Somos uma nação de semiletrados e de desinformados. Explico por quê.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2009 sobre alfabetização, somente 25% dos adultos alfabetizados consegue entender o que está lendo. Isso mesmo. Apenas 1 em cada 4 brasileiros seria capaz de entender esse comentário que agora você lê.
Pode parecer pouco importante no desenvolvimento do Brasil, especialmente agora que estamos crescendo à taxa de 6% ou mais ao ano, mas a falta de capital humano nos condenará no futuro a períodos de baixo crescimento. O artigo de Gustavo Ioschpe, publicado na edição de Veja de 14 de abril do corrente ano, analisa muito bem a importância do capital humano para o crescimento sustentado e duradouro dos países.
Reportagem recente publicada em "O Globo" respondia precisamente a uma questão levantada por amigos durante um jantar no início do mês passado, quando tentávamos estimar a circulação diária de jornais no Brasil.
Como não desconfiava do número mas intuía que era baixo, "chutei" uns 2 milhões. Logo me dei conta que tinha errado, pois ao mentalmente dividir meu palpite pela população brasileira, concluí que não haveria só 1% de leitores entre nós.
Segundo a reportagem do jornal, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), responsável pelo cálculo de circulação, lemos um total diário de uns 4,3 milhões de jornais em março de 2010, ou pouco mais de 2,2% se considerada a nossa população atual.
Busquei informações similares para outros países e encontrei estatísticas para o ano de 2007 no site da World Association of Newspapers (WAN).
Na China a circulação diária de jornais pagos chega a 107 milhões (8,1% da população). Na Índia são 99 milhões de jornais (8,8% da população). No Japão circulam 58 milhões de jornais, mesma ordem de grandeza dos EUA (51 milhões). Mas esse número representa 47,1% da população japonesa contra 16,7% da população ameircana.
Em outro ranking compilado pela WAN para o ano de 2006, ocupamos o posto de número 102, considerando a circulação média em relação a população adulta.
Não considerando países desenvolvidos (como EUA e Japão) e comparando somente com os outros países participantes dos BRIC's (China e Índia) com suas enormes populações que as levam a ter renda per capita inferior à brasileira, o percentual das suas populações que lê jornal é 4 vezes superiores ao do Brasil!
Dizer que os brasileiros deixaram de ler jornais impressos porque fazem a leitura na Internet, não é um argumento válido uma vez que o mesmo princípio se aplicaria para todos os países, especialmente os ricos. O mesmo se aplica aos telejornais.
Essa situação brasileira só encontra explicação na nossa baixa escolaridade e na dificuldade de entendimento de textos.
Fica mais claro ainda quando confrontado com o total desprezo do nosso atual presidente que se vangloria de nunca ter lido um livro inteiro, de não ter tempo para a leitura dos jornais, que foge de entrevistas coletivas e apenas se dedica a vociferar diariamente em palanques, eventos e inaugurações quando não pode ser contestado.
Logo não causa espanto a recente opção governamental em aplicar à Educação o maior contingenciamento orçamentário entre todos os Ministérios, enquanto as verbas para as propagandas oficiais permanecem intactas.
Afinal pela aritmética rasteira e eleitoral dos nossos governantes, a imagem de uma placa diante de uma promessa de obra para a população, vale muito mais do que qualquer palavra impressa num pedaço de papel que muito poucos lêem.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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