quarta-feira, 7 de julho de 2010

Resultado do IDEB

Comemorado como um gol que levaria o Brasil a outra final de Copa do Mundo, o Governo divulgou o resultado do IDEB realizado em 2009. Pelo discurso oficial, alcançaremos o Primeiro Mundo antes do previsto e portanto, temos muito a comemorar.

No mesmo dia que os resultados foram divulgados, escutei uma entrevista com uma especialista em educação brasileira que destacou os seguintes pontos:

1) Estamos hoje no mesmo patamar de resultados que o de 1995, quando foi realizado o primeiro teste nacional para o ensino básico, mas as amostras mudaram;

2) Como tudo que funcionava no governo anterior tem que ser "melhorado" pelos técnicos da atual administração, as amostras ficaram diferentes, e portanto invalidando qualquer tipo de comparação temporal;

3) Quando comparado com as provas anteriores (houveram outras duas) realizadas no atual governo, com a mesma amostragem, houve melhora;

4) Numa escala de 0 a 10, ficamos em torno de 4 em Português ou Matemática, sendo um pouco abaixo disso para as séries mais altas;

5) Para ser considerada educação de "Primeiro Mundo" segundo o Governo, devemos alcançar a média 6 até o ano de 2022, muito embora os expoentes do grupo estejam hoje muito acima disso se utilizarmos os resultados do Pisa realizado pela OCDE.

Como tudo nesse Governo tem por finalidade o palanque, achar que estamos nos aproximando dos desenvolvidos pois teremos média 6 em 2022, é um atentado a inteligência daqueles que raciocinam.

Primeiro que a educação evolui, em especial nos países que realmente se preocupam com educação de base. A média em 2022 para os países desenvolvidos deverá estar muito acima de 6 (os números do Pisa de agora já mostram isso!). Temos que queimar etapas agora, para não ficarmos na incomôda posição de nunca alcançar os melhores.

Segundo, o que falta ao Brasil é o investimento na infra-estrutura educacional, aquilo que o Senador Cristóvão Buarque, falava com muita propriedade na eleição presidencial de 2006. Nossas escolas pelo interior do Brasil são uma vergonha.

Conseguimos fazer agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica iguais em quase todos os municípios brasileiros com móveis confortáveis, acesso a internet, caixa eletrônico e outras amenidades, menos escolas.

Por último, as metas provavelmente foram fixadas para serem ultrapassadas e não comparáveis com os resultados obtidos no Governo FHC.

Tudo muito bem planejado para ajudar o discurso oficial de que "estamos melhorando significativamente a educação de base no Brasil" em ano eleitoral.

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