Quem acompanha o mercado acionário brasileiro necessariamente segue as notícias sobre Petrobrás. Afinal a empresa sozinha representa 13% do Ibovespa, é um dos ADR's mais negociados na Bolsa de NY, além de ser a "estrela solitária" do pré-sal e tem garantido pelo Governo brasileiro direito de participar em toda a sua exploração.
Por que então a empresa que melhor representa a pujança do Brasil com sua enorme capacidade de investimentos que influencia várias indústrias e setores, sentada no "filé mignon" das reservas do pré-sal, só vê suas ações perderem valor nas bolsas de valores?
O mercado diz que o problema é a indefinição da capitalização da empresa e que uma vez definidos preço e o tamanho da oferta, a ação retornaria a sua trajetória de apreciação, voltando aos preços de meados de 2008.
Acho simplista essa avaliação e explico a razão.
Primeiro discordo que o novo modelo de partilha beneficie a Petrobrás. Muito pelo contrário, acho que a proposta do Governo de obrigar a empresa a ter participação mínima de 30% em todos os campos, é um enorme passivo e não um ativo.
Segundo a empresa que sempre financiou sua expansão com recursos próprios, está mudando completamente a sua estrutura de capital de modo a absorver mais dívida para financiar seus novos projetos no pré-sal e o aumento de sua capacidade de refino.
Muito embora o esforço para capitalização seja uma tentativa de manter balanceada sua relação capital próprio e dívida e por conseguinte seu grau de investimento, o aumento excessivo de seu endividamento a deixa mais vunerável aos humores dos investidores internacionais e às variações futuras do preço do petróleo.
Terceiro a proposta de mudança do modelo de exploração de petróleo no Brasil está completamente dissociada da atual realidade econômica mundial, do aumento da percepção dos riscos de exploração em alto-mar e do futuro da indústria automobilística que caminha a passos largos na direção dos carros elétricos.
Diante de tantas incertezas o mais sensato seria manter o modelo de concessão com alguns pequenos ajustes. Por exemplo, para compensar a diminuição do risco de exploração pela certeza da presença de petróleo, bastaria aumentar a tributação.
Já a Petrobrás como a maior conhecedora da tecnologia de exploração em águas profundas, teria garantida a sua presença na área do pré-sal. Nada mais natural para outras empresas que desejem participar na exploração em futuras áreas, que se associem a ela, em um arranjo societário que certamente diminuiria a sua responsabilidade de arcar com o grosso dos investimentos.
Por outro lado, O Governo não precisaria criar Petrosal, arcar com os custos de um eventual desastre ecológico e nem se sentir ameaçado com a presença de outras empresas multinacionais. Contratos bem feitos e uma agência reguladora eficiente seriam suficientes. O resto é discurso eleitoral para iletrados.
Na verdade o pré-sal com toda a sua perspectiva de salvação nacional caiu do céu para o atual Governo pois associa o discurso fácil da redenção nacional com a utilização da Petrobrás e seus investimentos como indutora do PAC-2 e por conseguinte, do estabelecimento de uma política industrial intervencionista que visa principalmente a aumentar a presença do Estado na economia nacional ao mesmo tempo que beneficia alguns empresários selecionados a dedo.
Fica claro que todo o esforço feito nos últimos 15 anos de abrir o setor a concorrência, atrair investimentos que tornaram o Brasil auto-suficiente e a Petrobrás em uma empresa competitiva a nível internacional, está sendo perdido.
Após a euforia com a descoberta do pré-sal e a confusão causada pela proposta de mudança do modelo de exploração, os investidores em ações da Petrobrás devem estar se perguntando qual será o futuro da empresa. O desempenho da ação desde o anúncio da mudança do papel da empresa no novo modelo de exploração, ao meu ver, está refletindo exatamente isso.
Uma coisa é certa. Em um eventual Governo Dilma as intervenções deverão aumentar e a racionalidade econômica dará lugar aos projetos para atender aos interesses de sua imensa base política.
Afinal é sempre bom lembrar que Lula uma vez disse que dirigir a Petrobrás é tão importante quanto governar o Brasil.
Infelizmente nós temos uma boa idéia de como eles governam.
terça-feira, 29 de junho de 2010
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