Se a 3 milênios atrás tivéssemos a disseminação da informação através dos meios de comunicação que dispomos hoje a Grécia, com suas conquistas e seus pensadores, seria ainda o grande farol a nos guiar.
Infelizmente para os gregos o apogeu da sua civilização ocorreu em um mundo que não tinha imprensa escrita, falada ou televisada, e ainda sem Internet. Imaginem podermos seguir Sócrates, Aristóteles ou Sófocles no Facebook! De repente no seu Blackberry ou Iphone surge: "O que mais vale não é viver, mas viver bem" enviado por platao@twitter.com!
Parece que os acontecimentos ocorridos nessas últimas 3 semanas ofuscaram os séculos de supremacia da cultura grega. Muito já foi escrito sobre essa crise que começa a ultrapassar a esfera da zona européia e respinga pelos mercados financeiros de todo o mundo.
Mas do que nunca vale a regra de que o importante de toda a crise são as lições que elas nos ensinam.
Crises são apenas o ato final de uma série de decisões erradas tomadas ao longo do tempo baseadas em uma expectativa excessivamente otimista de todos de que nada pode mudar aquele cenário no futuro.
Decisões erradas dos governos passam por aumento excessivo de gastos públicos, baixo nível de investimento, altos custos de produção (infra-estrutura deficiente, elevados custos trabalhistas, baixa qualificação da mão-de-obra), aversão a matemática previdenciária que manda fazer hoje os ajustes que serão sentidos por toda sociedade daqui a 20 ou 30 anos, entre outros.
Claro que tudo isso financiado por banqueiros e investidores que alegremente financiarão a farra na expectativa de capturar um pedaço da bonança, seja através de juros ou dividendos, e que serão convenientemente apontados como "vampiros sanguináreos e especuladores impiedosos que se alimentam do suor do povo", quando a farra se transforma em farsa, pelo simples motivo de quererem que sejam cumpridos os contratos que assinaram.
A Grécia é apenas mais uma história recorrente das tantas que ocorreram nos últimos 20 anos com os mesmos ingredientes, talvez apenas com uma embalagem melhor pelo fato de ter sido aceita na zona do euro e ter sido considerada apta a adotar a nova moeda como padrão monetário.
Hoje a Europa se encontra em uma camisa de força. Ajudar só a Grécia parece não ser o bastante. Outros países estão em situação similar e o mercado já os penaliza como a bola da vez (o spread de títulos de Portugal acima dos títulos alemães fecharam na sexta-feira praticamente iguais ao da Grécia). Falta a Europa unidade e vontade política para resolver seus problemas.
O socorro governamental de emergência aprovado para a Grécia em última instância atenua o problema dos bancos privados europeus que emprestaram excessivamente na bonança achando que o risco grego era comparável aos das maiores economias do bloco.
A solução final virá provavelmente com algum tipo de reestruturação da dívida grega.
Um retorno ao dracma como padrão monetário pode ser a melhor solução para a Grécia. Haveria uma desvalorização do dracma em relação ao euro, gerando inflação no primeiro momento, mas tornando produtos e mã0-de-obra mais baratos e por conseguinte aumentando a competitividade do país.
Melhor ainda se conseguisse converter o estoque da dívida para a nova moeda. Essa solução entretanto, é ruim para os credores e um duro golpe político para a União Européia com repercussões de difícil previsão.
Por fim uma receita para uma boa salada grega: tomates frescos, azeitonas pretas, pepinos, cebola e claro, o tradicional queijo de cabra grego feta. Tudo temperado com limão e um bom azeite extra virgem de oliva.
Um prato muito saudável que faz parte da dieta básica dos gregos. Ou pelo menos fazia.
domingo, 9 de maio de 2010
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Caro Ricardo,
ResponderExcluirSou colega seu no MBA de RI. Gostei bastante do seu blog, principalmente pelo que tem de conteúdo econômico a ser acompanhado e aprendido por leigos como eu, e pelo estilo original e prazeroso dos textos.
Aproveitando a "salada grega", deixo o link para um artigo entitulado "tragédia grega":
http://www.nivaldocordeiro.net/atragediagrega
E, de fato, na minha opinião, quando o assunto é pensamento, alguns gregos antigos ainda colocam muita gente moderna no chinelo...
Abraços,
Marcelo Viana.
Marcelo,
ResponderExcluirObrigado e seja benvindo. Espero que nós possamos trocar idéias para tentarmos entender melhor essa avalanche de acontecimentos que acabam interferindo no nosso dia-a-dia.
Concordo com você nada como um bom filósofo grego das "antigas" para ofuscar os atuais pseudo intelectuais.
Abraços,
Ricardo Dunshee