quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Definindo o Estado Brasileiro

Para quem não se lembra do caso, vai um pequeno resumo: dois juizes membros do Conselho Nacional de Justiça são condenados por venderem sentenças. Afastados são "condenados" a ficarem em casa recebendo seus salários de R$ 25 mil mensais até a morte, com o "agravante" de poderem transmitir aos seus familiares seus ordenados.

Isso mesmo que você leu: eles cometem o crime e nós (todos os contribuintes) somos condenados a pagar-lhes para que fiquem em casa.

Essa "pérola do bom senso" é uma boa amostra de como o Estado brasileiro e seus beneficiários diretos utilizam o país (na forma de impostos cobrados à sociedade) em benefício próprio.

As palavras de Roberto DaMatta em seu artigo de hoje em O Globo definem muito bem o tipo de Estado brasileiro:

"Uma prova cabal de como o Estado brasileiro aristocratiza cargos e pessoas. mais do que um clássico patrimonialismo, temos um estado republicano de molde imperial e aristocrático, no qual alguns cargos e poderes penetram a carne e o sangue na pessoa que deles tomam posse.

Com isso, são muito mais do que sócios ou donos do aparelho estatal, como ocorre no patrimonialismo, pois passam a ser filhos diletos e herdeiros deste Estado que sempre é forte com os fracos e fraco com os fortes".

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