Fiquei ciente dos detalhes do caso de paternidade envolvendo o Vice Alencar esse final de semana. Configura mais um caso clássico dos poderosos da República Sindical contra os desprotegidos do andar de baixo, como diria o jornalista Elio Gaspari.
Segundo Noblat na sua coluna de hoje do Globo, Alencar conheceu Francisca em Caratinga e manteve com ela um relacionamento público durante 3 anos até 1955, quando ela engravidou.
Testemunhas arroladas em juízo garantiram que Francisca era enfermeira e que Alencar dormia em sua casa pelo menos um dia na semana, toda vez que ia à cidade.
Perto de seu falecimento Francisca revela a filha Rosemary quem era o seu verdadeiro pai. Essa, entra na Justiça com um processo de paternidade em 2001. Os advogados de Alencar sistematicamente tentam extinguir o processo por meio de inúmeros recursos.
Em sua defesa Alencar nega qualquer relacionamento e a acusa de frequentar zona de meretrício (o tradicional puteiro), chegando a fazer piada do ocorrido em recente programa do Jô: "Todo mundo que foi a zona, pode ser pai".
Alencar se recusa a fazer o teste de DNA alegando que eles não são 100% seguros, apesar de ser inferior a 1% a sua chance de erro. Como a legislação brasileira é muito clara nessa aspecto, a recusa em fazer o teste deu a Rosemary o direito de usar o nome do pai e a sua herança.
Muito triste esse caso. Empresário de sucesso do setor têxtil (freguês assíduo do BNDES e de amplos incentivos fiscais, diga-se de passagem) e sofrendo de um câncer a 13 anos, Alencar faz questão absoluta de rasgar a sua biografia no final da vida.
Em primeiro lugar como pessoa pública e pela solidariedade que vem recebendo dos brasileiros em seu momento mais difícil, deveria dar o exemplo.
Segundo porque fico imaginando como se sentirão todas as enfermeiras que cuidaram, cuidam e cuidarão do atual Vice.
E por fim pelo atentado à memória de uma pessoa que lhe deu carinho, amor, uma filha e que não pode se defender da torpe acusação de meretrício.
Mulheres no Brasil conseguem ser vilipendiadas mesmo depois de mortas.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
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