Os jornais sempre fizeram parte de minha vida.
Não me recordo exatamente quando começou o hábito pela leitura diária do jornal, mas confesso que fico incomodado quando sento para o café da manhã e o jornal não está ao alcance.
Ultimamente entretanto por força da quantidade de textos que tenho que ler para o curso de Relações Internacionais, tenho relegado ao segundo plano a leitura dos periódicos domésticos e passado cada vez mais tempo lendo matérias na Internet.
Minha leitura de jornal está cada vez mais concentrada à chamada da notícia na primeira página, a editoria, a seção de cartas do leitor e a uns poucos colunistas. Como estamos em tempos de eleição, também acompanho os candidatos, sua entourage e as últimas pesquisas de opinião.
Hoje por conta de uma chamada de capa do Globo, acabei esbarrando em uma questão muito recorrente, e que chama minha atenção há algum tempo.
A questão é simples: qual a razão dessa obsessão freudiana (ou seria nelson-rodrigueana) que tem os petistas de afirmar que os brasileiros superaram finalmente nesse governo seu "eterno complexo de vira-lata"?
Para quem não se recorda a expressão foi cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues após o Brasil ter perdido a Copa do Mundo para o Uruguai em 50. Só nos recuperamos do trauma com a conquista de 1958 na Suécia. Para Nelson Rodrigues esse comportamento não se restringia apenas ao campo futebolístico:
"Por complexo de vira-lata, entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo".
E ainda:
"O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima".
Muito antes de Nelson Rodrigues, outros pensadores e historiadores se aventuraram a tentar explicar a razão de nosso suposto complexo de inferioridade perante os outros povos ou nações. Para quem tiver curiosidade a página do Wikipedia sobre o assunto traz um breve resumo.
Vira e mexe as expressões "complexo de vira-lata" ou "complexo de inferioridade" aparecem nos discursos de Nosso Guia. Só para refrescar: no discurso de agradecimento após ter conseguido assegurar a realização da Olimpíada de 2016 no Rio, Nosso Guia afirmou que a partir daquele momento os brasileiros não precisariam mais se sentir inferiores a ninguém (???).
Ontem, por exemplo, ao rebater críticas de Serra à condução da política externa brasileira em relação aos nossos vizinhos sul-americanos, o nosso "chanceler do B", MAG, disse que as mesmas revelam o "complexo de vira-lata" de quem se acostumou no passado a ser um país acanhado, sem ambição e submisso aos interesses dos grandes países.
Não sou um psicólogo, antropólogo ou especialista no assunto, nunca parei para pensar sobre esse assunto, nem mesmo para analisar se os brasileiros têm ou não o tal complexo de inferioridade.
Mas de uma coisa estou certo, o comportamento típico de um complexado, é a arrogância, o enaltecimento dos feitos pessoais, e o péssimo hábito de só falar em voz alta como meio de impor aos seus ouvintes a sua suposta superioridade.
É interessante notar que as ações do atual Governo tentam vincular junto a população a percepção de que a melhora de vida dada pelo aumento do poder de compra, acesso a bens de consumo, crédito e eventualmente a conquista da casa própria, nos dá condições de nos despirmos de qualquer complexo que nos apequene perante o mundo.
Fundamental para isso, portanto, é termos um presidente que fale de "igual para igual" com qualquer um, que não seja "submisso", que bata de frente com os poderosos, enfim um cidadão que "se ache".
Ou seja, na visão deles para nos livramos dos nossos complexos basta fazer filantropia com Paraguai e Bolívia com o dinheiro dos nossos contribuintes, patrocinar acordos nucleares inviáveis com o Irã, tentar intermediar o conflito do Oriente Médio como se fosse uma briga de vizinhos, entre outras ações internacionais de alcance e interesse duvidosos.
Por fim uma observação. Se dependermos do Governo para realizarmos as "melhores" Olimpíadas e Copa de todos os tempos (segundo Nosso Guia), faltarão psicólogos para nos ajudar com nossos complexos.
Basta uma viagem a partir de qualquer aeroporto do país.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
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