Solicitei ao amigo Marcelo Viana do MBA da FGV autorização para publicar no blog um comentário dele que recebi por e-mail sobre o nosso atual momento político.
O título do post é meu mas poderia ser qualquer uma das várias frases de alerta que ele nos faz em seu comentário. Marcelo, obrigado!
"Companheiros de luta,
Sócrates já advertia contra os malefícios que os discursos belos, mas mentirosos, dos sofistas causavam à democracia ateniense. A arte retórica não deve se sobrepor à busca pela verdade. Mesmo assim, o discurso ainda permanece como a base da sociedade organizada e, mais que isso, do próprio pensamento humano (o que não significa que o pensamento humano sirva pra muita coisa).
José Serra parece estar mudando o discurso. Para melhor, no sentido platônico. Ontem, numa reunião com prefeitos, Serra deu sinais de que vai bater, sim, no PT. Já não era sem tempo. Um dos piores males que o PT fez a Banânia foi caracterizar o embate de idéias discordantes como "discurso de ódio". Mas a fala de Serra ontem, se possui algum ódio, não deixa entrevê-lo numa leitura honesta. Antes, o que há são verdades que os assassinos morais do PT tentam esconder a qualquer custo.
O PT tem, sim, a mentira como método, a ilegalidade como regra e a encenação como realidade imposta. A verdade é que os sofistas são eles. A verdade é que Banânia deixou de ganhar a seriedade que procurava construir aos poucos, com esforço, por causa da esquerda que sempre buscou fins sem justificar os meios.
A verdade é que Serra será, sim, um melhor presidente que Lula, até porque isso não é muito difícil. A verdade é que Dilma, por mais que seja maquiada, embrulhada e empurrada para nosso consumo, pode ser pior que Lula (possibilidade surreal, não?). A verdade é que a verdade se impõe.
Serra precisa se impor. Não que ele seja a verdade. Se Banânia, em vez de uma tirania da esquerda, fosse uma democracia de verdade, eu teria a opção de votar num candidato conservador de direita. O problema é que isso seria considerado um extremismo radical terrível no léxico político que vigora por aqui. Mas Serra, pelo menos, reconhece os princípios democráticos e os respeita.
Não tripudia sobre eles, como fez Lula ao comemorar o fato de esta ser a primeira eleição brasileira só com candidatos de esquerda. Como se ele soubesse distinguir um lado do outro (na verdade, acho que esta é a explicação para seu desequilíbrio digital: ele precisava, pelo menos, saber diferenciar qual era o lado esquerdo do direito). Serra pode ser feio, chato e centralizador.
Mas isso eu também sou, e com muito mais cinismo que ele. O fato, por outro lado, é que Serra é honesto, qualificado, experiente, trabalhador e sério. Talvez seja por isso que tanta gente naõ goste dele. De fato, são qualidades que os bananescos não costumam valorizar, já que eles próprios não cultivam esses valores. Isso explica o índice de aprovação do governo Lula. Não é a economia, estúpido!; é a integridade moral, origem basilar da política.
Lula e Dilma deturpam nossa política exatamente porque não são íntegros, no sentido mais imediato: não sabem quem são em sua inteireza. Vivem de acordo com as contingências imediatas de seus interesses de poder. Esquecem, ou não sabem, que o poder é apenas um meio, e nunca será um fim por si só, por mais deturpados que estejam os homens. Por isso a necessidade de criar o mito do futuro inalcançável.
A luta partidária sem escrúpulos é apenas a superfície do que é uma falha de caráter, de novo, de integridade. Sem o mito futuro, as criaturas Lula e Dilma perdem a falsa fantasia com que se cobrem, e voltam a ser o que atualmente são: homens incapacitados para a vida pública, porque só pensam pelos apetites vorazes de seus abdômens.
Não são seres humanos que saibam ordenar e viver de acordo com a hierarquia do espírito que anima o intelecto e do intelecto que controla o sensível. São revolucionários no sentido mais original do termo: invertem a ordem humana natural, e extrapolam os limites de seus apetites a todas as esferas das vidas pública e privada. Daí vem a grande necessidade de Lula de se identificar com o que há de mais baixo em nós. Lula é uma besta, e Dilma, sua criatura.
Lula e Dilma são, com certeza, sofistas e tiranos da pior espécie. E, se há alguma tragédia e esperança nisso tudo, é que Serra é o melhor Sócrates que temos à disposição no momento. Sim, é muito pouco e a comparação chega a ser ridícula, admito sem reservas. É apenas um artifício retórico. Mas cabe a nós, hoje, decidir quem condenaremos à cicuta amanhã: Lula e seus sofistas ou Banânia e seus cidadãos de bem.
No link, a íntegra do discurso de Serra. E espalhem pelos seus contatos. Lembrem-se daquela famosa frase: "para os maus vencerem, basta que os bons não façam nada."
Abraços,
Marcelo Viana"
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
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