quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Fortuna de Mubarak

Acabo de assinar um abaixo-assinado que rola na Internet cujo objetivo é pressionar as autoridades bancárias internacionais a congelarem os recursos que Mubarak subtraiu (uma forma mais elegante de dizer roubou) do Egito durante a sua dinastia de 30 anos, fortuna essa avaliada em US$ 70 bilhões.

Como diz o próprio e-mail que solicita o engajamento de todos na campanha (justíssima, por sinal) essa montanha de dinheiro corresponde a um terço do PIB egípcio. Vou repetir: UM TERÇO de toda a riqueza acumulada pelos Egito em 30 anos.

Apesar de ser justificável o movimento, cabe uma ressalva. Mubarak NUNCA poderia ter "roubado" US$ 70 bilhões! A razão é simples: nenhum ser humano ou empresa na face da Terra dispõe de tanta liquidez! Acho que a empresa com mais dinheiro em caixa (ou com aplicações em banco) é a Microsoft seguida da Exxon (algo em torno de US$ 30 bi).

Na verdade diria com muita certeza de que não mais do que mil empresas no mundo todo possuem patrimônio líquido dessa magnitude.

Com muito favor Mubarak pode ter uns US$ 7 bilhões, o que já é uma fortuna! Para ele ter chegado à cifra estimada pelo movimento, ele teria que ter roubado e vendido os "tesouros dos faraós". Também difícil de concretizar. Imagina um banco suíço recebendo um sarcófago para depósito.

Por outro lado, Mubarak pode ter comprado uma carteira de ações por meros US$ 700 milhões (com Microsoft, Apple, Google, Vale entre outras) que se multiplicou por 100. Uma taxa anual de 26% durante 30 anos. Um desempenho brilhante!

Nesse caso é justo que se pague ao ditador pela administração do dinheiro uma taxa anual de administração (2%) e outra remunerando o desempenho (15%).

Dessa forma Mubarak ficaria com US$ 12 bi e devolveria US$ 58 bi.

Brincadeiras à parte, o link para quem quiser ajudar para o congelamento dos ativos do ditador, sejam quais forem e em qualquer montante, é o seguinte:

http://www.avaaz.org/po/mubaraks_fortune/?vl

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