Em breve seremos um país com uma camêra na mão e uma idéia na cabeça!
Ou seria uma camêra na mão, uma roupa transada e nada na cabeça?
Depois de descobrir que temos 128 cursos superiores em Moda e uma quantidade incalculável em Cinema (artigo do Sardenberg de hoje no Globo), fiquei pensando nas perspectivas profissionais para essa multidão de estilistas e cineastas que nossas faculdades despejam no mercado a cada ano.
Vamos fazer um exercício. Consideremos uma quantidade igual de cursos superiores em Moda e Cinema e que cada um forma 15 alunos por ano. Chegaremos a aproximadamente 2 mil graduados em cada uma das profissões.
Agora eu pergunto a você: temos mercado de trabalho para absorver novas 4 mil pessoas com essa formação a cada ano? Acho que nem em Paris e Hollywood, para ficarmos nos principais mercados por especialização.
O que isso implica? Em uma oferta muito grande de mão-de-obra em um mercado consumidor pequeno. De acordo com aquela leizinha básica de Economia, isso se traduzirá em baixos salários.
Na verdade o problema começa com o que se ensina no Brasil e com o tipo de profissionias que desejamos formar para o mercado de trabalho. Infelizmente medidas recentemente propostas pelo Governo e aprovadas pelo Congresso nos dão uma boa idéia do caminho que escolhemos.
Ao tornar obrigatórias para o ensino básico disciplinas como sociologia, filosofia, cultura afro-brasileira e indígena (só para citar algumas), estamos necessariamente diminuindo o tempo para o ensino em disciplinas que as prepararão para um mercado de trabalho extremamente competitivo, tais como português, matemática, ciências e inglês.
Ou seja com a péssima formação curricular que estamos oferecendo hoje, estamos comprometendo o país para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Isso se traduzirá em um país condenado a importar produtos e serviços de tecnologia avançada e a exportar produtos primários ou de baixo valor agregado. Haja boi, minério de ferro e petróleo!
Se você ainda não entendeu o tamanho do problema, pense no seguinte: você prefere que seu filho seja o cara que faz o filmete para vai passar no YouTube e divertir a galera ou o cara que inventou o YouTube e ganha dinheiro disponibilizando para os descolados um espaço para eles colocarem as suas criações e as empresas anunciarem?
Ainda está pensando? Seu filho deve ser descoladíssimo...
Para terminar. A PUC do Rio de Janeiro, Universidade de padrão científico com reconhecimento mundial, formou no ano passado 3 físicos, 2 matemáticos e 27 bacharéis em Cinema!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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Discordo de você, Ricardo. Acho que a demanda por cineastas no Brasil é bem maior do que a demanda por físicos e matemáticos. Por que precisaríamos dos últimos, se a o foco do nosso desenvolvimento está longe do incentivo da produção de conhecimento e de novas tecnologias?
ResponderExcluirPor outro lado, a preocupação com a aparência talvez seja a característica principal de nosso país. Basta reconhecer que nos acostumamos a viver um teatrinho: você fala uma mentira daí, eu falo uma mentira daqui, e todos nós fingimos que acreditamos. O Brasil é um país quixotesco, no sentido ilusório do termo.
Veja como isso se reflete até nas eleições. Você acha que adianta convencer um eleitor do Lula de que ele não tem a mínima condição de ser presidente do país? Você pode dar todas as razões mais sólidas e incontestáveis para ele, sem que haja qualquer mudança de opinião.
E isso não se dá apenas entre os "ignorantes", ou "menos favorecidos em termos educacionais". Quando eu trabalhava na Marinha, por exemplo, participei da desincorporação de um navio da força ativa. O dinheiro que foi gasto para pintar todo o navio para a cerimônia de desincorporação poderia ter sido muito melhor utilizado para reparos e melhorias nos navios restantes na ativa. E, como esse exemplo, há vários outros em diversas empresas e departamentos públicos.
O brasileiro é como um personagem do filme "A Origem" que, preferindo criar uma ilusão cinematográfica onde viver, abre mão de encarar os problemas reais. Daí nossa vocação para o cinema, o drama, o tragicômico.