Ouvi na CBN na semana passada um dado que me pareceu assustador: no ano passado o Brasil formou 30 mil engenheiros contra 80 mil da Coréia do Sul.
Como percentual da população esse número é ainda mais preocupante: Brasil forma em Engenharia 0,0156% de sua população enquanto a Coréia 0,16%, ou seja, 10 vezes mais do que o Brasil relativamente (só para ter uma base de comparação, a renda per capita da Coréia é 2,5 vezes superior a do Brasil).
Fiquei curioso e com a ajuda do Google cheguei ao último resultado disponível do PISA realizado em 2006 (os resultados do teste de 2009 só estarão disponibilizados a partir de dezembro de 2010) e os números não só falam por si como explicam esse abismo tecnológico entre nós e os coreanos.
O PISA (Programme for International Student Assessment) para quem não conhece é um teste aplicado nas áreas de ciências e matemática para aos estudantes com idade em torno de 15 anos dos países membros da OCDE e para países convidados (O Brasil é convidado e a Coréia membro).
Para ir direto ao ponto peguei 2 informações: o percentual total de alunos que se situavam abaixo da média e o percentual de alunos que se encontravam no topo superior em ciências e matemática. Os resultados falam por si:
- Ciências: Brasil tem 84,8% abaixo da média e no topo ZERO. Coréia tem 32,4% abaixo da média, com 1,1% no topo.
- Matemática: Brasil tem 80,8% abaixo da média, com 1,1% no topo. Coréia tem 18,3% abaixo da média, com 21,7% no topo.
Essa disparidade nos resultados pode ser explicada perfeitamente pelas opções que cada um dos países fez com relação aos seus modelos educacionais.
Nos últimos 40 anos a Coréia investiu prioritariamente no ensino fundamental e médio, enquanto o Brasil concentrou seus poucos recursos nas universidades federais públicas cuja produção acadêmica não criou nenhuma enorme vantagem tecnológica para o país.
Só teremos alguma vantagem no setor de biocombustíveis e na exploração de petróleo em águas profundas? Sem desenvolvimento tecnológico, estamos condenados a ser um país exportador de commodities?
Claro que a exploração do pré-sal (se concretizada) com todo o investimento na sua cadeia de produção e a expansão de nossas fronteiras agrícolas com o aumento da produtividade do campo, poderão sustentar nosso crescimento por mais alguns anos.
E o que nos reserva o futuro? Não seria muito melhor para todos nós, se estivéssemos em condições de, um dia quem sabe, sermos o país dos cientistas que descobriram como mover carros enchendo o tanque com um copo de água?
Se não intensificarmos agora o ensino de ciências e matemática em nossas crianças, o abismo tecnológico que nos separa dos países desenvolvidos apenas aumentará.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
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