segunda-feira, 12 de julho de 2010

Coerência na Agenda Internacional. Temos Alguma?

A condução da política internacional brasileira padece de coerência.

Particularmente se analisarmos os movimentos que fizemos no cenário internacional no último ano. Segue uma pequena lista:

1) O fiasco da tentativa de se colocar como mediador do conflito no Oriente Médio;

2) O acordo nuclear com Irã patrocinado juntamente com a Turquia, seguido pelo voto contrário às sanções aprovadas pelos membros do Conselho de Segurança da ONU inclusive com o apoio de aliados históricos do Irã como China e Rússia;

3) Os comentários infelizes sobre presos políticos cubanos comparando-os a presos comuns durante a visita ao parque jurássico do comunismo caribenho;

4) O não reconhecimento das eleições democráticas em Honduras após o exílio de Manuel Zulaya em nossa embaixada organizado e patrocinado por Hugo Chávez sem o conhecimento das autoridades brasileiras;

5) O apoio incondicional a todo e qualquer ditador africano.

Sob as mais variadas razões e alegações o Governo insiste em dar as costas aos valores que são caros aos brasileiros e a sua secular bem sucedida diplomacia de resultados.

Os motivos que levam o Governo a adotar tais políticas são obscuros, mas certamente estão fundamentados em contradições do tipo da não-intervenção nos assuntos domésticos de outros países ou do pragmatismo comercial.

Dessa maneira vamos pouco a pouco construindo uma imagem perante ao mundo de país tolerante com déspotas, sem valores democráticos e ultimamente sem respeito pelos direitos humanos ou liberdade de expressão, daqueles que sofrem sob regimes autoritários.

Princípios não podem ser flexíveis e moldados à conveniência do momento. Se nos acostumamos a meia democracia ou a um pouco de liberdade, acabamos sem nenhuma.

Por sinal a Rússia acaba de divulgar que o Irã está muito próximo de adquirir os meios para a construção de um artefato nuclear.

É a cereja que falta no bolo das nossas trapalhadas internacionais.

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