Se não me falha a memória, foi em 1972 que as transmissões a cores começaram no Brasil, mas especificamente no Torneio de Futebol organizado pela extinta CBD para celebrar o Sesquicentenário da Independência do Brasil.
A preparação da seleção brasileira foi tumultuada entre as duas Copas. Uma discussão idiota para eleger o jogador que seria digno de vestir a camisa 10 da seleção com a aposentadoria de Pelé, foi incentivada pela crônica esportiva. Bem fazem os americanos que aposentam o número da camisa dos jogadores que mais se destacam.
O talentoso Paulo Cesar Caju era o candidato da hora, mas os paulistas o achavam mascarado e pouco humilde para suceder Pelé e o perseguiu por 2 anos consecutivos. Depois de sofrer com a maior vaia da história esportiva em um jogo da seleção brasileira no Morumbi, a pressão foi enorme e a camisa 10 acabou com o corintiano Rivelino.
Foi uma primeira fase horrorosa com empates contra a extinta Iugoslávia e a Escócia. Para nos classificar para a próxima fase, tínhamos que ganhar do Zaire, por uma diferença de 3 gols. O gol da classificação só veio no segundo tempo num chute "espírita" de Valdomiro que o goleiro do Zaire aceitou.
Depois do gol de falta de Rivelino contra a Alemanha Oriental que nos garantiu a vitória por placar mínimo, passamos pela Argentina em um jogo catimbado (2 a 1) e perdemos para Holanda por 2 a 0, que decidiu com a Alemanha a final da Copa. Terminamos em quarto, pois perdemos para a Polônia por 1 a 0, gol do excelente ponta-direita Lato (o artilheiro da Copa).
Acho que não existe pessoa que acompanhe o futebol que não tenha ouvido falar da seleção holandesa de 74. Ela entrou para o rol das melhores seleções da história das Copas do Mundo, juntamente com o escrete húngaro (Puskas) de 54 e a seleção brasileira de 70.
Curiosamente só o Brasil conseguiu ser campeão com uma seleção que encheu os olhos de todos. As outras duas seleções perderam para a Alemanha.
A Holanda, ou melhor, o Carrossel Holandês ou a Laranja Mecânica, encantou o mundo com um esquema tático que não guardava posições e uma implacável linha de impedimento que decretou o fim do jogo cadenciado sul-americano e dos jogadores com posições fixas em campo.
Sob a batuta do técnico Rinus Michel e a genialidade de Cruiff e Neeskens em campo, a Holanda triturou os adversários da primeira e segunda fases. Lembro do primeiro jogo deles contra os uruguaios, em que esses batiam cabeça e corriam atrás da bola feito cachorrinho em roda de bobinho.
Os holandeses saíram na frente aos 2 minutos de jogo na final e todos achavam que a nova taça já tinha dono. Mas do outro lado tinha a Alemanha com craques como Franz Beckenbauer, Gerd Muller, Overath e o incrível goleiro Sepp Maier, que fechou o gol no segundo tempo garantindo a vitória alemã por 2 a 1.
Um jogaço que entrou para a história como a melhor final de todas as Copas. Vale a pena rever.
A próxima Copa na Argentina quase colocou a Holanda no panteão das seleções ganhadoras de uma Copa, mas a trave, o atacante Mario Kempes e a ditadura militar portenha não deixaram. Conto outro dia.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
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