Muitos acharam surpreendente a primeira entrevista dos eleitos que estarão a frente da condução da política econômica nos próximos anos.
O discurso uníssono de austeridade fiscal, autonomia do BC e luta incessante contra a inflação foi absolutamente previsível. Ou alguém esperava um discurso diferente?
O discurso alinhado com o que o mercado espera em termos principalmente de austeridade fiscal, carece de credibiliidade.
O problema é que ao reconduzir a dupla Coutinho(BNDES)-Mantega(Fazenda) para o centro da condução da futura política econômica, desidratando o BC e colocando no Planejamento uma burocrata com execuções incompatíveis (Orçamento e PAC), Dilma dá carta branca para a continuação das manipulações nas contas públicas.
Muito frequentes nos últimos 18 meses, elas incluem antecipação de dividendos de estatais, venda de patrimônio público de forma disfarçada, empréstimos simulados para o BNDES, entre outros. Tudo para justificar perante o mercado um superávit primário, que na prática já não existe mais.
A lista é grande. Assim como deveria ser grande a preocupação dos contribuintes ao perceber que o governo gasta o que não tem, ao mesmo tempo que passa a viver de resultados futuros. Para que não vivenciou os acontecimentos da década de 80, uma boa olhada no que está acontecendo agora na Europa é suficiente.
Dilma tentará reeditar Lula e seu bem sucedido primeiro ano:
1) Vai aumentar os juros na primeira reunião do Copom para mostrar a autonomia do BC;
2) Vai perseguir um superávit fiscal maior do que 3,3% para mostrar compromisso com a austeridade;
3) Vai mandar para o Congresso uma avalanche de propostas de reformas para mostrar que está trabalhando para melhorar o país.
"Mas não é exatamente isso que todos esperam que um governo responsável faça? Por que então a desconfiança em relação ao futuro governo?"
Simples. Muito mais do que intenções, o que vale mesmo são as ações. E nesse terreno o track record não é nada bom!
As possíveis reformas a serem enviadas para o Congresso servirão apenas distração e deixará congresitas falando para o vento nos próximos 4 anos. Ainda melhor, o Congresso servirá de bode expiatório na necessidade de um desvio brusco de rota.
Mantendo os "mágicos" da contabilidade nacional fortalecidos em seus cargos, qualquer superávit primário é fabricável, basta indicar o nível desejado.
Quanto a autonomia do BC, essa já acabou. Meirelles mesmo foi o responsável, quando em setembro em pleno período eleitoral, não aumentou os juros para conter uma inflação que acelerava e fez vista grossa para os problemas no Panamericano.
Por sinal, nosso mágico da Fazenda, já resolveu o problema futuro de juros no Brasil. A proposta é o BC passar a perseguir um "novo" índice de preços aonde seriam desconsiderados os voláteis preços de energia e alimentação.
Fácil, não?
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
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