nada complicado.
Por exemplo, não precisa explicar a origem do dinheiro que comprou o dossiê aloprado de 2006. Mas não seria esclarecedor se as imagens do circuito interno de segurança mostrando se houve ou não o suposto encontro da candidata oficial com a Secretária da Receita Federal em dezembro passado pudessem ser recuperadas?
Dizer que as imagens não são armazenadas por mais de 30 dias, é de novo abusar da inteligência das pessoas.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Coerência na Agenda Internacional. Temos Alguma?
A condução da política internacional brasileira padece de coerência.
Particularmente se analisarmos os movimentos que fizemos no cenário internacional no último ano. Segue uma pequena lista:
1) O fiasco da tentativa de se colocar como mediador do conflito no Oriente Médio;
2) O acordo nuclear com Irã patrocinado juntamente com a Turquia, seguido pelo voto contrário às sanções aprovadas pelos membros do Conselho de Segurança da ONU inclusive com o apoio de aliados históricos do Irã como China e Rússia;
3) Os comentários infelizes sobre presos políticos cubanos comparando-os a presos comuns durante a visita ao parque jurássico do comunismo caribenho;
4) O não reconhecimento das eleições democráticas em Honduras após o exílio de Manuel Zulaya em nossa embaixada organizado e patrocinado por Hugo Chávez sem o conhecimento das autoridades brasileiras;
5) O apoio incondicional a todo e qualquer ditador africano.
Sob as mais variadas razões e alegações o Governo insiste em dar as costas aos valores que são caros aos brasileiros e a sua secular bem sucedida diplomacia de resultados.
Os motivos que levam o Governo a adotar tais políticas são obscuros, mas certamente estão fundamentados em contradições do tipo da não-intervenção nos assuntos domésticos de outros países ou do pragmatismo comercial.
Dessa maneira vamos pouco a pouco construindo uma imagem perante ao mundo de país tolerante com déspotas, sem valores democráticos e ultimamente sem respeito pelos direitos humanos ou liberdade de expressão, daqueles que sofrem sob regimes autoritários.
Princípios não podem ser flexíveis e moldados à conveniência do momento. Se nos acostumamos a meia democracia ou a um pouco de liberdade, acabamos sem nenhuma.
Por sinal a Rússia acaba de divulgar que o Irã está muito próximo de adquirir os meios para a construção de um artefato nuclear.
É a cereja que falta no bolo das nossas trapalhadas internacionais.
Particularmente se analisarmos os movimentos que fizemos no cenário internacional no último ano. Segue uma pequena lista:
1) O fiasco da tentativa de se colocar como mediador do conflito no Oriente Médio;
2) O acordo nuclear com Irã patrocinado juntamente com a Turquia, seguido pelo voto contrário às sanções aprovadas pelos membros do Conselho de Segurança da ONU inclusive com o apoio de aliados históricos do Irã como China e Rússia;
3) Os comentários infelizes sobre presos políticos cubanos comparando-os a presos comuns durante a visita ao parque jurássico do comunismo caribenho;
4) O não reconhecimento das eleições democráticas em Honduras após o exílio de Manuel Zulaya em nossa embaixada organizado e patrocinado por Hugo Chávez sem o conhecimento das autoridades brasileiras;
5) O apoio incondicional a todo e qualquer ditador africano.
Sob as mais variadas razões e alegações o Governo insiste em dar as costas aos valores que são caros aos brasileiros e a sua secular bem sucedida diplomacia de resultados.
Os motivos que levam o Governo a adotar tais políticas são obscuros, mas certamente estão fundamentados em contradições do tipo da não-intervenção nos assuntos domésticos de outros países ou do pragmatismo comercial.
Dessa maneira vamos pouco a pouco construindo uma imagem perante ao mundo de país tolerante com déspotas, sem valores democráticos e ultimamente sem respeito pelos direitos humanos ou liberdade de expressão, daqueles que sofrem sob regimes autoritários.
Princípios não podem ser flexíveis e moldados à conveniência do momento. Se nos acostumamos a meia democracia ou a um pouco de liberdade, acabamos sem nenhuma.
Por sinal a Rússia acaba de divulgar que o Irã está muito próximo de adquirir os meios para a construção de um artefato nuclear.
É a cereja que falta no bolo das nossas trapalhadas internacionais.
Exportar é a Solução para os EUA?
O assunto dessa semana na minha coluna no site Investimentos e Notícias é análise da intenção do Presidente Obama de dobrar as exportações americanso até 2015 (ver artigo).
Com o crescimento de sua economia baseado no consumo das famílias financiado por crédito farto e barato e bolhas de ativos (Internet e imóveis), os americanos passaram a menosprezar as atividades industriais em detrimento do aumento excessivo da área de serviços, especialmente financeiros e imobiliários.
Como recuperar os empregos que foram exportados junto com as fábricas para países em desenvolvimento?
A solução passa por criar empregos de alta produtividade a partir de investimentos em empresas de capital intensivo, melhorar a infra-estrutura (reformas de estradas, portos e aeroportos), investir em tecnologia da informação e desenvolver uma nova matriz energética baseada em fontes renováveis.
Um trabalho e tanto para o presidente americano.
Com o crescimento de sua economia baseado no consumo das famílias financiado por crédito farto e barato e bolhas de ativos (Internet e imóveis), os americanos passaram a menosprezar as atividades industriais em detrimento do aumento excessivo da área de serviços, especialmente financeiros e imobiliários.
Como recuperar os empregos que foram exportados junto com as fábricas para países em desenvolvimento?
A solução passa por criar empregos de alta produtividade a partir de investimentos em empresas de capital intensivo, melhorar a infra-estrutura (reformas de estradas, portos e aeroportos), investir em tecnologia da informação e desenvolver uma nova matriz energética baseada em fontes renováveis.
Um trabalho e tanto para o presidente americano.
Espanha Campeã da Pior Copa do Mundo
A pior Copa de todos os tempos teve a Espanha como campeã.
Merecido o título (campeão da pior Copa) pois o time só conseguiu ganhar por 2 gols de diferença de Honduras, além de conseguir a façanha de perder para a Suiça na primeira rodada. No mais foi um festival de goleadas por 1 a 0 contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda.
Os "dilatados" placares mostraram a "força" do futebol ofensivo espanhol para a alegria dos nossos especialistas televisos que narravam um jogo completamente diferente daquele que eu assistia pela televisão. Acho que eles confundiram uma interminável troca de passes no meio de campo, com ofensividade.
No meio da mediocridade reinante, os esforçados espanhóis ficaram um pouco acima da média e tanto Alemanha e Holanda se tivessem jogado o trivial teriam ganhado suas partidas contra a Fúria.
Os gols perdidos por Robben na final são suficientes para colocá-lo no panteão dos "amarelões" de finais de Copa. Por sinal, Sneider o "super-craque" (segundo a imprensa brasileira) que destruiu o Brasil, mostrou que tem um futebol do tamanho de sua estatura (nanico).
No mais reproduzo abaixo o comentário que enviei à CNN depois que li o artigo publicado por seu correspondente para a Copa da África, Pedro Pinto, em que ele coloca esse time da Espanha como um dos melhores times nacionais de todos os tempos:
"Pedro,
You have a long way to go as a soccer analyst. Read more and watch more movies of previous World Cups. Clearly your lack of knowledge is embarassing when you compare this average talented Spanish team to Hungary (54), Brazil (58, 70, 82 and 2002), Holand (74 and 78), Germany (70 and 74) and Argentina (86).
These teams had players that belong to the history of the game. Name a single Spanish player that could compare with real geniouses that played for one of the teams I mentioned above.
Pedro, do yourself a favor. Read more before you put a such strong statement on paper."
Parafraseando o imortal Bussunda: "Fala sério!"
Merecido o título (campeão da pior Copa) pois o time só conseguiu ganhar por 2 gols de diferença de Honduras, além de conseguir a façanha de perder para a Suiça na primeira rodada. No mais foi um festival de goleadas por 1 a 0 contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda.
Os "dilatados" placares mostraram a "força" do futebol ofensivo espanhol para a alegria dos nossos especialistas televisos que narravam um jogo completamente diferente daquele que eu assistia pela televisão. Acho que eles confundiram uma interminável troca de passes no meio de campo, com ofensividade.
No meio da mediocridade reinante, os esforçados espanhóis ficaram um pouco acima da média e tanto Alemanha e Holanda se tivessem jogado o trivial teriam ganhado suas partidas contra a Fúria.
Os gols perdidos por Robben na final são suficientes para colocá-lo no panteão dos "amarelões" de finais de Copa. Por sinal, Sneider o "super-craque" (segundo a imprensa brasileira) que destruiu o Brasil, mostrou que tem um futebol do tamanho de sua estatura (nanico).
No mais reproduzo abaixo o comentário que enviei à CNN depois que li o artigo publicado por seu correspondente para a Copa da África, Pedro Pinto, em que ele coloca esse time da Espanha como um dos melhores times nacionais de todos os tempos:
"Pedro,
You have a long way to go as a soccer analyst. Read more and watch more movies of previous World Cups. Clearly your lack of knowledge is embarassing when you compare this average talented Spanish team to Hungary (54), Brazil (58, 70, 82 and 2002), Holand (74 and 78), Germany (70 and 74) and Argentina (86).
These teams had players that belong to the history of the game. Name a single Spanish player that could compare with real geniouses that played for one of the teams I mentioned above.
Pedro, do yourself a favor. Read more before you put a such strong statement on paper."
Parafraseando o imortal Bussunda: "Fala sério!"
sábado, 10 de julho de 2010
Saúde do Nosso Sistema Financeiro
Responda rápido: você conhece alguém que guarda R$ 130 mil em dinheiro em casa? Eu não conhecia, até ler no jornal a declaração de bens dos candidatos à Presidência.
Por mais inacreditável que pareça a candidata oficial do governo guarda.
Para uma pessoa que tem um patrimônio declarado aproximado de R$ 1,2 milhões, quase 10% do seu patrimônio está debaixo do colchão, sem render um vintém de juros, no país que tem a maior taxa de juros real no mundo.
Como explicar esse comportamento pouco usual, sem racionalidade econômica e que não condiz com a imagem de administradora competente e qualificada para conduzir os destinos de quase 200 milhões de brasileiros segundo seu principal cabo eleitoral?
Fico imaginando qual seria e linha de raciocínio que levaria a uma pessoa sacar de sua conta bancária (que outra forma?) R$ 130 mil em dinheiro e levar para casa, em tempos de dinheiro virtual?
Ainda mais uma ex-ministra com inúmeros assessores portando cartões corporativos para pagar despesas dela. Qual a necessidade do dinheiro vivo em casa?
Dinheiro do assaltante não pode ser, uma vez que a segurança dela é garantida pelo Estado. Pagar por alguma reforma da casa ou por pequenos serviços, não faz sentido. Ou você acha que um prestador de serviço não vai aceitar um cheque de um Ministro?
A única explicação lógica para o fato é que essa pessoa desconfia da saúde do sistema financeiro nacional a tal ponto que prefere manter suas economias ao alcance das mãos. Devemos então nos preocupar também e trazer para casa nossas parcas economias?
Como todos sabem que o nosso sistema financeiro é um dos mais (se não o mais) seguros do mundo, a explicação é não ter explicação.
Mas se essa mesma pessoa não lê programas de governo preparados pelo seu partido e não considera ser uma rubrica o equivalente a uma assinatura resumida, entre outras esquisitices, chegamos a conclusão que não é de todo estranho guardar dinheiro vivo em casa.
Por mais inacreditável que pareça a candidata oficial do governo guarda.
Para uma pessoa que tem um patrimônio declarado aproximado de R$ 1,2 milhões, quase 10% do seu patrimônio está debaixo do colchão, sem render um vintém de juros, no país que tem a maior taxa de juros real no mundo.
Como explicar esse comportamento pouco usual, sem racionalidade econômica e que não condiz com a imagem de administradora competente e qualificada para conduzir os destinos de quase 200 milhões de brasileiros segundo seu principal cabo eleitoral?
Fico imaginando qual seria e linha de raciocínio que levaria a uma pessoa sacar de sua conta bancária (que outra forma?) R$ 130 mil em dinheiro e levar para casa, em tempos de dinheiro virtual?
Ainda mais uma ex-ministra com inúmeros assessores portando cartões corporativos para pagar despesas dela. Qual a necessidade do dinheiro vivo em casa?
Dinheiro do assaltante não pode ser, uma vez que a segurança dela é garantida pelo Estado. Pagar por alguma reforma da casa ou por pequenos serviços, não faz sentido. Ou você acha que um prestador de serviço não vai aceitar um cheque de um Ministro?
A única explicação lógica para o fato é que essa pessoa desconfia da saúde do sistema financeiro nacional a tal ponto que prefere manter suas economias ao alcance das mãos. Devemos então nos preocupar também e trazer para casa nossas parcas economias?
Como todos sabem que o nosso sistema financeiro é um dos mais (se não o mais) seguros do mundo, a explicação é não ter explicação.
Mas se essa mesma pessoa não lê programas de governo preparados pelo seu partido e não considera ser uma rubrica o equivalente a uma assinatura resumida, entre outras esquisitices, chegamos a conclusão que não é de todo estranho guardar dinheiro vivo em casa.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Resultado do IDEB
Comemorado como um gol que levaria o Brasil a outra final de Copa do Mundo, o Governo divulgou o resultado do IDEB realizado em 2009. Pelo discurso oficial, alcançaremos o Primeiro Mundo antes do previsto e portanto, temos muito a comemorar.
No mesmo dia que os resultados foram divulgados, escutei uma entrevista com uma especialista em educação brasileira que destacou os seguintes pontos:
1) Estamos hoje no mesmo patamar de resultados que o de 1995, quando foi realizado o primeiro teste nacional para o ensino básico, mas as amostras mudaram;
2) Como tudo que funcionava no governo anterior tem que ser "melhorado" pelos técnicos da atual administração, as amostras ficaram diferentes, e portanto invalidando qualquer tipo de comparação temporal;
3) Quando comparado com as provas anteriores (houveram outras duas) realizadas no atual governo, com a mesma amostragem, houve melhora;
4) Numa escala de 0 a 10, ficamos em torno de 4 em Português ou Matemática, sendo um pouco abaixo disso para as séries mais altas;
5) Para ser considerada educação de "Primeiro Mundo" segundo o Governo, devemos alcançar a média 6 até o ano de 2022, muito embora os expoentes do grupo estejam hoje muito acima disso se utilizarmos os resultados do Pisa realizado pela OCDE.
Como tudo nesse Governo tem por finalidade o palanque, achar que estamos nos aproximando dos desenvolvidos pois teremos média 6 em 2022, é um atentado a inteligência daqueles que raciocinam.
Primeiro que a educação evolui, em especial nos países que realmente se preocupam com educação de base. A média em 2022 para os países desenvolvidos deverá estar muito acima de 6 (os números do Pisa de agora já mostram isso!). Temos que queimar etapas agora, para não ficarmos na incomôda posição de nunca alcançar os melhores.
Segundo, o que falta ao Brasil é o investimento na infra-estrutura educacional, aquilo que o Senador Cristóvão Buarque, falava com muita propriedade na eleição presidencial de 2006. Nossas escolas pelo interior do Brasil são uma vergonha.
Conseguimos fazer agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica iguais em quase todos os municípios brasileiros com móveis confortáveis, acesso a internet, caixa eletrônico e outras amenidades, menos escolas.
Por último, as metas provavelmente foram fixadas para serem ultrapassadas e não comparáveis com os resultados obtidos no Governo FHC.
Tudo muito bem planejado para ajudar o discurso oficial de que "estamos melhorando significativamente a educação de base no Brasil" em ano eleitoral.
No mesmo dia que os resultados foram divulgados, escutei uma entrevista com uma especialista em educação brasileira que destacou os seguintes pontos:
1) Estamos hoje no mesmo patamar de resultados que o de 1995, quando foi realizado o primeiro teste nacional para o ensino básico, mas as amostras mudaram;
2) Como tudo que funcionava no governo anterior tem que ser "melhorado" pelos técnicos da atual administração, as amostras ficaram diferentes, e portanto invalidando qualquer tipo de comparação temporal;
3) Quando comparado com as provas anteriores (houveram outras duas) realizadas no atual governo, com a mesma amostragem, houve melhora;
4) Numa escala de 0 a 10, ficamos em torno de 4 em Português ou Matemática, sendo um pouco abaixo disso para as séries mais altas;
5) Para ser considerada educação de "Primeiro Mundo" segundo o Governo, devemos alcançar a média 6 até o ano de 2022, muito embora os expoentes do grupo estejam hoje muito acima disso se utilizarmos os resultados do Pisa realizado pela OCDE.
Como tudo nesse Governo tem por finalidade o palanque, achar que estamos nos aproximando dos desenvolvidos pois teremos média 6 em 2022, é um atentado a inteligência daqueles que raciocinam.
Primeiro que a educação evolui, em especial nos países que realmente se preocupam com educação de base. A média em 2022 para os países desenvolvidos deverá estar muito acima de 6 (os números do Pisa de agora já mostram isso!). Temos que queimar etapas agora, para não ficarmos na incomôda posição de nunca alcançar os melhores.
Segundo, o que falta ao Brasil é o investimento na infra-estrutura educacional, aquilo que o Senador Cristóvão Buarque, falava com muita propriedade na eleição presidencial de 2006. Nossas escolas pelo interior do Brasil são uma vergonha.
Conseguimos fazer agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica iguais em quase todos os municípios brasileiros com móveis confortáveis, acesso a internet, caixa eletrônico e outras amenidades, menos escolas.
Por último, as metas provavelmente foram fixadas para serem ultrapassadas e não comparáveis com os resultados obtidos no Governo FHC.
Tudo muito bem planejado para ajudar o discurso oficial de que "estamos melhorando significativamente a educação de base no Brasil" em ano eleitoral.
Final da Copinha
Essa Copinha que está sendo jogada vai ter a final que merece: de um lado o time que quando não toma um gol (perdeu de 1 a 0 para a Suiça), ganha o jogo por 1 a 0. Do outro, o time que chega a final com uma providencial ajuda dos adversários ou do juiz e bandeirinha.
O time espanhol tem uma vantagem em relação aos demais. Seis de seus titulares jogam juntos no Barcelona. Já o time holandês pode ser campeão no talento de apenas um jogador, Sneider, no meio de um bando de jogadores no máximo esforçados.
No mais essa Copa repete a final de 2006 na falta de talento da maioria dos jogadores em campo e nos timinhos que farão a final (ou alguém acha que Itália ou França eram timaços?).
Resumindo, para Espanha ser campeã basta não levar um gol e a Holanda contar com erros dos adversários (como contra o Brasil) ou uma ajuda do trio de arbitragem (como contra o Uruguai).
No mais, essa Copinha vai ser pouco lembrada, pois foram escassos tanto os momentos de emoção como o de bom futebol jogado pela grande maioria das seleções que dela participaram.
Quem vai levar a Copa? A Espanha. Para a alegria dos detratores do Dunga e de sua era.
O time espanhol tem uma vantagem em relação aos demais. Seis de seus titulares jogam juntos no Barcelona. Já o time holandês pode ser campeão no talento de apenas um jogador, Sneider, no meio de um bando de jogadores no máximo esforçados.
No mais essa Copa repete a final de 2006 na falta de talento da maioria dos jogadores em campo e nos timinhos que farão a final (ou alguém acha que Itália ou França eram timaços?).
Resumindo, para Espanha ser campeã basta não levar um gol e a Holanda contar com erros dos adversários (como contra o Brasil) ou uma ajuda do trio de arbitragem (como contra o Uruguai).
No mais, essa Copinha vai ser pouco lembrada, pois foram escassos tanto os momentos de emoção como o de bom futebol jogado pela grande maioria das seleções que dela participaram.
Quem vai levar a Copa? A Espanha. Para a alegria dos detratores do Dunga e de sua era.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Gastar ou Poupar? Eis a Questão
Na coluna dessa semana no site Investimentos e Notícias, analiso os desdobramentos da última reunião do G-20 (artigo).
Sem consenso sobre uma política econômica e fiscal única para os países desenvolvidos, com americanos querendo gastar e europeus querendo poupar para continuarem solventes, a reunião do G-20 terminou com todos concordando que podem discordar em relação ao caminho a ser escolhido.
O problema é que se as políticas adotadas pelos países não significarem pelo menos um crescimento médio para a economia mundial no curto prazo, novos desdobramentos poderão levar a adoção de políticas protecionistas, com cada um procurando preservar suas indústrias e seus empregos, em detrimento do comércio internacional.
Um retrocesso nessa altura do campeonato seria desastroso.
Sem consenso sobre uma política econômica e fiscal única para os países desenvolvidos, com americanos querendo gastar e europeus querendo poupar para continuarem solventes, a reunião do G-20 terminou com todos concordando que podem discordar em relação ao caminho a ser escolhido.
O problema é que se as políticas adotadas pelos países não significarem pelo menos um crescimento médio para a economia mundial no curto prazo, novos desdobramentos poderão levar a adoção de políticas protecionistas, com cada um procurando preservar suas indústrias e seus empregos, em detrimento do comércio internacional.
Um retrocesso nessa altura do campeonato seria desastroso.
domingo, 4 de julho de 2010
Pintando um Campeão
Confesso que estou fora de sintonia com a maioria dos comentaristas esportivos brasileiros, que bradam aos 4 ventos ser essa a melhor Copa dos últimos 25 anos.
Discordo inteiramente. As Copas de 90 e 94 foram fraquinhas, mas as outras, a começar pela de 86 com Maradona destruindo, 98 com Zidane, 2002 com os Ronaldos do Brasil, foram muito melhores do que essa. Sem dúvida.
Dito isto, vamos a uma rápida análise dos jogos das semi-finais.
A Espanha, campeã européia, só ganha por 1 a 0, gol de Villa. Fora isso, são intermináveis trocas de passe absolutamente prolixas. Os caras suaram para ganhar daquele time pavoroso do Paraguai, que se não fosse pela ruindade dos seus atacantes, teria levado o jogo para a prorrogação e provavelmente para a loteria dos penaltis.
A Holanda ganhou daquele time do Brasil escalado pelo "genial" Dunga, em duas falhas clamorosas do "melhor goleiro do mundo" e da "zaga perfeita". Não fosse isso, teríamos mais um feriadão na terça-feira, com Felipe Melo louvado pela imprensa como o autor do passe "à la Gérson" que colocou o Brasil na semi-final.
No outro jogo, o Uruguai eliminou Gana nos penaltis em um jogo que entrará para a história de todas as Copas. No último minuto da prorrogação, o centro-avante Suarez defende com as mãos gol certo de Gana. Penalti que o melhor jogador deles chuta no travessão.
Nas cobranças de penaltis, é visível o desgaste emocional dos jogadores de Gana que perdem dois. Cabe a Loco Abreu converter o penalti que levaria o Uruguai a uma nova semi-final de Copa 40 anos depois.
El Loco faz jus ao apelido e cobra o penalti com a sua famosa cavadinha, tal qual fizera pelo Botafogo na final do campeonato carioca contra o Flamengo. Goleiro pro lado e a bola descrevendo uma pequena curva antes de cair mansamente dentro do gol. Genial!
Da Alemanha, pouco a falar. Um time que impiedosamente mete 4 nos "hermanos", está com pinta de campeão.
Meu palpite para a final: Alemanha e Holanda, com os laranjinhas comemorando mais um vice-campeonato e a Alemanha mostrando ser a seleção mais consistente da história de todas as Copas do Mundo.
Discordo inteiramente. As Copas de 90 e 94 foram fraquinhas, mas as outras, a começar pela de 86 com Maradona destruindo, 98 com Zidane, 2002 com os Ronaldos do Brasil, foram muito melhores do que essa. Sem dúvida.
Dito isto, vamos a uma rápida análise dos jogos das semi-finais.
A Espanha, campeã européia, só ganha por 1 a 0, gol de Villa. Fora isso, são intermináveis trocas de passe absolutamente prolixas. Os caras suaram para ganhar daquele time pavoroso do Paraguai, que se não fosse pela ruindade dos seus atacantes, teria levado o jogo para a prorrogação e provavelmente para a loteria dos penaltis.
A Holanda ganhou daquele time do Brasil escalado pelo "genial" Dunga, em duas falhas clamorosas do "melhor goleiro do mundo" e da "zaga perfeita". Não fosse isso, teríamos mais um feriadão na terça-feira, com Felipe Melo louvado pela imprensa como o autor do passe "à la Gérson" que colocou o Brasil na semi-final.
No outro jogo, o Uruguai eliminou Gana nos penaltis em um jogo que entrará para a história de todas as Copas. No último minuto da prorrogação, o centro-avante Suarez defende com as mãos gol certo de Gana. Penalti que o melhor jogador deles chuta no travessão.
Nas cobranças de penaltis, é visível o desgaste emocional dos jogadores de Gana que perdem dois. Cabe a Loco Abreu converter o penalti que levaria o Uruguai a uma nova semi-final de Copa 40 anos depois.
El Loco faz jus ao apelido e cobra o penalti com a sua famosa cavadinha, tal qual fizera pelo Botafogo na final do campeonato carioca contra o Flamengo. Goleiro pro lado e a bola descrevendo uma pequena curva antes de cair mansamente dentro do gol. Genial!
Da Alemanha, pouco a falar. Um time que impiedosamente mete 4 nos "hermanos", está com pinta de campeão.
Meu palpite para a final: Alemanha e Holanda, com os laranjinhas comemorando mais um vice-campeonato e a Alemanha mostrando ser a seleção mais consistente da história de todas as Copas do Mundo.
sábado, 3 de julho de 2010
O Culpado de Sempre
Ok fica combinado assim.
Se o Brasil ganhasse a Copa a glória seria dos nossos talentosos jogadores, do seu espírito criativo com seu jeito moleque de jogar, do time que tem o melhor goleiro do mundo, a zaga perfeita, os atacantes fabulosos, etc.
Como perdeu, a culpa é do Dunga. Com a ajuda providencial do tresloucado Felipe Melo. Simples assim.
Pronto. Agora mais aliviados, pois conseguimos rapidamente identificar os responsáveis por essa campanha pívia de nossa seleção, que tal pararmos com a brincadeira e apontar os verdadeiros culpados.
O primeiro colocado disparado na responsabilidade pela nossa derrota é quem escolheu a comissão técnica. Em segundo, a imprensa que para ter o que falar, cria ídolos de barro, leva ao Olimpo pequenos êxitos obtidos em torneios de menor importância e acima de tudo é subserviente a CBF.
Por último os jogadores. O melhor goleiro do mundo não pode sair do gol daquela maneira no primeiro gol holandês e nem a zaga, dita perfeita, levar um gol de cabeça de um nanico careca na pequena área numa cobrança de córner. Me poupem!
Colocar a culpa em Dunga é cômodo. O cara nunca foi técnico, é instável emocionalmente e limitado. Então, de verdade, me responda se ele poderia ser técnico da seleção? Claro que não! E o coitado do Felipe Melo? Culpar o cara por ele ser Felipe Melo?
Por isso que tomar decisões no calor de decepções é errado. Como a única razão para escalar Dunga como técnico, foi colocar ordem na seleção depois da farra da Copa da Alemanha, depois dessa nova decepção, a hora é colocar no comando da seleção um técnico de verdade e não mais um xerife.
Seria bom também a crônica esportiva parar com essa mania de culpar a tudo e a todos, e fazer uma reflexão séria sobre seu papel e suas responsabilidades.
Se o Brasil ganhasse a Copa a glória seria dos nossos talentosos jogadores, do seu espírito criativo com seu jeito moleque de jogar, do time que tem o melhor goleiro do mundo, a zaga perfeita, os atacantes fabulosos, etc.
Como perdeu, a culpa é do Dunga. Com a ajuda providencial do tresloucado Felipe Melo. Simples assim.
Pronto. Agora mais aliviados, pois conseguimos rapidamente identificar os responsáveis por essa campanha pívia de nossa seleção, que tal pararmos com a brincadeira e apontar os verdadeiros culpados.
O primeiro colocado disparado na responsabilidade pela nossa derrota é quem escolheu a comissão técnica. Em segundo, a imprensa que para ter o que falar, cria ídolos de barro, leva ao Olimpo pequenos êxitos obtidos em torneios de menor importância e acima de tudo é subserviente a CBF.
Por último os jogadores. O melhor goleiro do mundo não pode sair do gol daquela maneira no primeiro gol holandês e nem a zaga, dita perfeita, levar um gol de cabeça de um nanico careca na pequena área numa cobrança de córner. Me poupem!
Colocar a culpa em Dunga é cômodo. O cara nunca foi técnico, é instável emocionalmente e limitado. Então, de verdade, me responda se ele poderia ser técnico da seleção? Claro que não! E o coitado do Felipe Melo? Culpar o cara por ele ser Felipe Melo?
Por isso que tomar decisões no calor de decepções é errado. Como a única razão para escalar Dunga como técnico, foi colocar ordem na seleção depois da farra da Copa da Alemanha, depois dessa nova decepção, a hora é colocar no comando da seleção um técnico de verdade e não mais um xerife.
Seria bom também a crônica esportiva parar com essa mania de culpar a tudo e a todos, e fazer uma reflexão séria sobre seu papel e suas responsabilidades.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Escolha de Índio
A escolha de Índio da Costa para vice de Serra só mostra quão perdida está a oposição.
Enquanto Lula passou feito um trator sobre o seu partido e os da base e se manteve focado em emplacar Dilma como sucessora mesmo à margem da lei eleitoral, Serra faz questão de usar e abusar dos erros em sua campanha.
A velocidade de sua queda nas pesquisas está diretamente relacionada ao amadorismo das pessoas encarregadas de conduzir sua campanha e a um discurso ambíguo, que nem o coloca como legítimo opositor ao Governo e nem como a melhor opção para continuar o que está dando certo.
Ora, se tem alguma coisa dando certo no atual Governo, é a mistura da continuação das políticas econômicas de FHC, com a maciça propaganda governamental para convencer o povão de que todas as benesses da humanidade estão associadas ao estelar governo Lula, apagando no processo qualquer vestígio de que houve algum outro governante por essas bandas algum dia.
Não é de espantar portanto, que a medida que Dilma for subindo nas pesquisas, mais partidos e políticos irão aderir a sua campanha. Afinal ninguém quer ficar do lado perdedor e se no processo ainda der para tirar uma casquinha, ótimo.
Serra parece desconhecer os políticos brasileiros. Já Lula e seu partido, depois de décadas metendo o pau nos políticos e perdendo todas as eleições, aprenderam como realmente se faz política por aqui.
Para isso basta jogar no lixo o seu passado e se aliar aos inimigos políticos de outrora. Portanto beijar a mão de Jader, dizer que Severino foi perseguido pelas elites do sul, que Collor tem uma enorme contribuição a dar ao povo, que Sarney não é um cidadão qualquer, são consideradas apenas espertezas políticas de ocasião.
Nada contra o Deputado Índio da Costa, mas a escolha para vice de Serra deveria ter sido feita considerando o peso político da pessoa, ou quem sabe uma bela história de vida, como por exemplo fez Marina Silva ao escolher o empresário Guilherme Leal para ser seu vice.
Agora, de repente, a idéia é apostar na juventude de Índio da Costa e na sua identificação com o eleitorado mais jovem e antenado nas novas mídias sociais. Se esse era o caso, por que então, não se deu a Aécio a oportunidade de concorrer com Serra pela indicação do partido a Presidente desde o começo?
A verdade é que o PSDB errou em não ter realizado às prévias para escolha de seu candidato. Ficou com medo de inovar pois achava que Serra tinha uma liderança consolidada e uma eleição fácil pela frente.
Provavelmente a mesma liderança que Lula julgava ter na eleição de 94 e que acabou perdendo para o desconhecido FHC, a novidade da época, no primeiro turno.
O esperto Lula aprendeu e está dando o troco.
Enquanto Lula passou feito um trator sobre o seu partido e os da base e se manteve focado em emplacar Dilma como sucessora mesmo à margem da lei eleitoral, Serra faz questão de usar e abusar dos erros em sua campanha.
A velocidade de sua queda nas pesquisas está diretamente relacionada ao amadorismo das pessoas encarregadas de conduzir sua campanha e a um discurso ambíguo, que nem o coloca como legítimo opositor ao Governo e nem como a melhor opção para continuar o que está dando certo.
Ora, se tem alguma coisa dando certo no atual Governo, é a mistura da continuação das políticas econômicas de FHC, com a maciça propaganda governamental para convencer o povão de que todas as benesses da humanidade estão associadas ao estelar governo Lula, apagando no processo qualquer vestígio de que houve algum outro governante por essas bandas algum dia.
Não é de espantar portanto, que a medida que Dilma for subindo nas pesquisas, mais partidos e políticos irão aderir a sua campanha. Afinal ninguém quer ficar do lado perdedor e se no processo ainda der para tirar uma casquinha, ótimo.
Serra parece desconhecer os políticos brasileiros. Já Lula e seu partido, depois de décadas metendo o pau nos políticos e perdendo todas as eleições, aprenderam como realmente se faz política por aqui.
Para isso basta jogar no lixo o seu passado e se aliar aos inimigos políticos de outrora. Portanto beijar a mão de Jader, dizer que Severino foi perseguido pelas elites do sul, que Collor tem uma enorme contribuição a dar ao povo, que Sarney não é um cidadão qualquer, são consideradas apenas espertezas políticas de ocasião.
Nada contra o Deputado Índio da Costa, mas a escolha para vice de Serra deveria ter sido feita considerando o peso político da pessoa, ou quem sabe uma bela história de vida, como por exemplo fez Marina Silva ao escolher o empresário Guilherme Leal para ser seu vice.
Agora, de repente, a idéia é apostar na juventude de Índio da Costa e na sua identificação com o eleitorado mais jovem e antenado nas novas mídias sociais. Se esse era o caso, por que então, não se deu a Aécio a oportunidade de concorrer com Serra pela indicação do partido a Presidente desde o começo?
A verdade é que o PSDB errou em não ter realizado às prévias para escolha de seu candidato. Ficou com medo de inovar pois achava que Serra tinha uma liderança consolidada e uma eleição fácil pela frente.
Provavelmente a mesma liderança que Lula julgava ter na eleição de 94 e que acabou perdendo para o desconhecido FHC, a novidade da época, no primeiro turno.
O esperto Lula aprendeu e está dando o troco.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Alguns Pensamentos sobre a Petrobrás
Quem acompanha o mercado acionário brasileiro necessariamente segue as notícias sobre Petrobrás. Afinal a empresa sozinha representa 13% do Ibovespa, é um dos ADR's mais negociados na Bolsa de NY, além de ser a "estrela solitária" do pré-sal e tem garantido pelo Governo brasileiro direito de participar em toda a sua exploração.
Por que então a empresa que melhor representa a pujança do Brasil com sua enorme capacidade de investimentos que influencia várias indústrias e setores, sentada no "filé mignon" das reservas do pré-sal, só vê suas ações perderem valor nas bolsas de valores?
O mercado diz que o problema é a indefinição da capitalização da empresa e que uma vez definidos preço e o tamanho da oferta, a ação retornaria a sua trajetória de apreciação, voltando aos preços de meados de 2008.
Acho simplista essa avaliação e explico a razão.
Primeiro discordo que o novo modelo de partilha beneficie a Petrobrás. Muito pelo contrário, acho que a proposta do Governo de obrigar a empresa a ter participação mínima de 30% em todos os campos, é um enorme passivo e não um ativo.
Segundo a empresa que sempre financiou sua expansão com recursos próprios, está mudando completamente a sua estrutura de capital de modo a absorver mais dívida para financiar seus novos projetos no pré-sal e o aumento de sua capacidade de refino.
Muito embora o esforço para capitalização seja uma tentativa de manter balanceada sua relação capital próprio e dívida e por conseguinte seu grau de investimento, o aumento excessivo de seu endividamento a deixa mais vunerável aos humores dos investidores internacionais e às variações futuras do preço do petróleo.
Terceiro a proposta de mudança do modelo de exploração de petróleo no Brasil está completamente dissociada da atual realidade econômica mundial, do aumento da percepção dos riscos de exploração em alto-mar e do futuro da indústria automobilística que caminha a passos largos na direção dos carros elétricos.
Diante de tantas incertezas o mais sensato seria manter o modelo de concessão com alguns pequenos ajustes. Por exemplo, para compensar a diminuição do risco de exploração pela certeza da presença de petróleo, bastaria aumentar a tributação.
Já a Petrobrás como a maior conhecedora da tecnologia de exploração em águas profundas, teria garantida a sua presença na área do pré-sal. Nada mais natural para outras empresas que desejem participar na exploração em futuras áreas, que se associem a ela, em um arranjo societário que certamente diminuiria a sua responsabilidade de arcar com o grosso dos investimentos.
Por outro lado, O Governo não precisaria criar Petrosal, arcar com os custos de um eventual desastre ecológico e nem se sentir ameaçado com a presença de outras empresas multinacionais. Contratos bem feitos e uma agência reguladora eficiente seriam suficientes. O resto é discurso eleitoral para iletrados.
Na verdade o pré-sal com toda a sua perspectiva de salvação nacional caiu do céu para o atual Governo pois associa o discurso fácil da redenção nacional com a utilização da Petrobrás e seus investimentos como indutora do PAC-2 e por conseguinte, do estabelecimento de uma política industrial intervencionista que visa principalmente a aumentar a presença do Estado na economia nacional ao mesmo tempo que beneficia alguns empresários selecionados a dedo.
Fica claro que todo o esforço feito nos últimos 15 anos de abrir o setor a concorrência, atrair investimentos que tornaram o Brasil auto-suficiente e a Petrobrás em uma empresa competitiva a nível internacional, está sendo perdido.
Após a euforia com a descoberta do pré-sal e a confusão causada pela proposta de mudança do modelo de exploração, os investidores em ações da Petrobrás devem estar se perguntando qual será o futuro da empresa. O desempenho da ação desde o anúncio da mudança do papel da empresa no novo modelo de exploração, ao meu ver, está refletindo exatamente isso.
Uma coisa é certa. Em um eventual Governo Dilma as intervenções deverão aumentar e a racionalidade econômica dará lugar aos projetos para atender aos interesses de sua imensa base política.
Afinal é sempre bom lembrar que Lula uma vez disse que dirigir a Petrobrás é tão importante quanto governar o Brasil.
Infelizmente nós temos uma boa idéia de como eles governam.
Por que então a empresa que melhor representa a pujança do Brasil com sua enorme capacidade de investimentos que influencia várias indústrias e setores, sentada no "filé mignon" das reservas do pré-sal, só vê suas ações perderem valor nas bolsas de valores?
O mercado diz que o problema é a indefinição da capitalização da empresa e que uma vez definidos preço e o tamanho da oferta, a ação retornaria a sua trajetória de apreciação, voltando aos preços de meados de 2008.
Acho simplista essa avaliação e explico a razão.
Primeiro discordo que o novo modelo de partilha beneficie a Petrobrás. Muito pelo contrário, acho que a proposta do Governo de obrigar a empresa a ter participação mínima de 30% em todos os campos, é um enorme passivo e não um ativo.
Segundo a empresa que sempre financiou sua expansão com recursos próprios, está mudando completamente a sua estrutura de capital de modo a absorver mais dívida para financiar seus novos projetos no pré-sal e o aumento de sua capacidade de refino.
Muito embora o esforço para capitalização seja uma tentativa de manter balanceada sua relação capital próprio e dívida e por conseguinte seu grau de investimento, o aumento excessivo de seu endividamento a deixa mais vunerável aos humores dos investidores internacionais e às variações futuras do preço do petróleo.
Terceiro a proposta de mudança do modelo de exploração de petróleo no Brasil está completamente dissociada da atual realidade econômica mundial, do aumento da percepção dos riscos de exploração em alto-mar e do futuro da indústria automobilística que caminha a passos largos na direção dos carros elétricos.
Diante de tantas incertezas o mais sensato seria manter o modelo de concessão com alguns pequenos ajustes. Por exemplo, para compensar a diminuição do risco de exploração pela certeza da presença de petróleo, bastaria aumentar a tributação.
Já a Petrobrás como a maior conhecedora da tecnologia de exploração em águas profundas, teria garantida a sua presença na área do pré-sal. Nada mais natural para outras empresas que desejem participar na exploração em futuras áreas, que se associem a ela, em um arranjo societário que certamente diminuiria a sua responsabilidade de arcar com o grosso dos investimentos.
Por outro lado, O Governo não precisaria criar Petrosal, arcar com os custos de um eventual desastre ecológico e nem se sentir ameaçado com a presença de outras empresas multinacionais. Contratos bem feitos e uma agência reguladora eficiente seriam suficientes. O resto é discurso eleitoral para iletrados.
Na verdade o pré-sal com toda a sua perspectiva de salvação nacional caiu do céu para o atual Governo pois associa o discurso fácil da redenção nacional com a utilização da Petrobrás e seus investimentos como indutora do PAC-2 e por conseguinte, do estabelecimento de uma política industrial intervencionista que visa principalmente a aumentar a presença do Estado na economia nacional ao mesmo tempo que beneficia alguns empresários selecionados a dedo.
Fica claro que todo o esforço feito nos últimos 15 anos de abrir o setor a concorrência, atrair investimentos que tornaram o Brasil auto-suficiente e a Petrobrás em uma empresa competitiva a nível internacional, está sendo perdido.
Após a euforia com a descoberta do pré-sal e a confusão causada pela proposta de mudança do modelo de exploração, os investidores em ações da Petrobrás devem estar se perguntando qual será o futuro da empresa. O desempenho da ação desde o anúncio da mudança do papel da empresa no novo modelo de exploração, ao meu ver, está refletindo exatamente isso.
Uma coisa é certa. Em um eventual Governo Dilma as intervenções deverão aumentar e a racionalidade econômica dará lugar aos projetos para atender aos interesses de sua imensa base política.
Afinal é sempre bom lembrar que Lula uma vez disse que dirigir a Petrobrás é tão importante quanto governar o Brasil.
Infelizmente nós temos uma boa idéia de como eles governam.
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