quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dedos Queimados no Irã

Para quem achava que a a tentativa brasileira de buscar uma solução diplomática para o programa de enriquecimento de urânio iraniano seria a oportunidade de nos tornarmos um player de peso nos temas internacionais, sugiro a leitura do artigo de Walter Russel Mead, publicado em 21 de junho no site do Council on Foreign Relations.

Segundo o artigo, o Ministro Celso Amorim em entrevista ao Financial Times teria dito que o Brasil não mais se envolverá nas discussões entre EUA e Irã. Segundo ele, o Brasil só tomou essa iniciativa por solicitação de Obama a Lula, e acabou queimando os dedos.

Acho pouco provável. O mais provável é que Lula aproveitando o bom momento econômico do Brasil, quis dar uma faturada eleitoral, dando uma cutucada nos americanos ao mesmo tempo que tentava colocar o Brasil no centro das grandes questões mundiais.

Como já coloquei aqui no blog no passado, Lula é suficientemente esperto para aproveitar o momento certo e aumentar ainda mais o seu prestígio junto ao eleitorado brasileiro.

No caso do Irã, para o público doméstico e para os demais países do terceiro mundo, ele pousaria de paladino defendendo os "pequenos" contra os "poderosos", e certamente reforçando a idéia do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Além disso, em caso de sucesso na empreitada, ele receberia muita cobertura da mídia mundial, uma eventual indicação para o Nobel da Paz e mais alguns votinhos para a candidata oficial.

Em caso de fracasso da missão, as críticas dos especialistas não seriam lidas mesmo pelos seus eleitores.

Por fim, duas certezas.

Aquela cadeira no Conselho da ONU ficou para daqui a muitos e muitos anos, especialmente depois que juntos com a Turquia, votamos contra as sanções aprovadas por todos os demais membros do Conselho de Segurança. Talvez o mais indicado no caso, seria se abster como fez o Líbano.

Cartas pessoais entre presidentes não deveriam vazar para a imprensa. Nunca. Além de falta de educação, denota falta de respeito a nação que a endereçou.

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